Pegando Fogo

pegando fogo

Título Original- Burnt
Título Nacional- Pegando Fogo
Diretor– John Wells
Roteiro– Steven Knight/Michael Kalesniko
Gênero– Drama
Ano– 2015

– Se queimou…

A começar pela escolha infeliz da tradução, Burnt (queimado literalmente e muito melhor para o português se fosse mantido como título nacional) o novo filme estrelado por Bradley Cooper (Adam Jones) chamava a atenção por ser centrado nele, num papel que parecia demandar esforço para desempenhar e com uma temática fora do usual para filmes do grande circuito cinematográfico. Acontece que o a panela virou e queimou o cozinheiro, a massa desandou, o preparado pegou no fundo e quaisquer outras referências culinárias para comparar quando uma receita dá errado.

A história começa com o protagonista abrindo ostras num estabelecimento medíocre em algum canto do mundo, no caso New Orleans, depois descobre-se que era uma auto penitência pelos erros do passado. Esse “passado” guarda alguns dos graves problemas. Ele nunca é revelado por completo, mas sempre é trazido à tona, como um tempero que é necessário, mas não está disponível. Algumas revelações insignificantes são liberadas durante o transcorrer da trama, mas nada que realmente ajude a reforçar o elo entre os personagens envolvidos, em sua maior parte presentes nos acontecimentos que levaram a tudo que acontece naquele momento em que a história se passa.

O Chef está de volta e quer reabrir um restaurante e para isso irá atrás de Tony (Daniel Brühl), outro ingrediente importante na vida pretérita da personagem principal. Tudo é feito às pressas, o Chef sai convocando algumas pessoas, algumas já ligadas a ele, outras aparentemente desconhecidas. É tudo muito solto, como se tentassem misturar componentes incorretos. Nesse meio tempo algumas pontas do que aconteceu são abordadas em breves linhas de diálogo, nada suficiente para que a massa desse liga. O restaurante acontece e o objetivo é ganhar a terceira estrela do Guia Michelin, maior honraria para um comércio desse tipo no mundo.

Ainda haverá espaço (ou tentarão criar essa brecha) para um romance entre Adam e uma Chef, Helene (Sienna Miller), uma relação tão desandada quanto um bolo solado. As crises de descontrole e os dramas existenciais de Adam tentam dar mais sabor ao prato, mas falta justamente esse passado para ligar os fatos e assim dar razão e força aos acontecimentos. A atuação do líder do elenco não faz jus à fama que a personagem interpretada carrega. Ele até se esforça, mas parece que é um peso grande demais para carregar sozinho. Os demais integrantes também não se destacam, tampouco atrapalham.

No final, Pegando Fogo é um filme razoável apenas. O espectador assiste, mas não se empolga. As personagens não têm identificação por má construção do roteiro. A direção tenta dar alguns toques de requinte aqui e acolá com planos abertos e fechados e alguns focos buscando dar aquele impacto que faria com que a obra convencesse, infelizmente nada disso adianta. Fica como aspectos interessantes a abordagem do mundo da alta gastronomia e suas excentricidades e o que se passa nas cozinhas para que alguns pratos deliciosos existam. Se quem for assistir tiver esse interesse, então o filme pode entregar uma experiência um pouco melhor.

Intensidade da força: 6,0

3 opiniões sobre “Pegando Fogo”

    1. Show Ramon! A nota foi 6, ainda maior do que você já acharia baixo se fosse menor! 😛

      Atribuí esse número por considerar interessante o tratamento do universo da alta gastronomia. O que normalmente fica apenas atrás das cozinha, o lado feio dos pratos.

      Abraços!

Deixe seu comentário