O Lobo de Wall Street

Título Original- The Wolf of Wall Street
Título Nacional– O Lobo de Wall Street
Diretor- Martin Scorsese
Roteiro– Terence Winter/Jordan Belfort
Gênero– Biografia/Comédia/Policial
Ano- 2013

– Alcateia incontrolável…

Pense numa vida em que o dinheiro não é problema. Em que tudo que você pensou pode ser alcançado e ainda assim o dinheiro só aumenta. Agora some um grupo de malandros que só conheciam a trapaça em suas vidas. Coloque todos em Wall Street como corretores de seguros, liderados por um macho alpha que estava sempre à caça e selecionava suas presas com precisão fatal. Ponha tudo na tela do cinema e você verá um dos filmes mais incríveis, intensos e marcantes do ano de 2013, dando a largada definitiva para os concorrentes ao Oscar 2014, que já conta com Capitão Philips e Gravidade lançados por aqui. Só que O Lobo de Wall Street definitivamente descortina a caçada pela estatueta e, ao que tudo indica, será muito feroz.

Aqui Martin Scorsese consegue novamente arrancar de Leonardo DiCaprio (Jordan Belfort) uma interpretação incrível e que pode sim render a ele sua primeira vitória na premiação mais importante do cinema, mesmo que esteja concorrendo com o fortíssimo Matthew McConaughey (Mark Hanna) com seu Dallas Buyers Club. É quase impossível imaginar que alguém este ano tenha conseguido encarnar com tamanha força uma personagem como DiCaprio consegue neste longa. Sua interpretação se aproxima demais do poder arrancado com a de Cate Blanchet por Blue Jasmine e, como ela já é a virtual campeã na categoria feminina, na masculina, ainda que pairem dúvidas, não há como negar a superação de DiCaprio que, mais uma vez, atesta seu talento e capacidade.

Ele interpreta a personagem de Jordan Belfort um homem que sonhou ser rico e trilhou o caminho para isso desde jovem, logo alcançando o local mais indicado para quem deseja este sucesso, Wall Street. Lá ele será apadrinhado rapidamente por Mark Hanna, um corretor já estabelecido e que, numa cena antológica, já transmite os primeiros ensinamentos para o novato. Se Matthew não estivesse concorrendo como ator principal, com certeza seria indicado por esta curta, mas incrível participação. Dalí por diante o filme tratará apenas da escalada de Jordan, que é inspirado numa história real, do livro de autoria do próprio. Ao consultar brevemente o oráculo virtual é possível perceber que muito foi preservado da história que o livro trata.

Com diálogos extremamente bem encaixados, a produção não perde seu ritmo insano em nenhum momento, sendo que, em determinado momento, é possível que o espectador esboce um pouco de cansaço com todo aquele frenesi que não parece ser deste mundo. Apoiado por um elenco super afiado, não há ninguém do grupo escolhido por Jordan para fundar a corretora Stratton Oakmont que não mereça elogios por sua interpretação desde nosso querido Shane de Walking Dead, Brad (Jon Bernthal), passando por Chester Ming (Kenneth Choi), Nicky Koskoff (P.J. Byrne) até aqueles com menor destaque como: o pai de Jordan, Max Belfort (Rob Reiner), Jean Jacques Saurel (Jean Dujardin) e mesmo aqueles que, num primeiro olhar parecem que só servirão de enfeite a exemplo da bela Naomi Lapaglia (Margot Robbie), não comprometem. Por fim Jonah Hill (Donnie Azoff) está otimamente caracterizado e também mereceu sua segunda indicação.

Juntando este lado da atuação com uma direção precisa de Martin, que consegue dar ordem em toda a loucura que o filme praticamente se resume, torna-se admirável notar como ele consegue dar corpo a uma história desse tipo, se reinventando mais uma vez. Tudo funciona quase perfeito em The Wolf of Wall Street e sua indicação a melhor filme é super merecida e provavelmente merecesse ganhar, muito embora não vá conseguir. É aquele tipo de produção que consegue agregar todos os fatores de maneira exemplar e transforma algo tão surreal em uma experiência viciante na qual o espectador fica preso querendo saber qual será o próximo momento daquela história simplesmente inacreditável.

O único problema é a duração de 3 horas que, em determinado momento cansa um pouco, pois a loucura é tanta que passa a ser um pouco repetitivo. Se tivesse cerca de 30 minutos a menos seria simplesmente perfeito, mas mesmo com este deslize não merece perder a avaliação máxima. Uma obra que brinda um ano inesquecível para quem adora o cinema e apenas abre caminho para outros indicados que prometem bastante. Não se pode esquecer todo o aspecto humano envolvido e a crítica feroz ao mundo dos investidores, uma obra imperdível!

Intensidade da força: 10,0

4 opiniões sobre “O Lobo de Wall Street”

  1. Isso aí Bill, coração mais brando para 2014, é assim que tem que ser hehehehehe

    Eu também achei um pouco excessiva essas 3 horas, dava pra cortar tranquilamente. Mas apesar disso é realmente um ótimo filme, excelentes atuações como você mesmo disse, desde “Shane” até a turma da linha de frente.

    Ainda não vi 12 anos de Escravidão pois, pelo burburinho, ou 12 anos ou O Lobo levam a estatueta principal neste ano.

    1. AHAHA! Grande Márcio! Ainda estou sob euforia do ótimo ano de 2013 para os cinemas nem tinha como o coração estar bravo. AHAH!

      Você acha mesmo que Wolf of Wall Street forte candidato ao Oscar de melhor filme? Eu gostaria muito, mas creio que Gravidade é o virtual campeão neste quesito e o outro mais forte é Trapaça, toscamente traduzido para nossa língua mais uma vez.

      O 12 anos de escravidão me parece um filme muito bom, mas tendo em vista a variedade de perspectivas tratadas nos longas desse ano não acredito que ele tenha lá muitas chances não.

      1. O grande lance é que 12 anos ganhou um prêmio recentemente ai (dividido com Gravidade ou foi O Lobo…) que, geralmente, indica o vencedor do Oscar, por isso que estou acreditando nessa possibilidade.

        Pretendo assistí-lo em breve para tirar minhas conclusões. Gostei de Trapaça, me diverti BASTANTE, achei as atuações bacanas mas não é um filme que mereça levar tanto Oscar assim, ter sido indicado a 10 já é o prêmio merecido para ele.

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