RoboCop

Título Original– RoboCop
Título Nacional- RoboCop
Diretor- José Padilha
Roteiro– Joshua Zetumer/Edward Neumeier
Gênero– Ação/Ficção/Policial
Ano- 2014

– Renovação bem vinda…

Cercado de muita pressão e expectativa chegou aos cinemas brasileiros recentemente o primeiro blockbuster de destaque do ano, não só para nós brasileiros por termos pela primeira vez um diretor nacional trabalhando numa produção de grande importância, como também por ser a reimaginação de um filme que marcou uma geração em seu gênero. As opiniões ficaram divididas no meio crítico e também junto ao público e em alguns aspectos essa dúvida é válida. Veremos nas linhas seguintes o porquê disso.

A classificação etária menos restrita trouxe mais um desafio para a equipe criativa envolvida, pois adequar o violento original aos novos parâmetros seria um trabalho árduo, visto que a visceralidade não era apenas para divertir, mas tinha um propósito. Ainda que a nova origem tenha sido modificada não foi aqui que a mudança causou maior impacto. A explosão de agora tem maior ligação com a realidade apavorada do americano com os atentados terroristas, diferentemente do brutal fuzilamento imposto ao agente Alex Murphy original. Isso também se adequou bem ao rumo pretendido pela direção em seu enfoque básico de criticar o ufanismo americano e a neurose (até justificável) daquela sociedade perante esta ameaça.

Depois de ser recriado pelo Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) o policial do “futuro” está de volta, agora mais brilhante do que seu antecessor, mas com os mesmos sonzinhos mecânico-eletrônicos ao movimentar-se. Este novo Robocop também é mais ágil e a cena inicial de sua ação já demonstra essa qualidade. Isso já vinha causando algumas críticas pela internet por aqueles contrários a toda e qualquer mudança. Se fosse assim qual o ponto de se realizar um novo filme? Depois de seu retorno o policial meio máquina meio robô irá ser manipulado pela empresa Ominicorp, liderada por Raymond Sellars (Michael Keaton), representando aqui o típico empreendedor americano tão exaltado e idolatrado por aquelas terras.

O conflito máquina versus humano será um dos temas que norteiam as ações do filme, mas o patriotismo e protecionismo americano também estão em debate, bem como o aspecto empresarial militar. A guerra como instrumento de negócios é uma das críticas trazidas pelo time técnico envolvido. No aspecto diretivo vemos o bom José Padilha de Tropa de Elite em ação novamente, mostrando sua boa qualidade nas cenas de ação, muito bem feitas e filmadas em geral, com takes rápidos e claros, sem que o espectador fique perdido em meio ao conflito.

Na ponta estrutural o filme careceu um pouco de escopo, embora levante muitas questões, todas são tratadas de maneira bem superficial e a escolha não pareceu acertada para a realidade em que o Robocop se insere. No final das contas ele é um policial então, encarar problemas pertinentes à sua atividade (como escolhido no primeiro) seria mais adequado do que levantar aspectos militarísticos que envolvem soberania, relações internacionais entre outros aspectos. A mudança para a cor preta, ainda que explicada dentro do sistema imposto pelo longa, não fez bem e tirou um pouco da sensação robótica do herói.

No fim ficou bem feito e competente, mas não superou o original, podendo-se dizer até que iguala-se, pendendo um pouco a depender de quem esteja vendo e considerando os rumos escolhidos por cada um. Um início bom para a carreira Hollywoodiana de José Padilha e que espero seja o primeiro de muitos trabalhos, pois qualidade e competência ele demonstrou ter. Resta saber se os estúdios verão isso além dos números frios das bilheterias que dificilmente serão expressivos.

Intensidade da força: 7,0

4 opiniões sobre “RoboCop”

  1. A crítica política, a questão do controle da mídia, etc, foram os pontos positivos que também enxerguei nesse filme de Padilha, mas, ele é muito fraco.

    Sem emoção, sem climax, com cenas de ação muito “genéricas”. Chegar perto do original? Me desculpe, mas nunca. O filme de 1987 é um ícone que nunca fui esquecido durante os quase 30 anos que já possui de idade, o mesmo não podemos dizer dessa obra que já já some do radar.

    1. Eu gosto bastante das obras de Paul Verhoven, especialmente em seu ápice, quando fez o Robocop e Vingador do Futuro, mas vendo friamente Márcio, nunca foram filmes perfeitos, longe disso, tinham boas idéias lançadas em meio a muitas coisas mal executadas e trabalhadas.

      O tempo foi passando e tais filmes foram prendendo-se no imaginário geral como obras-primas coisa que nunca foram. No máximo, introduziram novas ideias nos gêneros em que se consagraram, nada mais.

      Achei este filme superior ao original em alguns pontos como na atuação do Joel Kinnaman frente ao querido, mas insosso Peter Weller além do drama humano x robô muito mais debatido neste do que no original e que sempre achei algo falho naquele.

      Todavia, em outros pontos ele não consegue manter o bom nível como disse e por isso aceito numa boa que algumas pessoas o considerem inferior ao primeiro, mas dizer que é horrível é um exagero a meu ver.

      1. Não disse que era horrível e tampouco que o filme original fosse perfeito, só acho que esse filme de Padilha não chega perto do original, por tudo o que ele representou sempre foi e será muito mais filme que o desse ano, que, convenhamos, não e´ruim mas deixa a desejar bastante.

        1. Acho que o filme tem defeitos, como disse, mas longe de ser ruim, assim como o original. O impacto criativo que o primeiro teve este nunca poderia ter, pois não tem o aspecto pioneiro, ainda sim conseguiu recriar-se dentro de suas próprias barreiras tarefa difícil de conseguir.

          O jeito que você falou inicialmente deu a entender que o filme seria bem ruim, por isso comentei. Eu ainda creio que existe mais um efeito nostalgia pairando na primeira obra do que realmente falta de qualidade do atual.

          Grande abraço.

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