Selma

Título Original- Selma
Título Nacional- Selma: Uma Luta Pela Igualdade
Diretor- Ava DuVernay
Roteiro– Paul Webbg
Gênero– Biografia/Drama
Ano– 2014

– Marcha pela igualdade…

Um dos ícones na luta pelos direitos dos negros nos EUA e, porque não, no mundo, Martin Luther King (David Oyelowo) é o centro das atenções neste longa que busca retratar um dos momentos mais decisivos no embate em busca da afirmação plena do exercício da cidadania, o direito ao voto. O filme se foca bastante nos bastidores e nas dificuldades para articular politicamente a efetivação dessa garantia já assegurada por lei federal naqueles tempos.

Em meio ao impasse estabelecido entre o presidente americano Little Johnson (Tom Wilkinson) e Martin, este último resolve assumir uma postura mais firme com relação ao imediatismo para o atendimento do pleito da comunidade afrodescendente nos EUA. Naquele tempo, os negros já tinham alcançado alguns direitos, mas ainda faltava a efetivação dos mesmos, um dos mais importantes era o exercício do voto. Os responsáveis pelo registro impunham condições absurdas para o cadastro dos negros, barrando a possibilidade da classe usufruir desse poder.

Ao perceber que sem poder fazer uso dessa faculdade os negros jamais ascenderiam dentro da sociedade americana, Luther King assume a bandeira por esta luta incentivando protestos, ainda que pacíficos, representados por marchas em diversos lugares ao redor do país. Isso incomodava e pressionava os políticos, mas não o suficiente para fazê-los agir concretamente e o maior exemplo disso estava estampado na figura do Presidente norte americano. Ele estava numa encruzilhada, com a proximidade de um novo pleito eleitoral, o mesmo se via de mãos atadas a fim de adotar medida que acelerassem o processo pelo qual os negros reivindicavam.

Em meio a toda esta convulsão sócio política o Dr. King tinha terminado de ganhar o prêmio Nobel da Paz e gozava de um status considerável e este era mais um fator que mexia na situação de conforto da classe política daquele período. Selma será a cidade em que será demarcado o momento crítico dessa luta, ponto decisivo e de maior tensão, ameaçando forçar os detentores do poder a tomarem medidas radicais a fim de assegurar o conforto de suas posições.

Com uma proposta mais sóbria, Selma não se deixa levar demais pela emoção nem faz uso desse artifício no intuito de alavancar a conexão com o público, mas em meio a todas as explicações e reflexões humanas e políticas falta um pouco de pessoalidade na obra de Ava Duvernay que se concentrou demais em apenas um aspecto da obra, esquecendo-se ou minimizando a importância desse outro lado. Ainda assim se trata de um bom filme, rico no aspecto histórico e cultural, pois tais acontecimentos podem ser expandidos para todas as sociedades do mundo praticamente. Não alcança a maestria de Doze Anos de Escravidão, mas cumpre bem seu papel.

Intensidade da força: 7,5

2 opiniões sobre “Selma”

  1. Bem dito, não é realmente tão bom quanto 12 Anos mas isso não tira a sua importância histórica e cultural, e nem o desmerece.

    Esse impasse do presidente americano da época retratado no filme deixou muita gente chateada hehehehe.

    1. Acho que deixou chateado mais aqueles que simpatizaram com o referido presidente do que outra coisa mesmo. Como não li muito sobre ele não sei dizer até onde a indignação é válida ou não.

      O que posso afirmar é que na história americana é comum excelentes presidentes só serem reconhecidos depois que saem do poder. Isso aconteceu com Abraham Licoln no passado, o mesmo repetiu-se com Bill Clinton e aflige Barack Obama atualmente.

      O povo lá se deixa levar demais pelo momento e só consegue ver friamente as conquistas e resultados depois que o líder sai do cargo. Melhor assim, visto que, aqui, já é feito o contrário, ninguém do passado prestou só o atual, nem sei como o Brasil conseguiu existir até hoje. -_-

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