Whiplash: Em Busca da Perfeição

Título Original- Whiplash
Título Nacional- Whiplash: Em Busca da Perfeição
Diretor- Damien Chazelle
Roteiro- Damien Chazelle
Gênero- Drama
Ano- 2014

– Suor e sangue…  

… É derramando muito disso que Andrew (Miles Teller), protagonista do melhor filme concorrente ao Oscar, irá desafiar-se a convencer o seu regente Fletcher (J.K. Simmons) e assim conseguir realizar seu sonho profissional e emocional. Whiplash tem todos os ingredientes nos melhores candidatos aos prêmios do Oscar 2015. Só lhe falta, talvez, o principal, e que, infelizmente é o mais importante, mesmo não sendo ligado ao que deveria ser avaliado; cair nas graças dos jurados. Não há razão para que não concorra no mesmo nível dos demais a não ser este fato completamente alheio, mas que insiste em permear as decisões da Academia.

O jovem estudante Andrew está no melhor conservatório dos EUA preparando-se para ser um músico profissional e academicamente falando, como integrante da banda ele luta para chamar a atenção do rigoroso Fletcher e assim ganhar seu ingresso na renomada studio band da Shafter. Certo dia a sorte parece-lhe sorrir e o professor irá vê-lo praticando, ainda que pareça não ter agradado, o primeiro passo tinha sido dado. Após outra avaliação conseguirá avançar em busca de seu sonho ao entrar na banda de Fletcher. Logo nesse começo já somos introduzidos à carga dramática intensa que dará o tom em todo o filme, contraditoriamente à calma, reflexão típica do jazz que embala os eventos mostrados na tela.

No novo ambiente Andrew verá que a disputa será feroz e imperdoável e que a estrada para o sucesso passaria por uma dedicação sobre-humana de sua parte. Encarando o obstáculo com força ele passa a fazer mais que o possível a fim de alcançar a tão exigida perfeição imposta pelo Mestre. Será que isso não irá sobrecarregar o promissor músico? A mensagem de Whiplash é clara e ao mesmo tempo obscura, como uma nota musical que não se consegue alcançar. E essa suspeita que paira no ar dá o toque e harmonia necessários para galgá-lo a um nível especial.

Com uma direção muito acertada, que parece estar sempre no ritmo, vemos entradas, tomadas, planos, aproximações usados sempre com cuidado e apuro poucas vezes vistos, não só pela simples aplicação de tais recursos, mas como são utilizados. Na trama também se tem escolhas acertadas e que, quando parece que vai cair na falta de inspiração consegue surpreender apresentando novas alternativas, não se deixando levar pelo trivial.

No tocante as atuações, temos Miles Teller mostrando sua qualidade num papel intenso e aplicado no qual o ator mostra um valor nunca antes vislumbrado. Já seu suporte, antagonista, Fletcher encara um misto de exigência, frustração e fúria muito bem balanceado por J.k Simmons outro ator também marcado por opções duvidosas e que pouco ajudaram a valorização de seu trabalho.

A vida imita a arte e ainda que Whiplash beire a perfeição é possível notar que poderia ter sido melhor desenvolvido em alguns pontos, como a relação entre professor e aluno, o próprio Fletcher é pouco trabalhado em sua essência, mesmo que isso tenha sido intencional, teria sido melhor se fosse dado mais momentos em que a personagem realmente expusesse o que pensava e não apenas berrar e esbravejar. Ainda assim é bom ver mais um ator encontrando seu espaço e mostrando seu valor ainda que a Academia tenha resistido em conceder-lhe o reconhecimento por seu trabalho excelente com uma indicação, ao menos o filme e seu parceiro estão na luta e provavelmente algumas das indicações deverão consolidar-se como Ator Coadjuvante e Mixagem de Som.

Intensidade da força: 9,0

P.S.: Como dá para perceber escrevi essa resenha antes do dia da premiação. Whiplash levou mesmo os prêmios por Ator coadjuvante e Mixagem de som, levou também por Montagem. 😉

2 opiniões sobre “Whiplash: Em Busca da Perfeição”

    1. Eu também achei o melhor filme dentre os concorrentes, mas, assim como aqui, lá também o filme teve a bilheteria mais baixa da história para um filme que concorreu a oscar de melhor filme.

      A temática não despertou interesse de boa parte das pessoas. Acredito também que os dois atores de frente contribuíram para isso. As premiações podem ajudar a chamar algumas pessoas a assistirem.

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