O Mordomo da Casa Branca

Título Original– The Butler
Título Nacional– O Mordomo da Casa Branca
Diretor- Lee Daniels
Roteiro– Danny Strong/Wil Haygood
Gênero– Drama/Biografia
Ano– 2013

– Servindo história…

O longa que conta a história do mordomo que atravessou gerações de presidentes na Casa Branca é o tema central que também aproveita para passear pela crise contra o racismo nos EUA. Numa apresentação que busca mostrar que a luta pode se dar de maneiras diferentes, o filme de Lee Daniels entrega um trabalho interessante ainda que um tanto carregado em estereótipos e superficialidades que prejudicam o tratamento do que se propõe a debater.A história de Cecil Gaines (Forest Whitaker) começa nas fazendas de algodão no Sul americano, local em que o preconceito era fortíssimo e ainda se valia de posturas análogas à escravidão nos idos da década de 30. Lá ele presencia seu pai ser morto brutalmente ao mesmo tempo que sua mãe enlouquece em meio a toda aquela repressão. Com pena da situação da criança a dona da casa o traz para trabalhar como serviçal dentro da residência, tornando-o um “negro da casa”. É chocante ver como o ser humano pode ser cruel, mesmo pensando que está fazendo algo de bom.

Depois de algum tempo o jovem resolve sair daquele meio e vai até a cidade, passando por muitas dificuldades ele encontra apoio noutro companheiro negro, mais velho que oferece a ele uma vaga como garçom na loja em que trabalhava. Ali Cecil desenvolve suas técnicas de servir e as aprimora a ponto de ser convidado para um hotel chique. Estes foram os primeiros passos até a Casa Branca. Daí por diante o longa se desloca entre o drama do protagonista em conviver com a realidade discriminatória e realizar seu trabalho que ainda era mais sofrido, pois potencializava o preconceito.

As situações são intensas e provocam reação em qualquer um que veja como outras pessoas são capazes de subjugar aqueles que julgam inferiores. Ao passo em que cresce no seu emprego, Cecil passa a viver o drama familiar de educar (por consequência abrir os horizontes dos filhos) e conter o questionamento do porquê da realidade discriminatória. O filho que representa mais fortemente este embate é Louis Gaines (David Oyelowo) que na verdade nunca existiu, mas é responsável por traçar o paralelo no longa das diferentes formas de lutar por uma causa.

Com uma atuação irrepreensível de Forrest Whitaker, O Mordomo da Casa Branca é um filme tocante que mostra mais uma vez o que faz dos EUA o país que é, seja para o bem ou para o mal. Uma de suas maiores qualidade é justamente permitir que obras como essa venham à tona sem qualquer censura, dando a sensação bastante aproximada do sofrimento pelos quais os afrodescendentes passaram e ainda passam, mesmo que em menor escala. A atuação da apresentadora Oprah Winfrey (Gloria Gaines) também está boa e completa o pacote positivo neste quesito. Todavia o abuso das situações emotivas, com os clássicos fundos musicais para melancolizar ainda mais, e o retrato pouco apurado apenas preocupado em sentimentalizar toda a situação, retira um pouco da força deste bom filme, que poderia ser excepcional caso tivesse apostado numa linha mais sóbria em sua abordagem.

Intensidade da força: 7,5

4 opiniões sobre “O Mordomo da Casa Branca”

  1. Agora que estava começando a minha jornada no cinema e que você me ajuda a escolher o filme me deparo com a homogeneidade das programações dos cinemas de Salvador: o filme não está mais em cartaz, uma pena!

    1. Bem-vinda Bel! É sempre bom contar com mais leitores que participam!

      Essa é uma das primeiras descobertas de quem começa a se aventurar mais intensamente pelos cinemas de nossa capital. Isso é só uma das coisas que irritam, depois você descobrirá muito mais. AHAHAH!

      Não se deixe levar ou intimidar por estes desafios inciais, no entanto. A experiência de aproveitar um bom filme no cinema ainda é insuperável.

      Abraços e apareça sempre!

    1. É uma pena Márcio, pois é um filme interessante, não é bobo ou forçado, mas tem seus momentos exagerados que, para muitos, podem passar desapercebidos.

      Levanta mais questões filosóficas do que simplesmente as lança sem nenhum propósito.

      Abraços.

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