Sniper Americano

Título Original- American Sniper
Título Nacional- Sniper Americano
Diretor- Clint Eastwood
Roteiro– Jason Hall/Chris Kyle
Gênero- Biografia/Drama/Guerra
Ano- 2014

– Tiro certeiro…

…Seja nos inimigos que abateu, como no coração daqueles que protegeu. A história do atirador de elite mais famoso e letal da história do exército americano é o tema central do novo filme de Clint Eastwood que está estreando no Brasil nestes tempos. Concorrendo a algumas estatuetas do Oscar 2015, entre elas as cobiçadas de melhor filme, melhor ator e melhor diretor Sniper Americano tenta focar-se no olhar do soldado, suas aflições, seus medos, suas dúvidas. Ainda que muitos possam confundir isso com apologia ao país norte americano, o que está em destaque aqui não é isso.

Criado no Texas, um Estado preso a conceitos conservadores, o jovem Chris Kyle (Bradley Cooper) desde criança já sentia a forte influência dos rigores educacionais trazidos pelo pai e incorporou muito disso em seu jeito de ser, aliando-se a um instinto natural ele cresceu uma pessoa que necessitava estar protegendo alguém. Por um breve período o filme passa pela infância do protagonista e ainda mais rapidamente por parte de sua idade adulta. Até o ponto que ele resolve ingressar no exército, logo após um atentado à embaixada americana no exterior. Sim, ele entra no exército aos 30 anos.

Mais do que buscar seu espaço, ele vai tentar fazer parte dos Fuzileiros Navais, tido e havido como uma das divisões mais respeitadas, admiradas e bem treinadas de toda as forças armadas dos Estados Unidos. Conhecido durante a preparação como “Vovô” ele irá superar os duros treinamentos até ser aceito e neste meio tempo conhecerá e casará com a jovem Taya (Sienna Miller), no entanto a alegria pela união será repentinamente interrompida pelo chamado para atuar na Guerra do Iraque.

Logo de cara ele irá deparar-se com uma situação deveras sensível e cruel, decidir pela execução de uma jovem (vestida de freira) e uma criança. Ambos pareciam portar um morteiro de guerra. Essa cena foi mostrada repetidas vezes nas chamadas de propaganda do longa. Após este primeiro contato com o que uma guerra lhe reservaria o novato rapidamente ganha notoriedade por sua precisão para eliminar os inimigos e, assim, salvar muitos companheiros de emboscadas.

A cada nova convocação, chamada de “tour”, ele começa a sentir os efeitos da chamada “doença da guerra”, mal também tratado no filme Guerra ao Terror só que aqui retratado de maneira muito mais acertada pela equipe técnica responsável, com certeza, muito dessa forma de abordagem deve-se à conhecida sensibilidade de Clint Eastwood para lidar com os problemas humanos e não simples reproduzi-los como um mero teórico tratando de mais uma tese.

Com este toque de humanidade Sniper Americano traz uma história marcante, intensa e trágica de um grande homem que é americano, mas poderia ser de qualquer outra nação. A diferença é que lá seus heróis são valorizados enquanto noutros países, especialmente o nosso, não se tem o maior carinho com tais pessoas, valorizando-se apenas futilidades. Um filme muito bom no geral, merecido de figurar como candidato às premiações que concorre e Bradley Cooper se consolida como um nome a ser visto com mais valor no meio artístico cinematográfico.

Intensidade da força: 8,5

2 opiniões sobre “Sniper Americano”

  1. Eu não concordo no tocante à “doença da guerra”, pra mim ficou muito melhor retratado em “Guerra ao Terror”…

    Dentre os indicados ao Oscar de melhor filme esse foi o que menos gostei, e não tem nada a ver com o lance patriótico ou as questões ‘heróicas’ do sujeito, achei um filme muito morno e clichê.

    1. Partindo do pressuposto de que o filme é sobre o cara. Se ele era do jeito retratado no filme o cara era clichê daí não dá para reclamar disso, pois estaria-se indo de encontro a própria obra.

      Quanto ao lance de Guerra ao Terror é uma questão de perspectiva também. Neste filme a forma de abordagem é teórica demais ignora muito as questões pessoais envolvidas, dando uma noção parcial do problema. Usar como desculpa a forma de abordagem do problema para se valer disso não é uma desculpa que pode ser usada neste caso, pois simplesmente foge do que a realidade demonstra.

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