As Tartarugas Ninja

Título Original- Teenage Mutant Ninja Turtles
Título Nacional– As Tartarugas Ninja
Diretor– Jonathan Liebesman
Roteiro– Josh Appelbaum/André Nemec
Gênero- Ação/Aventura/Comédia
Ano- 2014

– Não foi dessa vez, de novo…

Outra tentativa de se realizar um filme das Tartarugas, outra oportunidade desperdiçada. Dessa vez a bola da vez foi dada a Jonathan Liebesman com Megan Fox (April O’Neil) para interpretar a jornalista amiga dos répteis mutantes mais curiosos do universo dos quadrinhos. Porém, a insistência em se afastar da obra original, com tom escuro e adulto sempre resulta em filmes descartáveis e essa nova edição não foge a esta triste regra. Mesmo com a tecnologia mais atualizada e permitindo um retrato mais apurado do material de apoio, a execução continua mal realizada.

Valendo-se de muitas alterações frente à história original ou dos videogames, o filme se apoia num ponto de partida engraçado (versão mais ligada aos jogos), porém se afasta de todo o resto, tentando construir suas próprias bases para o novo formato de mídia. O problema é que, mais uma vez, nessa incessante busca por agradar um público amplo o longa não consegue criar boas bases e fica totalmente limitado. As personagens são meras caricaturas dos originais, sem personalidade ou traços das mesmas. Todos são meras representações fictícias de adolescentes atuais e seus estereótipos; o nerd (Donatello), o bonzinho e certinho (Leonardo), o ranzinza (Rafael) e o abobalhado (Michelangelo). Se a representação ainda conseguisse seguir uma linha coesa poderia sair algo interessante, mas não é isso que acontece.

Na outra ponta temos a completa descaracterização dos humanos, com uma April O’Neil completamente desinteressante e sem encaixe na história mal pensada. Acharam que resolveriam este problema dando a ela uma ligação com a crise que envolverá os protagonistas, mas nem mesmo assim sua participação convence. A atuação de Megan (que já não é valorizada por este aspecto) tem momentos de puro constrangimento em que se nota a falta de recursos da atriz. Quando ela tenta parecer assustada ou interessada pelos acontecimentos sua representação não passa seriedade ou convencimento, dando a clara sensação que nem ela acredita naquilo que está fazendo.

Poucas coisas se salvam nesta imaginação dos heróis. Nada de Crang, Bebop ou Rocksteady, apenas um Destruidor (Tohoru Masamune) para lá de descaracterizado é apresentado e a rivalidade com Splinter (mestre das tartarugas) não existe ou perde completamente o propósito. Não existe elo entre os personagens de maneira convincente, então a razão pela qual a April se envolve com as tartarugas é muito mal empregada, resultando numa impressão superficial que se estende para todo o resto.

A cena da perseguição da neve é o ponto alto do filme e parece que todos os recursos foram empregados para realizá-la, depois e antes dali pouca coisa merece alguma menção positiva nesta obra. Uma pena que mais uma vez este ótimo material tenha conhecido um trabalho tão mal realizado e não consiga fazer jus ao que poderia ser realmente extraído. Está rendendo uns trocados para Michael Bay (produtor) e para a Paramount, mas não deve despertar qualquer interesse numa sequência (torço) e ficará mais outro período na obscuridade até resolverem revivê-lo. Entretanto, a expectativa é que numa próxima oportunidade aprendam com os erros passados e resolvam fazer algo que valha a pena.

Intensidade da força: 4,0

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