O Conselheiro do Crime

Título Original- The Counselor
Título Nacional– O Conselheiro do Crime
Diretor– Ridley Scott
Roteiro- Cormac McCarthy
Gênero– Ação/Drama/Policial
Ano– 2013

– Sem conselhos…

É fácil entender as críticas ferozes por trás do novo filme de Ridley Scott que conta com elenco estelar. O que poderia dar errado num longa encabeçado por Michael Fassbender (Conselheiro), Javier Bardem (Reiner) e Brad Pitt (Westray)? Que ainda conta com Penélope Cruz (Laura) e Cameron Diaz (Malkina)? Junte a isso o roteiro de Cormac Mccarthy, responsável por títulos muito bem cotados (Onde os Fracos não tem Vez, A Estrada e por aí vai). O Power Cinema tenta depurar os fatores que levaram uma obra que tinha tudo para arrasar, mas naufragou tanto junto ao público, como na crítica.

Tudo começa com o protagonista aproveitando um momento íntimo com sua mulher, no caso a personagem interpretada por Penélope Cruz, a cena já dá sinais de como será desencadeada a narrativa e o foco da trama que está por vir. A partir daí tem-se uma mistura que envolve os desejos humanos mais primais e suas consequências. É disso basicamente que trata O Conselheiro do Crime, que tem um título que dificulta ainda mais sua percepção. A personagem do conselheiro é na verdade o aconselhado durante toda a trama, numa espécie de inserção às avessas numa realidade que não lhe pertencia.

As nuances e aprofundamentos reservam armadilhas que o telespectador desatento ou ávido por ação irá se frustrar e aborrecer-se com facilidade. Há muito mais embates filosóficos, assim como em Onde os Fracos não tem Vez, do que atitudes, mas quando estas acontecem são duras e permanentes, como a vida costuma ser com aqueles mais ingênuos que se aventuram onde não devem. Em virtude dessa maneira de contar o que se propõe, o longa derrapa por abrir demais os caminhos que irão levar ao desfecho. Um pecado mortal nos tempos de hoje em que público médio não quer pensar ou desenvolver, mas sim ter tudo mascado e regurgitado para ingerir.

Nessa onda filosófica e introspectiva sobra pouco espaço para o pano de fundo que dispara os eventos que seriam a roda que movimenta a estória. Nessa carruagem sem controle estão os atores que em sua maioria desempenham sublimemente, mas não conseguem desfazer o impacto negativo do roteiro. Uma direção apurada e segura, mas que acreditou na história que pretendia contar e pouco interferiu nos rumos, resulta num filme que não funciona harmonicamente e força a análise segmentada, por isso sim O Conselheiro do Crime merece crítica. Jamais pelo que se propõe a tratar.

Num ensaio sobre a psique humana sob sua perspectiva mais profunda e instintiva o filme aborda de maneira inteligente a Ganância, Luxúria e como a razão utilizada “irracionalmente” faz os seres humanos colocarem-se abaixo de um animal, tido como irracional. Neste paradigma está a mancha que o homem traz à natureza e seu equilíbrio. Pena que a obra não conseguiu manter-se estável e provavelmente será demonizada e tida como fracasso, mas para quem conseguiu olhar por baixo daqueles lençóis que dão início a projeção,sim, há muito de bom e apreciável em O Conselheiro do crime.

Intensidade da força: 8,5

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