Boyhood: Da Infância à Juventude

Título Original– Boyhood
Título Nacional- Boyhood: Da Infância à Juventude
Diretor- Richard Linklater
Roteiro– Richard Linklater
Gênero– Drama
Ano– 2014

– Acompanhando o dia a dia…

Quando o diretor Richard Linklater ligou para os componentes do elenco que desejaria contar para o seu ousado projeto ele buscou não refletir muito sobre os obstáculos intransponíveis que podiam aparecer durante o caminho: Alguém desistir, ficar doente, ou até falecer. Tampouco ele tinha pretensões muito amplas sobre a obra. Queria apenas contar como seria o passar do tempo de sua filha e aproveitou para criar com isso um filme, como reflexo ainda lançaria a filha no ramo, bom, a primeira ideia deu certo. Boyhood está sendo um sucesso no geral. A filha, no entanto…

A premissa que envolve a obra é simples. Contar o transcorrer do tempo de uma família, representada pelos pais Olivia (Patricia Arquette) e Mason (Ethan Hawke) e os filhos, Mason Jr. (Ellar Coltrane) e Samantha (Lorelei Linklater). Até aí tudo parece simplório, e de fato é, porém há um recurso nunca antes utilizado. E se esse tempo não fosse fictício e sim real? Se os atores envolvidos realmente envelhecessem durante o decurso de tempo de 12 anos pensado pelo diretor para seu longa? Bom este é Boyhood. Além disso, há pouco a se considerar sobre o filme em si, mas seu grande reflexo está no que representa para o cinema e, por isso concorre e ganha tantos prêmios.

A família protagonista tem a mãe como base, separada ela vai em busca de ampliar os seus horizontes e assim garantir um futuro melhor para todos. Entrar na faculdade seria o trajeto natural para alcançar este objetivo. Lá ela se envolverá com um dos professores e formará uma nova família, tudo isso sempre retratado por breves passagens de tempo em que vemos, inicialmente, leves mudanças dos personagens. A ideia de não usar marcos temporais claros foi muito boa e força o espectador e prestar atenção ao que acontece e assim situar-se entre os cortes vendo as mudanças “reais” nas personagens.

É nessa toada que o filme desenvolve-se, sempre contando como a família e, especialmente Mason Jr. passa pelas mudanças e os novos passos que todos dão a cada nova etapa. Com alguns diálogos inspirados e focados na simplicidade, Boyhood como essência não é uma produção especial, apenas bom, mas sua principal distinção está naquilo que trouxe como novidade para a arte e nisso seu valor é enorme. A indicação do casal de pais parece forçada e demonstra, mais uma vez, como o ano de 2014 não foi lá grande coisa, embora não seja um absurdo vê-los concorrendo.

No final a impressão é positiva, mas esbarra em alguns questionamentos para tentativas futuras. Pode ser que o formato esteja limitado a contar histórias desse tipo e aí sobra muito pouco para ser explorado além do próprio recurso técnico e é sabido que um filme precisa de muito mais que apenas destacar-se num aspecto. A semente, no entanto, foi plantada e se ela irá crescer, à exemplo do filho mais jovem foco da trama, só o tempo dirá.

Intensidade da força: 7,5

2 opiniões sobre “Boyhood: Da Infância à Juventude”

    1. Entendo Márcio. Nesse ponto sou menos suscetível de me deixar levar, mesmo que deixe não consigo por de lado outros aspectos como atuação e, neste caso, o que a história busca passar.

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