Ender’s Game – O Jogo do Exterminador

Título Original– Ender’s Game
Título Nacional– Ender’s Game – O Jogo do Exterminador
Diretor– Gavin Hood
Roteiro- Gavin Hood/Orson Scott Card
Gênero– Ficção/Aventura/Ação
Ano– 2013

– Jogo decisivo…

O filme Ender’s Game, que estreou no Brasil há pouco tempo, era cercado de grande expectativa. Contava com um elenco forte, incluindo nomes como Harrison Ford (Colonel Graff), Ben Kingsley (Mazer Rackham), Viola Davis (Gwen Anderson) e as promessas mais novas como Abigail Breslin (Valentine Wiggin) – que já não é mais tão novinha assim – Hailee Steinfeld (Petra Arkanian) e Asa Butterfield (Ender Wiggin). O longa é baseado numa série de livros de autoria de Orson Scott Card que começou em meados dos anos 80 e se estendeu até 2008. Contando com a temática de ficção científica a promessa era de atrair o público para conferir uma produção com uma história liderada sob uma perspectiva diferente.

O filme se passa num futuro em que a Terra havia sido atacada por uma raça alienígena semelhante às formigas (Formics). Ainda que no primeiro ataque o planeta tenha sobrevivido, as perdas foram muito grandes e os esforços para evitar que aquilo acontecesse novamente passaram a ser colossais. Uma dos resultados dessa nova mentalidade foi o preparo cada vez mais precoce de novos recrutas, sob o pretexto de que eles teriam mais facilidade de aprendizado e improvisação frente às táticas de combate dos inimigos do que um adulto. Nessa realidade está o jovem Ender que vive a pressão de ser o 3° de uma família em que outros dois não obtiveram sucesso em seus treinamentos para entrarem na frota.

Um dos problemas do longa é justamente deixar de lado alguns aspectos que seriam importantes para a compreensão mais apurada daquele contexto, construindo assim uma ligação maior com o público. Pontos como a razão do protagonista sentir-se pressionado pelo fracasso dos outros dois irmãos e a importância disso para a sociedade daquele momento. Assim é a tônica até o final, sempre haverá momentos em que aspectos importantes serão relevados em detrimento de uma dinâmica mais acelerada e visual (e mesmo assim, tendo em vista as reações da plateia da sessão que presenciamos, não agradou tanto). O jovem consegue ascender e é convocado para frota, onde irá treinar para fazer parte da linha de frente que combateria os inimigos.

O filme se prende bastante em todo este momento. Os treinos, o desenvolvimento do personagem principal, como ele pensa, cria seus vínculos e todo o resto é deixado de lado dando a sensação de que faltava algo. Seja aprofundamento do que acontecia em redor ou mesmo a compreensão das implicações das ações de certos personagens. Exemplo disso é o embate entre Gaff e Gwen, superiores com visões diferentes que são pouco desenvolvidos, resumindo suas controvérsias apenas nos momentos em que o protagonista estava envolvido. Apenas uma conversa entre os dois é destacada e mesmo assim de maneira bem breve.

No final é possível dizer que por conta dessas lacunas a obra ficou um tanto pendente e isso definiu sua falta de apelo junto ao público. Parece apenas mais uma aventura em que o caminho pouco representa e o que importa é apenas como tudo irá se resolver, sem atentar-se para criar um desenvolvimento mais rico. No plano técnico o filme é competente, conta com bons efeitos especiais, ainda que simples, interpretações medianas de boa parte do elenco, mas para o personagem principal falta um pouco mais de amadurecimento para encarar um personagem um tanto complexo como o apontado para ele desempenhar. Mesmo com estes percalços e dificuldades é uma boa escolha no geral.

Intensidade da força: 7,0

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