O Hobbit: A Desolação de Smaug

Título Original- The Hobbit: The Desolation of Smaug
Título Nacional- O Hobbit: A Desolação de Smaug
Diretor- Peter JacksonRoteiro- Fran Walsh/Philippa Boyens
Gênero- Fantasia/Aventura/Ação
Ano– 2013

– Desolação na adaptação…

…É a sensação provável de quem leu o livro e assistiu à segunda parte da saga de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) que chegou aos cinemas nacionais neste último fim de semana. Com uma pegada bem mais voltada para a ação, o longa se afasta bastante de como os fatos são narrados no livro em que se funda. Ainda que seja uma adaptação e nela se esperem adaptações, acontece que muito do que é apresentado não é propriamente para melhor e descaracteriza demais o retrato daquilo que se baseia. É preciso manter certo nível de aproximação nas escolhas criativas para a transposição e Peter Jackson simplesmente passa por cima de tudo isso, construindo a sua visão do que deveria ser “O Hobbit” e não do que realmente ele representa em sua essência.

Cada vez mais ficam claras as razões pelas quais o Del Toro deve ter sido afastado da direção da produção. É bem provável que ele quisesse definir uma tocada mais cadenciada em que se focasse mais no caminho ao invés do eventos. Isso, com certeza, não devia vir agradando os executivos que veem na obra de Tolkien uma oportunidade de ganhar muito dinheiro com um filão difícil de conceber obras de qualidade elevada e que arrastam grandes massas. Só que nesse afã financeiro o título perde seu caráter e se aproxima muito mais de algo mais genérico abrindo mão de sua originalidade.

A história continua de onde o anterior deixara. Bilbo e o grupo de anões, sob a liderança de Thorin (Richard Armitage) continuam sua jornada até Erebor a fim de recuperar o mais representativo reino dos anões e toda a fortuna que lá se encontrava. Fugindo da incessante perseguição dos Orcs, eles irão encontrar Beorn (Mikael Persbrandt), numa passagem muito rápida e seguirão para a floresta das trevas. Lá viverão mais situações complicadas e começará o afastamento contínuo e intenso do livro em relação ao filme. Nesta passagem, muito do reino dos Elfos será omitido ou trocado com a participação para lá de exagerada de Legolas (Orlando Bloomg) e da elfa Tauriel (Evangeline Lilly). Não é que fique ruim, mas é desnecessário e descaracteriza o que representa a jornada de Bilbo, aspecto principal da obra literária.

Eles então continuarão sua aventura até encontrarem Smaug, passando pela cidade do lago, com mais alterações e enxertos frente o original escrito. Na Montanha tem-se o clímax, muito bem composto, dirigido, mas, para aqueles com um olhar mais atento, composto de momentos incorporados unicamente para estender, a despeito do embate do grupo de anões contra o dragão na forja de Erebor, trecho inexistente no livro. É legal? É. Divertido? Também. Porém só tem a função de chamar público na tentativa de conferir um tom acelerado e cheio de espetáculo, num momento em que tudo é muito mais simples, nem por isso menos divertido, genial e cativante.

Os melhores momentos da jornada perdem representatividade e desenvolvimento, sendo preenchidos por outros grandiosos no espetáculo, no visual, mas muito menos ricos em envolvimento. Uma pena, pois, em suas falhas e acertos “O Hobbit” de Tolkien é um prelúdio muito interessante para um universo rico e fascinante que viria a ser desenvolvido posteriormente em O Senhor dos Anéis. Sua narrativa simples, com pequenos desafios resolvidos por engenhosidade, improviso e simplicidade, ajudam a construir todo o laço com o leitor, especialmente o infantil (para o qual é voltado). Tudo isso é substituído pelo mundo de Peter Jackson, misturado com toda a pressão envolvida pelo negócio cinematográfico resultando numa obra animada, muito bem feita tecnicamente, mas que não galga o patamar da excelência por se deixar generalizar.

Intensidade da força: 8,5

 

*Obs. 1: Devido a algumas surpresas durante a sessão para o filme na rede Cinemark Cinemas de Salvador/Ba o Power cinema achou conveniente ressaltar também esta experiência com os seus leitores. Para os que também são da capital baiana fica o aviso, para os de fora funciona da mesma forma caso passem pela mesma situação. Mesmo contando com cadeiras marcadas, a organização do Cinemark Salvador Shopping costuma atrasar o começo das sessões, resultando em longas filas, confusões, pois as pessoas querem seguir para a sala e acomodaram-se para o começo do filme, mas ficam impossibilitadas de fazê-lo pela incompetência dos responsáveis. Aconteceu isso na sessão HFR às 21:30 da Sexta-Feira 13/12/2013 nesta rede. Por causa do atraso para liberação da sala, pessoas amontoaram-se querendo entrar, formando uma fila gigantesca, calmamente vista pelos funcionários, incapazes de irem distribuir os óculos necessários para a visualização do filme naquela ocasião. Esperaram, esperam, rindo, conversando, como se nada daquilo dissesse respeito a eles. Quando abriram para as pessoas entrarem, lentamente distribuíram os óculos a cada um, retardando ainda mais e angustiando, aborrecendo quem queria entrar na sala. Atenção que o horário para início do filme já tinha corrido quando resolveram liberar a entrada. Muita demora depois, quando as últimas pessoas começaram a chegar na sala deparam-se com o filme já em andamento e cerca de 15 minutos já passados. Enfurecidos com o desleixo dispensado muitos saem da sala exigindo o recomeço que ainda demandou várias e várias tentativas, discussões e até ameaças para que finalmente um tal gerente, que se omitiu desde o começo dos problemas, resolvesse dar o aval para o reinício.

Fica aqui o alerta então para as pessoas que insistem em lotar os Cinemas do Shopping Salvador, seja por conveniência, gosto ou praticidade. Já não é de hoje que aquele local não atende bem seus consumidores, atrasando sessões por até 30 minutos (como o caso do Hobbit) e permitindo que se formem filas por ficarem demorando para liberar as salas para os clientes entrarem. Aos que insistirem em frequentar o local fiquem espertos e não se deixem ludibriar, pois se não fosse pela mobilização de cerca de metade da sala eles não iriam recomeçar o filme e todos ficariam no prejuízo, causado pelos próprios fornecedores do serviço. Cinemark Salvador Shopping. O PIOR CINEMA PRESENTE NOS GRANDES SHOPPINGS DA CAPITAL BAIANA!

 

*Obs. 2: HFR é o futuro. Se há uma coisa realmente boa e inovadora nestes últimos tempos que frequento os cinemas é este recurso. A sensação de imersão é muito maior e talvez seja o formato ideal para se realizar filmes em 3D. Com isso, assistir “O Hobbit” se tornou muito mais divertido. A nitidez é simplesmente espetacular e há a sensação clara de estar se vendo algo como se fosse ali, ao seu lado. Olha que ainda não é o HFR ideal que Peter Jackson gostaria! Este é de 48 FPS, enquanto o planejado inicialmente era para ser de 60 FPS! Uma pena que apenas este filme apresenta esta tecnologia tão impressionante e aditiva e que não se tenham relatos de outros, exceto Avatar 2, que possam vir a utilizá-lo num futuro próximo. Fica então o bom aviso aos nossos leitores, assistam neste formato, sua experiência será realmente imperdível!

2 opiniões sobre “O Hobbit: A Desolação de Smaug”

  1. Não é que eu discorde de mudanças Márcio, mas quando estas transformam algo em outra coisa daí não é mais adaptação (ajuste) é uma mudança. Minha crítica a o Hobbit é essa. Apesar de ter minhas críticas não posso negar suas qualidades como produção bem realizada cinematograficamente.

    Eu daria ao Hobbit uma nota 5 como adaptação e uma nota 9,5 em realização, mas como tem que englobar tudo. Damos uma ajustada.

    Quanto ao resto estamos de acordo totalmente. HFR é demais e o Cinemark SSA Shopping é a coisa mais patética que existe em SSA nos grandes shoppings. É uma vergonha um lugar daquele calibre dispensar um cinema ridículo daqueles para seu público.

    Uma pena o Bela Vista ser ruim para você. É disparadamente o melhor cinema da cidade. Não coloco o novo do Barra porque é covardia, mas para um cinema comum o do Bela Vista é muito bom mesmo. Além disso, para mim que frequento desde o começo, já passei por situações de problemas e nunca houve omissão. Os gerentes são solícitos e tratáveis e os funcionários em geral estão sempre bem dispostos e atendendo bem, completamente diferente daquele amadorismo do Cinemark SSA Shopping.

  2. Quanto ao filme eu ainda discordo um pouco em relação ao que você acha que deva ser uma adaptação, mas só um pouco. Entendo o seu lado e acho ainda sua nota uma nota aceitável para “O Robert”, a minha intensidade da força só ficaria 0,5 maior que a sua, ou seja, estamos num empate técnico neste quesito.

    Quanto a primeira observação referente ao cinemark, eu também não gosto daquele cinema. Só mesmo a conveniência de alguns horários mais acessíveis para quem quer ver filme legendado ainda me fazem, a contragosto, ir naquele shopping. O melhor que tinha era o uci paralela, mas se rendeu aos dublados. Só nos resta o longíquo (pelo menos para mim) e agradável Bella Vista para nos salvar.

    Quanto a observação 3, eu já tinha lhe dito ainda no primeiro Robert que o era sensacional esses tais 48 frames por segundo. Quem assiste em HFR vê outro filme.

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