Creed: Nascido para Lutar

creed

Título Original- Creed
Título Nacional- Creed: Nascido para Lutar
Diretor- Ryan Coogler
Roteiro- Ryan Coogler/Aaron Covington
Gênero- Drama/Esporte
Ano– 2015

– Ao mestre com carinho…

É a mensagem mais justa e coerente que pode ser atribuída a Creed, um filme “spin off” (que apoia-se numa ponta de uma história já contada). Aqui o filho de Apollo Creed, Adonis Johnson (Michael B. Jordan), tenta, ao mesmo tempo, fazer sua própria história e fazer jus ao legado do pai campeão de Boxe. Em meio a tudo isso está Rocky Balboa (Sylvester Stallone), cuidando de seu pequeno restaurante que faz homenagem a sua falecida esposa. Numa mistura muito bem feita de drama com superação em que o boxe é o meio para tudo isso, Creed talvez seja a maior obra cinematográfica com o esporte envolvido. Ele é melhor do que o filme a que pega carona e talvez a outros grandes ícones, como Touro Indomável. O texto adiante poderá ao menos ajudar a compor melhor essa percepção.

O jovem Adonis vivia de orfanato em orfanato e, quando mais velho, pulando entre instituições de ressocialização para jovens, algo como as Fundações CASA aqui no Brasil. Essa rotina fadada a delinquência é interrompida quando a Ex Srª Apollo Creed, Mary Anne Creed (Phylicia Rashad) resolve adotá-lo, num verdadeiro gesto de amor e solidariedade. O garoto torna-se um adulto bem sucedido, mas sua verdadeira vocação e desejo continuavam no esporte que o pai se notabilizou. Contrária a essa escolha do filho, Mary Anne não o apoia quando ele resolve abandonar tudo para tentar a sorte no mundo das lutas.

O jovem tinha um plano e contava com o suporte do antigo rival do pai, Rocky Balboa, o qual via nos videotapes das lutas entres os boxeadores no passado. Depois de muita insistência o antigo campeão resolve treinar o garoto e ele agora terá as ferramentas necessárias para desenvolver suas aptidões e por à prova se é um verdadeiro Creed, apto a honrar o sobrenome do pai. Essa história será contada com muita sensibilidade, coerência e qualidade.

As informações de que Creed lembra muito o primeiro Rocky são verdadeiras. Não se trata de um filme sobre boxe, mas que o boxe faz parte. O que importa aqui são as relações e como tudo isso é construído e trabalhado é um dos méritos do filme. Alguns trechos podem ter ficado simplistas demais e com isso perderem força, mas em geral tudo é muito bem composto.

Claro que não faria sentido se não houvessem combates e alguns treinos típicos do esporte, mas nada disso é o principal, ainda que esteja retratado com uma qualidade excepcional. A parte das lutas então chamam a atenção pelo dinamismo, realismo e impacto como conceberam a filmagem. A câmera no ombro consegue passar uma sensação muito mais fidedigna dos confrontos, adicionando muito à obra. As atuações também se destacam com Michael B. Jordan e Stallone num papel que chama a atenção pela autenticidade de sua interpretação. Ele carrega no drama e consegue realmente balançar o expectador em algumas passagens com uma fragilidade impensável para um astro dos filmes de ação do passado. Se não tivesse Tom Hardy creio que ele tivesse chances reais de vencer o Oscar na categoria, mas a indicação já revela muito por si só.

As críticas em torno do Oscar 2016 sobre a ausência de filmes com negros passam a fazer muito sentido quando se assiste a Creed e se vê que o mesmo não consta na lista dos indicados, seja por melhor filme ou mesmo Michael B Jordan como melhor ator, entre os demais contendedores ele com certeza merecia um lugar, fosse no substituindo Matt Damon ou Bryan Cranston. De qualquer maneira, não há porque você leitor deixar de assistir ou pensar que Creed é só mais um filme que caiu nas graças da mídia por fatores alheios a uma qualidade comprovada. Ele tem méritos próprios e consegue não só fazer jus a toda uma bela história da marca Rocky, como o supera por grande margem.

Intensidade da força: 9,0

2 opiniões sobre “Creed: Nascido para Lutar”

  1. Sim Bill, falou e disse. A atuação do Michael B. Jordan não deve nada a pelo menos uns 2 ou 3 dentre os 5 indicados ao Oscar de melhor ator.

    Grande filme. E quando a música vem…. me arrepio só de lembrar

    1. Esse é outro grande mérito do filme Márcio. Ele não abusa da nostalgia também porque não precisa fazê-lo. Esse momento da música foi excepcional e muito bem inserido, sem exageros. Na medida. Muito bem acertado no geral. Ótima obra!

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