O Pequeno Príncipe

o peq principe

Título Original- The Little Prince
Título Nacional– O Pequeno Príncipe
Diretor- Mark Osborne
Roteiro- Irena Brignull/Bob Persichetti
Gênero– Animação/Aventura/Comédia
Ano- 2015

– Essencial é viver…

O que é essencial? Ter dinheiro, ser admirado pelos outros (muito comum nessa geração de Facebook e redes sociais), poder mandar nos outros? Trazendo como linha mestra tais indagações existenciais, usando como apoio uma história infantil e mundialmente conhecida, estreou no Brasil no último fim de semana a animação Pequeno Princípe. Embora utilize a obra literária como base, não se trata de uma adaptação direta, mas uma composição entre esta e a inserção de novos elementos, representados aqui por uma garotinha tentando seguir os rumos planejados por sua mãe.

Logo no começo o filme já apresenta sua problemática com os pais treinando os filhos para entrarem numa escola renomada. Eles teriam que passar por uma entrevista e todos tinham um script a seguir. A pequena, nervosa, se depara com uma mudança nessa programação e não consegue ajustar-se tendo um choque e perdendo a chance. Imediatamente sua mãe já refaz os planos e compra uma casa na vizinhança a fim de forçar a escola a aceitá-la por morar nas redondezas, mal sabia ela que havia um motivo da casa estar vazia. O simpático, mas confuso velhinho vivia na casa ao lado, diferente de todas as demais que seguiam o mesmo padrão. Mal esperavam que aquele morador ao lado seria o responsável por grandes mudanças nas vidas de mãe e filha.

Depois de instalarem-se e prepararem todo o roteiro a seguir cada uma segue seus caminhos e começam a executar o programa de suas vidas, cada passo, cada mínimo tempo estava ocupado e pensado para otimizar o rendimento e assim ajudar a alcançar o sucesso. Porém a pequena criança não imaginava a influência que o seu vizinho iria trazer em sua vida e o quão ele seria responsável por uma mudança de prisma em como ver o mundo. Pouco a pouco ela se envolve mais e mais e se encanta com as histórias do senhor que recusa-se a esquecer o que é viver, representado metaforicamente aqui pelas crianças e sua liberdade de pensar e agir. A garotinha comportava-se como um espelho de sua mãe, assim como muitas crianças na realidade presente.

Essa pequena aventura trará transtornos e problemas para todos os envolvidos e é esse caminho que o Pequeno Príncipe tratará em seus 108 minutos. Na parte técnica tem o uso do stop motion para apresentar as passagens com o Pequeno Príncipe e no restante prevalece o visual tradicional das animações atuais. Essa mistura ficou muito boa e ajudou a obra no seu objetivo. A narrativa intercalada e entrelaçada também dá uma perspectiva especial ao que é mostrado. Em geral o filme é muito bom, mas escorrega numa única parte em que aparentemente o Pequeno Príncipe torna-se real numa alusão à perda da inocência no mundo atual. Esse trecho fica bastante comprometido, pois é tecnicamente muito abaixo do restante da produção.

No geral, entretanto, o Pequeno Príncipe é outra ótima animação que está disponível este ano. Ela no faz refletir, sonhar e se encantar com as lições singelas e essenciais para uma vida melhor nessa sociedade individualista e materialista de hoje. Não é muito voltado para crianças, por incrível que pareça. A única parte voltada para este público específico é justamente a que mais deixa a desejar no filme, mesmo assim não é suficiente para comprometer já que uma breve duração. Uma opção indicada para aqueles que ainda tem um pouco de fantasia e sonho dentro de si.

Intensidade da força: 8,0

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