Interestelar

Título Original– Interestellar
Título Nacional- Interestelar
Diretor– Christopher Nolan
Roteiro– Jonathan Nolan/Christopher Nolan
Gênero– Ficção/Drama
Ano– 2014

 

– Entre viagens…

…Temporais, interespaciais, filosóficas, sentimentais. Assim está ancorado o novo, polêmico e aguardado filme de Christopher Nolan, diretor por trás da nova trilogia Batman e de A Origem, entre outros. Aqui ele lidera a expedição que carregará as últimas esperanças de uma Terra afligida por uma grave crise alimentícia, causada por uma praga que afeta a composição do ar do planeta além de outros distúrbios. Sob a liderança de Matthew McConaughey (Cooper) o filme tentará contar (em suas quase 3 horas de duração) como será essa viagem e o Power Cinema tenta passar para o leitor o que esperar dessa interessante produção.

O engenheiro e ex-piloto espacial Cooper vive com sua família, composta pelo sogro, Donald (John Lithgow), e seus dois filhos, Tom (Timothée Chalamet) e a adorável e sagaz, Murph (Mackenzie Foy). Apesar da situação geral do planeta eles vivem em harmonia e por que não dizer, felizes. A filha e o pai tem um relacionamento que transcende o simples vínculo de parentesco e evoluí para uma cumplicidade, amizade e amor muito profundos que ligam os dois. Por isso, quando o seu pai resolve aceitar o convite da NASA para ir numa expedição espacial ela fica arrasada e não o perdoa por muito tempo.

A NASA naquele período não era mais a sombra de outrora, atuava na clandestinidade, por medo de que a população rejeitasse o investimento de recursos em outras coisas que não fosse a salvação da própria Terra. A questão é que, aparentemente a nossa casa estava condenada e a solução estaria em buscar um novo lar. Quando Cooper chega à base de operações deles, coincidentemente localizada muito próxima da casa do protagonista, eles de pronto fazem de tudo para evitar sua partida e usam de todos os argumentos possíveis para convencê-lo de que não havia outra chance, a não ser a empreitada espacial.

Deixando a família para trás, o engenheiro e agora piloto espacial parte na expedição que pode determinar os rumos de toda a espécie. Com ele estão: Drª Brand (Anne Hathaway), Doyle (Wes Bentley) e Romilly (David Gyasi). Este é o grupo responsável por carregar toda a esperança, muito embora quase ninguém aqui saiba o que está acontecendo. Durante a viagem espacial tudo acontece dentro da normalidade, as coisas começaram a complicar-se quando eles atravessam o buraco de minhoca (atalho entre dois pontos no espaço-tempo) e alcançam a galáxia que poderia esconder a possibilidade de existir um planeta habitável. A partir daí os percalços acontecerão e muitas limitações e desafios irão se interpor aos intrépidos exploradores.

É a partir dessa parte também que o longa começa a padecer dos males que irão atrapalhar e comprometer um pouco o desempenho simplesmente fenomenal que vinha sendo desenvolvido até então. Pode-se até pontuar o momento do presságio dos erros que estavam por vir quando a personagem interpretada por Anne Hathaway despeja um discurso pseudo reflexivo, emocional sobre a razão de acreditar no amor. Naquele momento disse: “Por favor, não siga esse caminho”. Porém, não foi assim que as coisas discorreram, não que o filme de repente passou a virar um drama amoroso ou algo semelhante, mas os rumos começaram a dar uma rotacionada de um caminho muito sóbrio, criativo, ousado, para algo comum e incoerente. Após isso temos a chegada da personagem vivida por Matt Damon (Dr. Mann) e mais obstáculos irão interpor-se à expedição.

Como todo filme de Nolan, a exceção da trilogia Batman, ele gosta do que se chama “plot twist” (virada abrupta) e em Interstellar não é diferente. O caminho trilhado inicialmente vai sendo desviado para algo que vai distanciando-se do melhor rumo e culmina com uma solução bastante questionável se realmente foi para melhor. Nossa opinião é de que não foi. Isso, entretanto, não é algo que faça o filme deixar de ser muito bom, mas contribui de maneira importante no balanço final, negativamente. Some-se a isso o fato de alguns personagens terem sido pouco desenvolvidos, como Doyle e Romilly, e até a própria Drª Brand é pouco trabalhada. O filme é muito centrado na personagem de Cooper e depois em sua filha Murph, que cresce para ser vivida por Jessica Chastain, assim como seu filho por Casey Affleck.

Como diretor, Nolan entrega uma obra estável, existem momentos ok, como algumas tomadas espaciais que ficaram com um tratamento um tanto artificial demais. A insistência em mostrar a nave, em que se passa boa parte das viagens espaciais, de um plano inclinado superior incomoda pelo uso excessivo, as entradas de som por vezes seriam dispensáveis, sendo melhor o silêncio. Claro que isso são pontos que estão mais numa percepção subjetiva e um diretor da importância e qualidade Christopher Nolan deve saber melhor que ninguém o que é melhor para seus trabalhos, mas acredito que às vezes escolhemos pensado ser o melhor, mas erramos na opção e acho que Interestellar ressente-se disso em alguns momentos.

Intensidade da força: 8,5

2 opiniões sobre “Interestelar”

  1. Boa nota e boa crítica Bill.

    Realmente é uma pena que o filme vá pelo caminho do ‘Power of Love’ em exagero e se distancie um pouco de ser uma obra perfeita, mesmo assim concordamos que é mais uma grande produção do nosso Nolan.

    Me incomodou mesmo apenas o final, o restante mesmo com seus problemas dá para relevar porque o filme tem grandes momentos.,

    1. Isso mesmo Márcio. Se não tivesse tido o grande equívoco de escolha na terça parte os demais problemas não teriam impacto para retirar pontos do longa, pois ficariam perdidos numa maré de qualidade irrepreensível.

      Abraços.

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