Clube de Compras Dallas

Título Original- Dallas Buyers Club
Título Nacional- Clube de Compras Dallas
Diretor– Jean-Marc Vallée
Roteiro– Craig Borten/Melisa Wallack
Gênero- Biografia/Drama
Ano- 2013

– Vendendo vida…

Depois que resolveu levar sua carreira a sério, o que se viu foi Matthew McConaughey (Ron Woodroof) decolar e destacar-se mais e mais nos filmes que participa. É possível considerar o ponto de largada dessa virada no ótimo Lincoln Lawyer e a partir de então o bon vivant, comum por suas aparições em bobas comédias românticas, encarnou personagens cada vez mais complexos e ricos em sua escalada. Toda essa dedicação levou à indicação ao Oscar 2014 na categoria de melhor ator, passando por uma completa transformação física a fim de viver um soro positivo declarado pelos médicos com apenas 30 dias de vida.

Ron não tinha grandes ambições na vida. Passava seus dias aproveitando o que estava próximo à sua mão, bebia com os amigos e transava como louco com as mulheres. Numa dessas transas inadvertidas ele é contaminado pelo vírus e sem saber continua no seu ritmo mesmo que seu organismo já desse sinais claros de completa deterioração. Num dos surtos ele termina parando no hospital onde tem seu sangue avaliado e os médicos constatam a terrível verdade. Incrédulo inicialmente, pois a doença nos idos de 1985 tinha forte ligação com a comunidade homossexual, o texano refuta o diagnóstico, mas quando começa a lembrar-se de suas loucuras recorda-se de uma possível relação sexual com uma garota usuária de drogas injetáveis que definitivamente deve ter sido quem lhe passou a doença.

Logo ele começa a sentir a pressão por ter a doença. Como se não bastasse sua condição física os “amigos” viram as costas de imediato e o preconceito floresce instantaneamente. É até natural que naqueles tempos houvesse tamanha desconfiança frente ao problema, pois sem estudos concretos a respeito da doença, as informações escassas guiavam para ignorância e as pessoas não sabiam o que esperar quando aproximadas de um doente. Sem perspectivas para sua realidade Ron começa a pesquisar soluções e o AZT era a droga que estava em evidência na batalha contra o mal naquele momento, ainda que estivesse em fase de testes.

Ele começa a usar indiscriminadamente o remédio o que piora ainda mais sua condição. Depois desses problemas ele conhece um médico que irá lhe apresentar alternativas menos agressivas para o tratamento. Ao submeter-se a isto Ron melhora rapidamente. Só que as drogas não eram aprovadas para o comércio dentro dos EUA. É a partir daí que ele irá vislumbrar uma chance de tirar proveito da situação contrabandeando os produtos. O filme conta esta história apoiado numa caracterização muito forte e marcante de Matthew que ainda conta com o suporte de Jared Leto (Rayon) representando um homossexual doente de maneira excelente.

Clube de Compras Dallas é mais um dos títulos indicados a algumas estatuetas no Oscar desse ano, entre elas a de melhor ator e ator coadjuvante. Estes eram os candidatos mais fortes ao par de Doze Anos de Escravidão e com razão levaram ambos os prêmios, pois também desempenharam de maneira incrível seus papéis. Como filme tem alguns problemas, como a falta de maior detalhamento da luta de Ron para contrabandear os remédios, resumindo demais. O mesmo acontece com a situação do preconceito, mesmo que seja abordada ela não é muito trabalhada, limitando-se a breves momentos. Talvez não fosse a intenção da equipe responsável sobrecarregar demais dramaticamente a obra e parecer explorador, só que ficou a sensação de estar faltando algo mais.

A direção é simples, mas precisa, não opta pelo caminho mais chamativo como fazem outros que precisam mostrar que estão ali por trás. É visível que o importante aqui é deixar os atores livres para realizarem seus trabalhos e o resultado é excepcional. É mais um filme de boa qualidade e, mesmo não estando no degrau de outros indicados, cumpre seu papel de maneira muito competente apoiado nas interpretações de seus atores principais. Mais um, portanto, que você leitor não pode deixar de conferir.

Intensidade da força: 8,0

2 opiniões sobre “Clube de Compras Dallas”

    1. Eu normalmente tendo a valorizar muito as atuações em minhas análises Márcio. Se vejo uma caracterização superior num longa eu normalmente elevo a nota bastante. Este é o caso de Dallas Buyers Club. Esta avaliação se deve muito a isso, caso contrário seria próxima à sua.

      Eu só retiro muitos pontos, mesmo com uma atuação boa, quando o resto compromete bastante, como eu O Mestre. Não vi isso aqui por isso deixei nesse patamar.

      Mas não acho de todo injusto sua decisão neste caso. 😀

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