O Abutre

Título Original- Nightcrawler
Título Nacional- O Abutre
Diretor- Dan Gilroy
Roteiro– Dan Gilroy
Gênero– Drama/Policial
Ano– 2014

– Escalando sobre os outros…

Essa foi a maneira encontrada por Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) ascender na vida. Sempre se aproveitando dos desprevenidos ele vivia de pequenos golpes e furtos até que encontra o seu eldorado; as notícias dos infortúnios alheios nas madrugadas. Com um aspecto mais intimista, sem perder-se em seu próprio mundo O Abutre consegue aliar muitas vertentes em uma única obra e aborda tudo sem rodeios, assim como a vida costuma nos ensinar.

Cansado de não ascender Loius queria mais, mas ainda não sabia como fazer. Aparentemente sem nenhum preparo acadêmico apropriado ele apenas preocupava-se em garantir a mantença mínima e, sem conseguir inspirar confiança em ninguém, as chances para algo mais formal e estável nunca surgiam. Então, por acaso, ele vê um acidente no qual o repórter está filmando tudo aquilo, curioso se informa e descobre ser possível ganhar dinheiro com aquilo. Imediatamente amealha os poucos tostões e parte para a caça das imagens que poderiam trazer a tão desejada estabilidade financeira e social que almejava.

Louis não era um cara normal. Seu modo de falar, sua atitude, tudo nele já inspirava desconfiança, ainda assim a também um tanto desequilibrada Nina Romina (Rene Russo) irá dar a brecha necessária para ele aproximar-se e conseguir o que deseja. Nesse meio tempo ele aprende o riscado, como fazer, o que é necessário e à medida que cresce na atividade irá deslocar todos os obstáculos que surgirem custe o que custar.

O Abutre é um daqueles títulos típicos de premiações. Conta com um alto nível de metalinguagem, tudo nele tem um propósito, um gesto, uma tomada. É para ser visto com atenção a fim de valorizar-se devidamente, mesmo assim é possível encontrar espaço para diversão ampla com o jeito insano do protagonista e todas as suas artimanhas a fim de alcançar seus objetivos. Com uma direção e roteiros enxutos mostra ser possível contar muito sem necessariamente investir um enorme tempo. A crítica à imprensa e sua busca incessante pela audiência está lá, o desequilíbrio da sociedade que dá oportunidade a pessoas doentes mentais conviverem entre nós como se nada acontecesse e valoriza hábitos e valores distorcidos.

No plano da atuação Jake Gyllenhaal está ótimo, conseguindo aliar muito os aspectos de um ser humano psicologicamente doente e a invisibilidade que tais pessoas conseguem passar aos mais desatentos. Um filme que deverá ser visto por poucos, mas nem por isso perderá seu ótimo valor. Uma das grandes obras no estilo para abrir a temporada dos nomes que deverão figurar nas principais premiações do ano.

Intensidade da força: 8,5

4 opiniões sobre “O Abutre”

  1. Eu achei um dos melhores filmes ai desse fim de ano, foi bom assistí-lo principalmente depois daquele “Robert” hehehe

    Será que foi mesmo um filme pensado para “premiações” ou as coisas vão acontecer naturalmente? Não sei.

    Acredito que pelo menos algumas indicações à atuação de Gyllenhaal devam surgir.

    1. Às vezes colocar a alcunha de “filme de festival” pode guiar a um pensamento errado a respeito da obra, desmerecendo o que ela realmente é. Eu penso que este é um desses casos, não acho que o fato dele ter tal formato tenha sido algo pensado com o intuito de se ganhar premiações, mas porque o que pensaram para o filme funcionar melhor com tais mecânicas. Não vi, nesse caso, como algo forçado.

      É natural e funciona em harmonia.

  2. Olá Bruno! Muito bom ter você participando outra vez! Que bom o filme ter agradado você também, realmente é uma obra bastante interessante!

    Até a próxima!

Deixe seu comentário