Sicario: Terra de Ninguém

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Título Original– Sicario
Título Nacional- Sicario: Terra de Ninguém
Diretor- Denis Villeneuve
Roteiro-  Taylor Sheridan
Gênero- Policial/Ação/Drama
Ano- 2015

– A lei do terror…

É assim que os criminosos impõem o respeito nas regiões sob seu domínio. Acontece no Brasil e também no México, e agora os EUA tentam impedir a penetração ainda maior desse poder paralelo nas entranhas do país, evitando que aconteça o mesmo descontrole que se verifica no vizinho e por aqui. Assim, eles agem como um sicário, os soldados responsáveis em impedir a invasão dos estrangeiros em suas terras nos tempos do Império do Romano, naquele tempo, conhecidos como Zelotes. Em cima dessa crise é que o filme do diretor canadense Denis Villeneuve se inspira e lança suas impressões.

Em meio a esse embate está uma pessoa, um único elo de uma corrente que amarra um número muito maior de envolvidos, seja em quantidade ou grau de importância: Alejandro (Benicio Del Toro). Ele será uma espécie de guia para Kate Macer (Emily Blunt), agente do FBI que, após a invasão de uma propriedade usada como esconderijo de criminosos, se depara com uma cena atroz e uma armadilha à espera de quem ali chegasse. Imbuída do sentimento destemido de enfrentar diretamente o desafio e tentar fazer mais do que conseguia nos limites dos EUA ela aceita o convite para integrar a força que age na fronteira com o México, na altura do Texas, liderada pelo excêntrico Matt Graver (Josh Brolin). O que ela não esperava era deparar-se com o nível de descontrole da ordem Estatal naquela zona de fronteira.

Alertada por Alejandro assim que chega ao grupo, Kate não tinha o preparo psicológico nem a ausência de limites éticos necessária para enfrentar o problema. Num mundo em que os parâmetros da civilização não se aplicam é preciso jogar pelas regras dos que dominam a fim de conseguir atingi-los. É baseado em lógica semelhante que Matt direciona seus esforços e usa de todos os meios necessários a fim de conseguir desestabilizar os inimigos e impedi-los de avançar ainda mais em território norte americano. Alejandro age como uma ponte, mas tendo suas próprias motivações no apoio, um sicário também, se visto noutro sentido.

Com um ritmo intenso, tenso e bem definido, Sicario consegue envolver o espectador durante toda a exibição. As ações contra as organizações criminosas tem um toque de realismo sem a perda da linha cinematográfica. Você nota o esforço do diretor em focar em como os envolvidos se sentem numa situação em que tudo pode acontecer, mesmo que haja um grande planejamento. Noutro plano existem os dramas pessoais das personagens chave, Kate e Alejandro. Mais do que uma visão pessoal da questão eles são as lupas para a discussão e debate de um problema real e cotidiano de todas as sociedades, em maior ou menor grau, o combate à criminalidade, especialmente o tráfico de drogas, que, por conta do grande poder financeiro que consegue reunir traz um reflexo muito mais perigoso e preocupante do que outras atividades criminosas. Até o questionamento sobre o financiamento desses fora da lei por aqueles que consomem o produto é trazido pelo filme.

É curioso notar como as notas em sites e meios de informação que abordam o mundo do cinema passam uma impressão aquém da qualidade de Sicario, sem dúvidas um filme bem melhor do que Os Suspeitos. Por apresentar os EUA de uma maneira reprovável, a depender da visão de quem avalia, o filme termina abalando a fé dos que atribuem pontuações a produção, em sua maioria, americanos ou com vinculação ao país. A verdade é que não se trata apenas de um filme bem dirigido, roteirizado e atuado, essa é uma obra instigante, crítica e reflexiva sobre os diversos prismas de um problema real e atual e que não apresenta solução fácil impassível de ressalvas, a depender de quem analisa.

Intensidade da força: 9,5

2 opiniões sobre “Sicario: Terra de Ninguém”

    1. Revendo aqui noto que são notas próximas mesmo. Quando vi da primeira vez, logo no lançamento americano, Sicario estava um pouco abaixo. Estão empatados.

      Sicario é muito mais filme, se analisado como um todo.

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