Planeta dos Macacos: O Confronto

Título Original- Dawn of the Planet of the Apes
Título Nacional- Planeta dos Macacos: O Confronto
Diretor- Matt Reeves
Roteiro- Mark Bomback/Rick Jaffa
Gênero- Ficção/Drama/Ação
Ano– 2014

– Nascimento do Confronto…  

Usando um pouco da estranha tradução para nossa língua é possível traçar uma linha de aproximação entre o nome original e o que foi adotado para o português. A continuação da nova franquia baseada no universo em que os macacos dominam finalmente conheceu sua sequência e como ficou bom! Superando o primeiro em todos os aspectos. Até mesmo a ausência de James Franco não foi tão sentida, pois com o maior destaque dado a Caesar (Andy Serkis) foi melhor não ter alguém com um grande nome para rivalizar e precisar monopolizar a atenção. Para isso o bom, mas discreto Jason Clarke (Malcolm) faz às vezes do humano que terá uma aproximação com o líder dos símios inteligentes.

Muitos anos se passaram desde o final do primeiro longa. O mundo entrou em colapso com uma doença avassaladora e uma guerra civil por causa disso. Durante este período os macacos fugidos da história inicial mantiveram-se escondidos nas florestas, sem incomodarem ou serem incomodados. Isto permitiu que os primeiros passos para uma sociedade organizada fossem dados, com Caesar na liderança e uma espécie de subcomando composto por Koba (Toby Kebbell), Maurice (Karin Konoval) e Rocket (Terry Notary). Eles criaram uma estrutura de regras simples, mas que eram exaustivamente pregadas a fim de possibilitar ideais pacíficos entre o conjunto.

Porém, depois de todo aquele tempo, alguns humanos haviam conseguido reunir-se nos resquícios da cidade de São Francisco, às margens da floresta em que os macacos viviam. Agora eles já estavam em grande número e passavam pelo primeiro grande desafio de sua escalada para a reconstrução; encontrar uma fonte de energia que possibilitasse o contato com o mundo exterior e reestabelecimento de funções mais avançadas, impossíveis sem o uso de alguma fonte energética. Para isso era necessário entrar na floresta e reativar a represa que produziria a eletricidade tão desejada. Não imaginavam que o grupo de primatas lá residentes não era como nada antes presenciado e somente Malcom busca a solução pacífica para o impasse estabelecido.

Todavia, a resistência para uma ação conjunta entre os grupos não era vista com bons olhos somente pelos humanos, mas por alguns macacos também, especialmente Koba. Aproveitando-se de algumas atitudes estúpidas dos humanos e seu ódio já estabelecido pelo passado de experiências cruéis feitas pelos homens, Koba se afunda mais e mais na intolerância e passa a conspirar contra Caesar, dando início ao choque entre as espécies. Nessa realidade caótica o filho de Caesar (Olhos Azuis) tenta lidar com todas as mudanças e assimilar uma situação completamente improvável e rejeitável para ele num primeiro momento: Acreditar que seus iguais poderiam ser inimigos a depender da circunstância. O maior drama trazido no longa é justamente este.

Com atuações muito sólidas no geral, em especial de Caesar (será possível Andy Serkis ser indicado ao Oscar? Merecia.) o novo Planeta dos Macacos é um filme muito rico e especial, com excelentes propostas e debates levantados sobre a natureza não só humana, mas da própria racionalidade, as implicações que isso sempre trará e a dura realidade inescapável de que é impossível uma sociedade sem crises ou maçãs podres, por mais que se tente isso. O fato de Koba ter um passado triste não o coloca neste panorama, mas Olhos Azuis é síntese dessa crise, pois mesmo crescendo num ambiente que pregava a paz ele é extremamente desconfiado, sendo a semente para o conhecido preconceito que se cansa de ver em nossa sociedade.

Os efeitos visuais ainda continuam de ponta e agora ainda mais abrangentes, todos os macacos importantes são capturados por atores reais, mas não há dúvidas que o trabalho de Andy é o mais destacado, até mesmo pelo maior foco. As expressões e reações impressionam e não escondem ou desmerecem a atuação desse grande nome que também devia ter seu valor mais reconhecido entre os pares e ao menos uma indicação ajudaria neste sentido. Matt Reeves dirige com a sensibilidade e inteligência necessárias não deixando que as coisas descambem em nenhum momento para a banalização, mantendo a experiência sempre enriquecedora. Pouco pode ser mencionado como passível de melhoria, talvez o conflito entre Caesar e Olhos Azuis canse um pouco em certos momentos, a fúria de Koba pode incomodar aqueles mais exigentes por seguir uma tônica mais clássica do vilanismo das obras hollywoodianas, mas o fato é que se trata de um dos grandes filmes do ano e agora é aguardar para a distante sequência com a confiança ainda mais fortalecida de que será simplesmente épico.

Intensidade da força: 9,5

2 opiniões sobre “Planeta dos Macacos: O Confronto”

  1. Gostei muito também do filme, em especial da parte técnica. A gente acaba só falando do Andy Serkis e ele é realmente o destaque, mas os demais que fizeram a captura dos movimentos também o fizeram muito bem.

    Só não curte tanto assim a parte da guerra e aquela onda de revisitar o antigo lar “sem querer” e tal

    Mas nada que diminuísse tanto assim o filme que é sim um dos maiores blockbusters deste ano

    1. Pois é Márcio o filme é muito competente e merece as boas avaliações recebidas. Consegue melhorar o primeiro em muitos pontos e soma novos valores com a mesma qualidade. Eu pensei que a cena de revisitar o lar fosse ter mais relevância, mas não ficou de todo ruim também não.

      Abraços!

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