Noé

Título Original– Noah
Título Nacional– Noé
Diretor- Darren Aronofsky
Roteiro- Darren Aronofsky/Ari Handel
Gênero- Fantasia/Drama/Ação
Ano– 2014

– Navio à deriva…

Depois de muitos trailers repetidos nos cinemas locais finalmente foi possível conferir o primeiro blockbuster de Darren Aronofsky, diretor de alguns filmes interessantes como O Lutador, Réquiem para um Sonho e o badalado, mas não tão interessante Cisne Negro. Aqui ele tenta recontar a história de Noé (Russell Crowe) personagem conhecida no mundo religioso em geral. O filme não se aproxima de nada religioso e é mais uma fantasia com toques de ação que tenta se apoiar em alguns dramas no intuito de dar substância à obra.

Muito criticado por fãs por aceitar realizar o trabalho, imaginando que ele estaria “se vendendo” ao realizar um filme de massa, Darren não fugiu do desafio e conseguiu entregar um trabalho interessante, muito embora fique carecendo de uma linha definida. Não se sabe de fato o que está em foco no longa, se é a salvação do dilúvio enviado pelo Criador (a palavra Deus não é usada, pois o diretor é ateu), se é a salvação do próprio homem, a inevitabilidade de quem somos entre outras propostas lançadas que ficam pairando até o encerramento para lá de bobo e sem inspiração.

Na direção pura e simples as rotinas estão bem compostas, as cenas maiores, como a invasão da Arca pelas forças do “mal”, é legal apesar de um tanto genérica em sua execução. Lembra um pouco a luta das árvores gigantes de Senhor dos Anéis, porém o carisma do uso do stop motion para animá-los se perde na correria em plano distante optada. No roteiro, também assinado por Darren, nota-se o cuidado em não apoiar-se em nenhuma filosofia religiosa ou ateísta. Ele apenas incorpora o que acha interessante do conto mítico e agrega os aspectos que considera relevantes para compor o que pretende apresentar. Pena que ficou muito banal no geral, ainda que tenham algumas mensagens que mereçam sempre ser passadas e repetidas, para ver se, por osmose, aprendemos.

No geral o resultado é bom em Noé. Não foi um desastre, nem como blockbuster, tampouco se trata de puro entretenimento sem reflexão. As atuações são satisfatórias no geral, exceto para os exageros dramáticos de Jennifer Connelly (Naameh), a apatia do insuportável Logan Lerman (Ham) e a incapacidade de Emma Watson (Ila) de se expressar em algumas cenas (a dos bebês é sofrível de assistir com a tentativa frustrada dela de passar o mix de sentimentos com as inúmeras caras e bocas que nada representam no final das contas). Ainda que Ray Winstone (Tubal-cain) faça mais um papel comum em sua lista o resultado é bom e Russell Crowe também atende satisfatoriamente em sua parte. Um filme legal, mas que demonstra que Darren ainda precisa de mais algumas tentativas para pegar a medida ideal neste tipo de projeto.

Intensidade da força: 7,0

2 opiniões sobre “Noé”

    1. Acho Russel Crowe monstro em Mente Brilhante e muito bom em Gladiador, O Gangster, Rede de Mentiras, neste filme ele está atendendo bem apenas, nada demais a meu ver.

      Concordo com a visão diferente que o Darren deu a obra, mas acho que ele escorregou no final, indo de encontro ao próprio nível estabelecido na primeira metade.

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