12 Anos de Escravidão

Título Original– 12 Years a Slave
Título Nacional– 12 Anos de Escravidão
Diretor– Steve McQueen
Roteiro– John Ridley/ Solomon Northup
Gênero– Biografia/Drama/Histórico
Ano– 2013

– Escravos pela arte…

É por isso que o cinema nos encanta, nos faz sonhar e refletir. São obras como 12 Anos de Escravidão que conseguem somar todas estas características numa única produção. Tudo aqui é feito para transportar o espectador àquele mundo sofrido que um dia foi a marca das sociedades do mundo; a escravidão. O drama vivido por Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é a ponte que nos liga àquele momento e Steve McQueen consegue administrar a tarefa de coordenar tudo isso sem que ajam sobras significativas. Uma prova da grandeza de uma verdadeira democracia, que tem um presidente negro indo para seu segundo mandato e que, ainda assim, não se permite acomodar, achando que a retribuição já foi dada. Até porque, eles ainda sofrem e isso, depois que a sessão acaba, é o que mais dói.

Um negro livre que vivia em Nova York, nos tempos em que a escravidão ainda era a base do trabalho nas fazendas do Sul do país, é enganado por supostos artistas interessados em seu talento com o violino e assim termina sendo enviado para o inferno do qual pensava não precisar mais passar. O sofrimento apenas estava por começar. Inicialmente, ainda crendo ter sido vítima de uma armadilha, ele espera poder sair daquela ameaça antes dela se concretizar. Uma pena. Seria apenas a primeira das desilusões pelas quais seria submetido durante o calvário que estava por vir. Inicialmente conduzido para uma fazenda em que o “Sr” não era um completo desumano ele até se adapta e consegue se ajustar, mas a perseguição de outros o impedirá de sonhar com uma possível alternativa feliz. Logo ele é enviado para outra propriedade e aí sim ele sentirá o que há de pior no que um ser humano pode infligir a outro, tudo obra do impecável Michael Fassbender (Edwin Epps) que nos presenteia com mais uma brilhante atuação.

Não fosse suficiente o terror imprimido por seu “Amo” ele ainda tinha como incentivadora a manipuladora e odiosa esposa vivida por Sarah Paulson. O longa se aprofunda em várias nuances do problema, não se limitando a apenas ser um exercício de comiseração e repúdio a prática da escravidão. Mais incrível é saber que a personagem que encabeça o longa é o mesmo que escreveu a obra e impressiona a lucidez e sensatez com a qual ele conseguiu por em palavras toda a situação pela qual passou. Saber que as pessoas, mesmo em situações que implicam dor e trauma a outras, também tem seus dramas e dilemas e que cada um encara seus medos e dificuldades de acordo com o contexto em que se encaixa.

É assim que o filme abre o leque para não apenas vilanizar o “branco” que, dentro daquela realidade, era o responsável por tais situações, mas ser honesto o suficiente para ampliar o problema para o ser humano como o verdadeiro monstro da história. Ser capaz de cometer as mais desprezíveis e imperdoáveis maldades contra seu semelhante. Fica clara esta perspectiva quando a personagem de Brad Pitt (Bass) será um dos que cederá sua atenção sincera ao problema do protagonista. Ao mesmo tempo em que vemos os mesmos negros açoitados fazendo as vezes dos seus “Amos” e causando a mesma dor aos seus irmãos, ou, simplesmente abdicando de sua identidade como raça e reproduzindo comportamentos dos mesmos que os maltratavam.

Com um elenco atuando afiadíssimo dando suporte a experiência, temos um filme tocante, sofrido que me faz verter lágrimas à medida que escrevo este texto e lembro-me da cena insuportavelmente brilhante do açoitamento da escrava Patsy (Lupita Nyong’o), sentimento contrário, mas de resultado semelhante, quando vejo o estupendo Chiwetel Ejiofor pedir desculpas a sua família pela ausência a que fora imposto e os 12 Anos de Escravidão pelo qual passou. Um filme irretocável e que merece todos os prêmios que concorrer, desculpe-me O Lobo de Wall Street, Leonardo DiCaprio e Matthew McConaughey, mas ninguém mais merece o Oscar 2014 do que as pessoas que ajudaram a forjar esta obra sublime. Isso é muito mais do que retribuição, é reconhecimento.

Intensidade da força: 10,0

2 opiniões sobre “12 Anos de Escravidão”

Deixe seu comentário