O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Título Original- The Hobbit: The Battle of the Five Armies
Título Nacional– O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Diretor- Peter Jackson
Roteiro– Fran Walsh/Philippa Boyens
Gênero– Aventura/Fantasia
Ano– 2014

– Batalha dos exageros…

É o que se pode resumir da última parte da viagem do precursor da saga O Senhor dos Anéis. Aqui Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) finalmente irá enfrentar seus maiores desafios e alcançará os maiores níveis em sua evolução como personagem. Os anões também terão sua maior e mais séria participação, deixando de lado um pouco do aspecto bobo que marca sua presença nas aventuras até então. O longa não foge ao que foi todos os demais, sendo uma saga que busca fazer uma ponte entre o antecessor cronológico, mas que se passa num momento adiante na história. Nessa tentativa, entretanto, há muitas descaracterizações e isso prejudica demais todo o lado humano da fonte em que se inspira, resumindo demais a representatividade dos personagens em si.

Logo após o Dragão Smaug sair de Erebor e seguir para a cidade do Lago todos estão apavorados com o que estaria por vir. Os anões que ficaram na montanha preocupam-se com o destino da vila e a população teme concretamente pelo que possa acontecer num ataque da fera. Implacável, poderoso e cruel Smaug começa sua investida impiedosa contra os indefesos residentes. Ao perceberem o perigo que se aproxima todos tentam livrar-se como podem, os anões que ficaram juntamente com Tauriel (Evangeline Lilly) e Bard (Luke Evans) que nada pode fazer contra a ameaça, pois encontra-se preso. O chefe da cidade tenta salvar sua vida, juntamente com o dinheiro acumulado e tudo parecia estar perdido.

Numa jogada inesperada, das muitas que irão aparecer durante o filme, Bard irá enrolar uma corda (que misteriosamente aparece na sua cela) e a lançará no barco do governante fujão e ao mesmo tempo conseguirá livrar-se das grades que o aprisionam. Imediatamente ele correrá até a torre para buscar uma forma de parar o poderoso dragão, mas rapidamente ele percebe ser impotente contra a força do inimigo. É aí que o seu filho, convenientemente se materializará na mesma torre com uma espécie de arpão que virá a ser a arma capaz de atingir a pequena brecha na couraça da besta. Numa sucessão de situações forçadas e desnecessárias, com o intuito de causar tensão e expectativa em quem assiste, o Humano irá sobrepujar a ameaça.

De volta à montanha vemos que Thorin (Richard Armitage) está começando a ser acometido pela doença do ouro, problema clássico dos anões na mitologia de Tolkien. Ele está enfeitiçado pelas riquezas e possibilidade de restaurar a glória perdida de sua linhagem, a mais famosa e respeitada entre sua raça. Bilbo percebe a mudança no companheiro de viagem e se assusta, ficando ainda mais em dúvida de como agir frente àquela situação. Acreditando ser o melhor para todos, resolve levar a pedra Arken e oferecê-la para os humanos e elfos, que agora também estão interessados em parte do tesouro. Ao saber da traição do hobbit, Thorin fica incontrolável e o que poderia ser uma solução piora ainda mais a situação, liderando para o embate que sugere o título da obra.

Enquanto isso Gandalf (Ian McKellen) está preso em Dol Guldur e teme por sua vida, mas a chegada de Galadriel (Cate Blanchett) e, logo depois, Saruman (Christopher Lee) e Elrond (Hugo Weaving) irão por fim ao perigo e ameaça que rondava o local. Um dos poucos momentos adicionados à peça original que não foi totalmente deturpado, ainda que não seja como foi apresentado, mas dentro do espaço possível para a criatividade e como foi recriado não dá para considerar que nesse ponto o trabalho deixou a desejar. O mais preocupante estava por vir. A famigerada batalha, praticamente não relatada no livro ou em qualquer outra passagem da história da Terra Média criada por Tolkien, ganha uma importância e escala incompatíveis com a realidade daquele universo.

Este último trecho da produção também é mais extenso e seu desenrolar, pela maneira como foi pensado, liderou a um cansaço e vontade de que terminasse logo. Muitas redenções esperadas, muitos mártires nascidos e um Legolas (Orlando Bloom) ainda mais surreal (contrastando com sua apatia expressiva) é trazido ao público com o único intuito não de fazer uma batalha épica, mas para atender os anseios e devaneios dos espectadores, resultando num trabalho vazio e sem importância substancial para o desenvolvimento dos personagens.

O maior pecado de O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos é justamente esse; os personagens. Eles não são trabalhados coerentemente é tudo muito conduzido artificialmente, usando recursos banais e triviais para tanto, como arrependimento, reconhecimento, mas sem a lógica necessária e presente na obra original. Uma pena, pois a maior realização vista no livro é justamente o crescimento de Bilbo, aqui isso é substituído por um foco demasiado em Thorin, ainda assim pessimamente desenvolvido, com uma espécie de reflexão turvada que o lidera para a luz de que não podia se deixar vencer pela doença do ouro (para com isso!). Nem na infantil obra literária Tolkien se faz uso de artifício tão bobo e sem valor como este.

É por tudo isso que o último terminou sendo o mais fraco de todos, não teve Smaug para salvar, como o anterior, não teve os verdadeiros momentos de aventura e foco na trama como o primeiro, restando apenas sobras que foram muito mal aproveitadas no final das contas. Visualmente continua muito competente, o HFR é algo espetacular e precisa ser mais usado, embora ele traga como risco a dificuldade de lidar com o quão convincente os efeitos podem ser, visto que a tecnologia denuncia as imperfeições de tais recursos visuais de maneira mais evidente. Não é um filme ruim, mas fecha em baixa essa nova e controversa trilogia.

Intensidade da força: 6,5

2 opiniões sobre “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”

    1. Era de se esperar que caminhasse para esse desfecho tendo em vista como as coisas foram sendo apresentadas ao longo dessa trilogia, mas a coisa descambou bastante, muito mais do que o esperado. Diverte, mas longe da inspiração lembrada com Sr.° dos Anéis, por exemplo.

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