O Jogo da Imitação

Título Original- The Imitation Game
Título Nacional- O Jogo da Imitação
Diretor– Morten Tyldum
Roteiro- Andrew Hodges/Graham Moore
Gênero– Drama/Biografia
Ano- 2014

– Guerra da vida…

Um dos longas mais importantes concorrendo nas premiações deste ano, O Jogo da Imitação traz Benedict Cumberbatch (Allan Turing) protagonizando a história vivida por um dos maiores nomes da história contemporânea, cujo valor e descoberta só foram trazidos à tona há pouco tempo. Responsável pela criação do embrião dos computadores atuais, o matemático inglês foi o cérebro responsável por ajudar a frente aliada a minimizar as perdas durante a guerra, abrindo espaço para a vitória sobre os alemães e sua tecnologia de comunicações, baseada na máquina Enigma.

O filme se passa em dois momentos dentro do foco determinado pela trama. Um é o passado, o qual mostra Turing e sua luta para conceber a máquina responsável por quebrar o código alemão e logo depois a melhor forma de realizar este objetivo, visto que, num primeiro momento o tempo necessário para ela decodificar não atendia a necessidade do exército aliado. No outro corte temporal volta-se ao que seria o presente, após a guerra, quando todos os envolvidos lutavam para retomarem suas vidas em que o protagonista sentia-se ainda mais perdido.

Ao chegar a Blechleys Park Turing já sabia o que fazer; usar o pretexto de decifrar o código das mensagens alemãs a fim de poder conceber a máquina que mudaria o mundo como conhecemos hoje. O valor era enorme naqueles tempos, 100 mil libras, e só num período como aquele a verba poderia ser destinada sem maiores exigências ou explicações, mas o temperamento difícil do matemático dificultava as coisas. É aí que a personagem Joan Clarke (Keira Knightley) fará com que ele entenda a necessidade de ter as pessoas ao seu lado e assim conseguir produzir o invento.

A história da personagem é muito maior do que simplesmente contar toda a dificuldade envolvida para construir a máquina. A pessoa Alan Turing era tão intrincada como um computador, cheio de nuances, mistérios e incompreensões que enriquecem ainda mais a obra em destaque. Ver sua luta para relacionar-se com as pessoas, a dificuldade dos outros em entender e mesmo tolerar suas excentricidades, o preconceito e a pressa em fazer um julgamento são elementos que tornam O Jogo da Imitação um dos filmes mais ricos e prazerosos dessa safra que está concorrendo a premiações.

Com uma direção apurada, que sabe balancear o que destacar e como apresentar a personagem, um roteiro bem pensado que consegue trabalhar todos os aspectos sem perder a mão e, sim, o principal, uma atuação excepcional de um ator que já mostra seu valor há algum tempo e deverá ser o vencedor do Oscar 2015. Benedict Cumberbatch consegue o difícil equilíbrio de transitar entre as inúmeras faces do protagonista e ainda forjar um ser humano incrível em todas as suas características sem que isso faça a pessoa pender para nenhum lado. Uma obra imperdível para quem gosta do que é bom, antes de tudo, mas principalmente para aqueles que sabem valorizar o passado e mais que isso as pessoas.

Intensidade da força: 9,0

2 opiniões sobre “O Jogo da Imitação”

    1. É normal vermos certos trejeitos simplesmente “grudarem” nos atores naqueles personagens que o mesmo se envolve mais ou por mais tempo. Como não acompanho a série não pude perceber tais características por você já conhecidas Márcio, mas ele já demonstrou por diversas sua impressionante versatilidade. É um ator completo e capaz de desempenhar de maneira muito convincente aquilo que se propõe.

      Apesar de tê-lo colocado como possível vencedor do Oscar 2015 no tempo em que fiz esta resenha, vejo hoje que tal possibilidade de afigura como impossível, haja vista a atuação soberba de Redmayne e seu Sthepen Hawking.

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