O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

Título Original- The Amazing Spider-Man 2
Título Nacional- O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro
Diretor- Marc Webb
Roteiro- Alex Kurtzman/Roberto Orci
Gênero– Ação/Ficção/Aventura
Ano- 2014

– Teia confusa…

A sequência do reboot do Homem Aranha está em exibição nos cinemas pelo mundo, inclusive Brasil. O universo tratado inspira-se na versão Ultimate dos quadrinhos, então é natural algumas diferenças para a história tradicional do herói. Esta visão do mundo do Aranha sofre de má impressão entre os leitores dos quadrinhos, que geralmente não gostam das modificações inseridas, por tirarem os aspectos mais interessantes da história original em detrimento de opções de menor conteúdo e que pouco somam à criação de uma personagem rica em seus sentimentos e comportamentos.

O Peter Parker (Andrew Garfield) mais atual continua suas aventuras do ponto em que parou o longa anterior. A luta para conciliar a vida de super herói com a de um jovem comum continua, mas é visível sua preferência em viver mais tempo como Homem Aranha. Aqui ele incorpora mais fielmente o traço típico esquecido na primeira trilogia, as piadas, Peter tem essa característica, independentemente do universo em que se insira. Porém, param nisso as semelhanças com o original dos quadrinhos. O jeito atrapalhado e introvertido é substituído por uma pessoa confiante e até extrovertida, deixando de lado o drama vivido pelas duas personas que habitam o mesmo corpo, ou seja, mais um ponto de esvaziamento dessa nova versão.

Um erro importante foi o de colocar mais de um vilão para desenvolver ao mesmo tempo, um deles é preterido e a construção fica corrida dando a sensação de pouca importância para o que o levou até aquele caminho. A escolha de ir diretamente para Harry Osborn (Dane DeHaan) evidencia este problema. Os momentos de romance com Gwen Stacy (Emma Stone) não tem impacto na construção da trama ou no desenvolvimento da personagem. Ele parece já saber lidar com tudo e quando um problema surge a solução é prática e simples, caindo no mesmo buraco da falta de importância dos eventos para delinear o escopo da obra.

Na parte dos efeitos especiais, que pareciam grandiosos e atraentes nos trailers, o filme também deixa a desejar muito. A cena da luta na usina dói de tão computadorizada e pobre em ambientação. Além da opção de ambiente escuro para baratear a criação, a repetição das torres elétricas reforça ainda mais a má impressão na criação do cenário. Ponto positivo para o uso da teia de maneira inteligente, aspecto muito negligenciado na trilogia original, mas que não foi suficiente para salvar nesta nova investida.

Em geral este Homem Aranha consegue ser ainda pior que seu antecessor e muito distante da primeira sequência de Sam Raimi. É um filme para as massas com o de pior que se verifica nestes exemplares, falta de criatividade, simplificação (na pior acepção da palavra) em prol da maior acessibilidade. Infelizmente isso se traduziu numa obra superficial tanto técnica como em sua narrativa. É o típico exemplar em que tudo é apenas pretexto para uma ação desenfreada e descerebrada. O “x” da questão aqui é que, diferentemente de outros títulos, criados para este fim, o Homem Aranha é muito mais espetacular que isso.

Intensidade da força: 5,0

4 opiniões sobre “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”

  1. Concordo contigo em alguns pontos e minha nota é igual a sua, 5 em 10, mas não vi tantos problemas assim nos efeitos especiais, na verdade achei eles muito bons.

    Também acho que não chega a ser pior que o anterior, gostei mais desse até apesar de que são dois filmes que, infelizmente, poderiam ser melhores.

    1. Que bom que no geral concordamos Márcio, muitas cenas se utilizam de CG Márcio e ficaram muito evidentes, ainda sim a pobreza de cenário da luta na usina é de doer. Em outras partes é competente, mas nada fora do comum como alguns fãs chegaram a afirmar por aí.

      Quanto a ser melhor ou pior que o primeiro é uma questão mais pessoal, tendo em vista que no primeiro o personagem é um pouco menos distante do Peter Parker mais interessante. Aqui ele é o fodão, vai e volta com a Gwen quando quer, resolve todos os seus problemas com uma segurança que se afasta demais do Aranha original.

      Isto me fez ficar decepcionado com o longa.

      1. Esse lance do afastamento com o Aranha original, ou melhor, com o Peter Parker original é o que mais me incomoda. Aprendi a curtir um Peter Parker que tinha naquele desenho que passava na globo que era outra pessoa, outra vibe.

        O Aranha tudo bem, era engraçaralho com os bandidos e aqui, nesse quesito, ele está até bem. Fora isso é uma tristeza

        1. Isso aí, mesmo que se inspire na realidade ultimate, em que o Peter é um pouco menos oscilante, mesmo assim eles mantém a personagem com um estilo dividido e não é isso que vemos neste filme.

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