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Trama Internacional

Título Original– The International
Título Nacional- Trama Internacional
Diretor- Tom Tikwer
Roteiro- Eric Singer
Gênero- Thriller/Policial
Ano-2009

– Trama Internacional um filme…

Milhares de adjetivos foram usados pelo narrador do trailer de Trama Internacional, filme estrelado por Clive Owen (Louis Salinger). Desde misterioso, até ambicioso, passando por intrigante, corajoso e por aí vai. Só faltou a “vozinha” do narrador para dar aquela emoção. O que importa, no entanto, é que o filme satisfaz dentro daquilo que propõe tratar; os negócios escusos das grandes corporações financeiras mundiais (bancos) e como as coisas de fato ocorrem nesse covil de raposas disfarçadas de cordeiros.

Louis Salinger é um agente da Interpool, outrora da Scotland Yard, que gastou boa parte de sua vida profissional cassando pessoas que utilizam os bancos como fachadas para se envolverem em negócios que envolvem tráfico internacional de armas e associações com organizações criminosas de toda espécie, sejam elas revolucionárias ou terroristas. Negócio este que da forma apresentada no longa só traz lucro aos bancos e prejuízos não só às próprias organizações que fazem negócios com eles, mas, principalmente, aos inocentes, alvos dos destemperos desses sindicatos do crime.

Louis não está sozinho nessa luta. Ele conta com a ajuda de Eleanor Whitman (Naomi Watts) agente do FBI. Juntos eles tentam uma forma de pegar os chefões dos negócios, mas eles sempre estão à frente e ainda contam com a complacência do sistema judiciário e policial. Essa parte, inclusive, é bem interessante e mostra que a corrupção acontece em outros países também. A diferença talvez esteja no grau para poder corromper um policial ou juiz, enquanto aqui com meia dúzia de dinheiros se consegue isso, lá é preciso uma “persuasão” mais atraente.

Vítima de uma conspiração que o impediu de concluir sua missão no passado. Louis se tornara um compulsivo e neurótico, perdendo a noção de como agir em muitas situações durante o filme. Todos os motivos sempre conspiram contra os mocinhos, mas tal aspecto não é posto de forma ingênua durante a película, sempre se busca manter uma fidelidade com a realidade numa tentativa de alertar a quem está ali assistindo sua sessão.

O filme conta com um bom elenco, mas as atuações não estão inspiradas ou talvez falte aquele “glamour” para que os personagens se apresentem de forma mais simpática a quem assiste. Às vezes, a crueza das situações e o apego ao realismo, mais atrapalham que ajudam. Um momento que ajudou foi na cena do tiroteio (melhor e única cena de ação do filme). A cena ficou ótima, com boa continuidade, boa produção e direção e atenção aos detalhes ficou na medida, sem exageros nem faltas.

Trama Internacional não é um filme de ação. É mais investigativo, mais focado nos detalhes das ações (justamente pelo apreço ao realismo) dos agentes, portanto, ao assistir, não procure um filme movimentado, pelo contrário, é um filme para se assistir com muita atenção e por isso também se torna cansativo já que a narrativa parada compromete o desenvolvimento. O balanço final é positivo, no final poderia ser melhor, mas como ficou o resultado consegue agradar.

Intensidade da força: 6,0

007 Quantum of Solace

Título Original- Quantum of Solace
Título Nacional-007 Quantum of Solace
Direção– Marc Forster
Roteiro- Paul Haggis/Neal Purvis
Gênero- Ação/Thriller
Ano– 2008

– Mais violento, mais frio, melhor?

Não necessariamente. O novo filme da revigorada franquia 007 não é propriamente um filme melhor que Casino Royale, não em todos os sentidos. Se trata de um bom filme de ação, mas que busca focar basicamente nisso nesse novo episódio em detrimento da produção de uma trama mais elaborada e de uma motivação mais profunda. O filme começa logo com uma cena de perseguição de carros que já conta com uma das muitas “forçadas” de barra que irão dar a tônica do longa ao decorrer da exibição.

James Bond (Daniel Craig) está muito mais violento neste filme, muito mais implacável se afastando ainda mais daquele 007 iconizado por Sean Conery, Roger Moore e até Pierce Brosnan. Naquele 007 se tinha um agente mais inteligente que preferia pensar a atirar. O que acontece agora é justamente o oposto, o “novo” Bond atira antes de pensar. Isso tem seu lado e bom e ruim. Bom porque traz um dinamismo maior ao filme, ruim, pois retira de James Bond um dos aspectos que o diferenciava dos demais agentes de espionagem do cinema. A conclusão que se pode chegar com isso é que não se trata de uma iniciativa de todo vantajosa.

Neste longa James está em busca de vingança pela morte de Vesper (Eva Green) ainda do 007 anterior. Tentanto entender as motivações que a levaram a fazer o que fez e quem a teria obrigado a agir daquela forma do primeiro longa. É interessante ver 007 envolvido de alguma forma nas suas ações, porém a forma que tudo é conduzido é muito dura e por diversos momentos a crueza impera de forma muito voraz o que retira um pouco da “magia” que envolve o nome “007”. Nesse longa James é capaz de simplesmente jogar um parceiro na lata de lixo após ser morto (tendo sido usado de escudo por ele) o que choca e até pode criar certa antipatia ao personagem. A dimensão de como tratar o aspecto “frio” de James foi um pouco exacerbada e se perderam na dosagem claramente.

Um ponto a ressaltar é a aproximação com filmes como “Missão Impossível” nesse longa. Há cenas dignas dessa outra franquia durante a película (queda do avião, perseguição inicial de carros), tudo bem que 007 sempre foi um filme que primou pela “mentirada” e este foi um dos motivos que levaram a reformulação de idéia primária do filme, retirando aqueles “gadgets” e carros super equipados. No Casino Royale a idéia tinha sido levada muito mais afinco do que neste longa em que há exageros chatos e até um pouco mal feitos em algumas cenas.

A história, apesar de Bond estar sendo motivado por vingança, é deixada muito de lado, sendo um mero pretexto para uma matança desenfreada, tanto que não há desfecho algum para a história que se busca contar, ou seja, se fica com aquela impressão de um filme “tampão”, apenas para se continuar fazendo mais 007’s sem muita lógica por traz dos fatos. Bond conhece aqui a jovem Camille (Olga Kurylenko) que tem uma proximidade com a estranha organização que parece ter contatos em todos os lugares, inclusive no MI6. Ela quer matar um general boliviano responsável pela morte dos pais (banalidade máxima?) por aí já se mede o nível da trama. Na verdade não há trama, não que se busque isso quando se assiste um 007, mas com a idéia lançada em Casino Royale se esperava mais neste filme, até mesmo alguma reviravolta típica de filme de espiões.

No final se descobre que essa organização tem por nome “Quantum” e só. Legal hein? Bond alcança o elemento responsável pela morte de Vesper no primeiro filme e Bond finalmente tem sua vingança completa (ao menos isso), talvez isso seja o momento alto de todo o filme. No fim, este novo 007 é filme de ação de primeira, mas falta aquele toque que daria mais “corpo” ao longa. Daniel Craig mostra que tem tudo haver com este novo traço dado à franquia. No entanto, se deixou por demais aquele “glamour” e elegância de Casino Royale por uma frieza exagerada que custa até a simpatia com o personagem. Como filme de ação supera Casino Royale, mas peca pelo roteiro cheio de brechas e inacabado, além de dar uma frieza demasiada a Bond. Uma boa pedida, sem dúvida, mas que deixa um pouco a desejar pela expectativa criada de ser um filme muito melhor que Casino Royale (que é ótimo) o que não se comprova no final.

Intensidade da Força: 7,0

Onde os fracos não tem vez

Esse e o próximo vi há algumas semanas, mas valem à pena serem comentados…
Título Original– No Country For Old Men
Título Nacional– Onde os fracos não tem vez
Diretor- Joel Coen e Ethan Coen
Gênero– Thriller/Drama
Ano– 2007

– Fracos = Velhos?

Tudo começa por mais um título mal adaptado (rotina?) e em “Onde os fracos não tem vez” a tônica se mantém. Não consigo entender o motivo de terem usado a palavra “fracos” ao invés de “velhos” como sugere o original estrangeiro. Na adaptação do romance homônimo de Cormac Mcarthy para os cinemas realizada pelos irmãos Coen temos como pano de fundo a história do velho xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) em meio às mudanças sociais do mundo atual e a onda de violência sem motivos trazida por tal “evolução”.

Na pele desse momento de crítico de desajuste social em que cada vez mais se dá menos valor à vida humana temos o frio assassino Anton Chigurh (Javier Bardem) que aparece sem mais nem menos por aquelas terras do Texas, espalhando pânico e terror naqueles que ousem simplesmente aparecer em seu caminho (que o diga o velhinho da mercearia!).

Nisso tudo se destaca o envolvimento de pessoas comuns nesse mundo obscuro do crime, achando que coisas banais e sem explicação podem acontecer e que ninguém notaria o sumiço de 2 milhões de dólares oriundo de uma transação criminosa mal sucedida. Essa parte é representada na película por Llewelyn Moss (Josh Brolin) um mecânico fracassado daquela já desolada cidadezinha do interior central dos EUA. O envolvimento de um civil na trama serve para demonstrar como o desconhecimento do mundo do crime pode trazer conseqüências graves para aqueles que acham que podem tomar parte dele, mesmo que por acidente.

Nesse emaranhado de realidades distintas e peculiares se desenrola a trama, que tem a magnífica capacidade de apresentar ao telespectador como pessoas comuns, mesmo aquelas que estariam preparadas para lidar com isso (Ed Tom) na verdade por muitas vezes perdem a noção do quão difícil e arriscado é estar envolvido neste mundo desconhecido que cada vez mais insiste em invadir o cotidiano comum. O esforço do policial em desafiar a implacável força do tempo e, ainda assim, frear a onda assassina de Anton, a inocência de Moss em imaginar que poderia lidar com um psicopata, especialista em matar, com a experiência de caças a veados nos desertos de sua região, são alguns dos conflitos do filme.

Um filme espetacular, marcado por uma das melhores caracterizações de personagens já vistas no cinema. A transformação de Javier Bardem, conhecido por seus papéis de galã, no enigmático e assustador Anton impressiona e rendeu a ele seu primeiro Oscar como ator coadjuvante. Imagino como teria sido se tivesse concorrido com o Daniel Day Lewis!

A direção precisa dos irmãos Coen não deixa o filme se perder na violência representada por Anton, mantendo um ritmo coeso sem descambar para o piegas. Um filme marcante, duro e reflexivo que pode trazer à tona várias perguntas e mistérios relacionados aos caminhos que as sociedades humanas estão tomando. Não perca a oportunidade de assistir a “Onde os fracos não tem vez”, se assim a tiver, pois trata-se de um filme único pelo tema tratado e como é abordado e as diferentes perspectivas de um mesmo problema, mas se nada disso for suficiente para te convencer a assistir o filme. Faça ao menos em homenagem a Javier Bardem e a derradeira prova dada de quão versátil e talentoso é o ator espanhol.

Intensidade da Força: 9,5