Lucy

Título Original– Lucy
Título Nacional– Lucy
Diretor-  Luc Besson
Roteiro–  Luc Besson
Gênero– Ação/Ficção
Ano– 2014

– O poder da mente…

Até onde nosso cérebro pode ir caso usássemos mais de sua potencialidade? Será que estaríamos prontos para lidar com esta realidade? Dentro dessas premissas é que se funda o filme estrelado por Scarlett Johansson (Lucy) que conta com a direção do controverso, mas divertido Luc Besson. O filme coleciona bons números de bilheteria, especialmente para uma obra encabeçada por uma protagonista feminina e de origem europeia, mais precisamente francesa. Misturando elementos de ficção e ação, a obra consegue entreter e manter um bom ritmo durante todo o desenvolvimento.

Lucy é uma jovem comum tentando a vida no Oriente, em Taipei, lá ela conhece o exótico Richard (Pilou Asbæk) que está querendo convencê-la a entregar uma maleta num hotel da cidade. Ela recusa inúmeras vezes, mas no final, aproveitando-se de uma distração ele prende a maleta em Lucy, forçando-a a realizar a tarefa. Assustada com toda a situação, mas impotente, ela segue para um caminho que resultará numa reviravolta inesperada e surreal em sua vida inexpressiva.

Assim que tenta entregar a encomenda Lucy é capturada por um impiedoso mafioso local, Mr. Jang (Min-sik Choi). Ele irá forçar a jovem a seguir como mula para um país da Europa com um pacote de uma nova droga experimental sem nome comercial ainda, conhecida apenas como CPH4. Antes de mesmo de embarcar alguns capatazes do chefe tentam aproveitar-se da garota, que os rejeita e é punida com vários chutes no estômago, recém-operado para a inserção da droga. O pacote rompe-se dentro do corpo de Lucy, provocando uma reação inesperada que despertará capacidades até então desconhecidas e incontroláveis.

A partir de então a protagonista irá iniciar uma saga em que além de se vingar, tentará preservar sua vida, saber o que está acontecendo com seu corpo e os limites desse novo poder que nela desenvolve-se. Com um roteiro simples, direto e objetivo, Lucy não é focado em grandes efeitos especiais ou cenas pirotécnicas, mas no minimalismo. Mesmo sendo um filme de ação Besson consegue não deixar a onda de efeitos propagar-se de maneira incontrolável, diferentemente da protagonista que ele criou.

Não há como negar certa originalidade da história criada e o método de abordagem também é muito divertido, garantindo um filme agradável de ver. A duração curta colabora para a boa impressão, pois não existe enrolação. O ponto fraco fica por conta do vazio dos personagens criados, marca de Luc Besson em muitos filmes que coordena. Até mesmo a protagonista não é desenvolvida. É apenas jogada na tela, tem uma conversa para lá de desconexa com a mãe, numa tentativa (ou não) de criar uma base emocional para a mesma. O vilão, Mr. Jang, também não tem nada de interessante, além de ser o alvo da vingança de sua cativa no começo da trama.

No geral é uma obra boa de ser vista, mas não consegue estabelecer-se num patamar mais alto pelas próprias premissas que a concebe. Scarlett está muito bem no papel, especialmente no começo, quando faz o papel de garota assustada, depois é legal ver a mudança da personagem e seu crescente afastamento da humanidade à medida que os poderes crescem. Com alguns momentos sem sentido, como a cena final, buscando dar uma substância que necessitaria de mais substrato, Lucy é uma produção curiosa e até intrigante que provavelmente será elevado a categoria Cult com o passar do tempo. Vale a pena conferir.

Intensidade da força: 8,0