Ela

Título Original– Her
Título Nacional– Ela
Diretor– Spike Jonze
Roteiro- Spike Jonze
Gênero- Romance/Drama/Ficção
Ano– 2013

– Relações virtuais ou reais?

O mote principal do filme se Spike Jonze é em torno dessa discussão. Num futuro em que tudo está conectado e o mundo é bastante dependente dos recursos eletrônicos, a personagem interpretada por Joaquin Phoenix (Theodore) se envolverá num romance com um sistema operacional. Com um ponto de partida curioso e não tão distante de uma realidade futura o longa tenta estabelecer esse diálogo com o espectador e mostra as repercussões dessa realidade e como isso deverá ser encarado naquele contexto.

Depois da separação de sua mulher Catherine (Rooney Mara), Theodore passa por uma depressão em que não consegue se desapegar de suas lembranças da longa relação que teve. Frustrado pelo desfecho e culpando-se em certa medida pelo ocorrido ele se isola do convívio social ainda que seus amigos insistam em ter sua presença e ajudá-lo a superar a fase. Uma coisa boa na escolha de como representar essa situação é que Spike opta por usar alguém um tanto desajeitado, mas que não seja um imbecil ou retardado, em suma, apenas uma pessoa comum e normal, passando por um momento difícil, algo que pode afligir qualquer um de nós.

É interessante ver como as pessoas podem se afundar no próprio drama e isso fica evidenciado quando o protagonista opta por escolher músicas melodramáticas enquanto está com tempo livre, apenas acentuando a sensação de tristeza e desolação. Enquanto vivia este problema ele resolve instalar um novo programa que propagandeava a ideia de uma inteligência artificial que aprendia com os estímulos a que fosse submetida e isso surpreende Theodore no começo. Ao escolher a voz feminina para interagir isso impulsiona ainda mais a ligação entre ele e o programa, e o filme tenta demonstrar como isso o afeta.

No começo era apenas uma relação de curiosidade, mas à medida que o programa se desenvolve “ela” começa a interagir mais e mais intimamente com a personagem principal. O “relacionamento” se desenvolve tanto que os dois até realizam um ato sexual imaginário numa curiosa analogia ao sexo por telefone. É a partir deste ponto que o drama se acentua e as consequências começam a surgir de forma mais marcante na vida de Theodore. Ele começa a questionar a validade de seus sentimentos e o quanto aquilo poderia ser algo saudável para sua mente.

É um debate bem criado e apresentado, não oferecendo solução fácil para seu desfecho ou enfrentamento, pois seria puramente um exercício de imposição criativa do autor do roteiro, também diretor. Uma obra muito bem realizada no geral, com boas atuações, inclusive de Scarlett Johansson (Samantha) sendo a voz do sistema operacional, demonstrando que uma interpretação sólida passa por inúmeros degraus e que o sonoro é igualmente importante a todos os demais. Mais um ponto contra as dublagens, portanto. Ainda que incorra em certos problemas de continuidade do meio para o final onde se detém demasiadamente nos momentos românticos do “casal”, Her é um filme interessante e bem realizado que reafirma a possibilidade de se criar boas produções com poucos ingredientes, desde que bem misturados e trabalhados.

Intensidade da força: 8,5

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