O Homem de Aço

Título Original- Man of Steel
Título Nacional- O Homem de Aço
Diretor- Zack Snyder
Roteiro-David S. Goyer
Gênero– Ação/Aventura
Ano– 2013

– Finalmente; um novo Super…

E com toda mudança vem as críticas dos avessos a ela. O que se passa com o novo Super-Homem é justamente a adaptação a um personagem revisto e reinserido para melhor adequar-se aos tempos atuais. Porém, os puristas levantam-se contra tal medida e com toda sua voracidade cega ignoram os inúmeros acertos que esta nova produção apresentou. A começar pela proposta de mudar um personagem marcado pelo grande potencial, mas que nunca caiu de fato no gosto das massas. Muitas pessoas curtem o herói, mas poucas o têm como seu predileto. Por quê? Porque o Super, além de não ser humano, não se comporta como um. Era chegado o momento de se afastar de uma vez por todas da genial, mas deslocada, dualidade Clark/Super-Homem e deixar que o Homem de Aço assumisse a liderança das ações em todas as suas vertentes. Sim, uma simplificação, mas necessária e saudável à personagem.

O prelúdio é contado em lembranças do protagonista durante quase toda a exibição, não se tem aqui uma introdução à personagem. O preâmbulo resolve dar destaque ao planeta Kripton num trecho inicial bastante interessante sobre os pais de Kal-El pouco antes do seu nascimento, apresentando um pouco daquele universo pouquíssimo tratado até então nos cinemas. Ao se escolher tal opção o time técnico opta por romper de vez o laço que prendia Clark e o herói para deixá-lo assumir o comando das ações desde o princípio. Então o Super-Homem (Henry Cavill) já está adulto e aparece como um andarilho em busca do autoconhecimento tanto na prática (saber algo relacionado às suas origens) como interno (seu lugar no mundo, se ele se encaixaria neste mundo).

Rapidamente ele entra em contato com seu par romântico, Lois Lane (Amy Adams), para no momento seguinte já estar se inteirando de quem é de fato e outros tantos porquês até ali sem resposta para ele. Deixando pouco tempo para aproveitar o exercício de seus poderes, o algoz de seu pai Jor-El (Russell Crowe), General Zod (Michael Shannon), chega ao planeta em busca do Codex, uma espécie de memória de todo o conhecimento de Kripton e que, em sua mente, seria capaz de trazer de volta seu planeta. A dúvida do herói se instala no momento em que o vilão oferece a opção de salvar sua terra natal ou a Terra. Há alguma hesitação, e foi interessante ter dado este enfoque à dificuldade para o protagonista escolher, pois realça que no fundo ele reconhece sua diferença.

Apesar de desenvolver um pouco o lado referente à dificuldade dos humanos em aceitar o diferente, o filme foca mais na ação e finalmente pode-se assistir a um Super-Homem usando seus poderes sem restrições. Na onda de críticas que se abate sobre a produção, muito se comenta de que a destruição causada por tais batalhas deveria ter sido abordada, mas isso pode ter sido algo deixado para um segundo momento, até porque na própria história do herói esta discussão só é levantada noutra situação. Aqui o foco era salvar o planeta da ameaça de outros seres tão poderosos quanto o protagonista e, para isso, ele teria que se valer de seus atributos com máxima intensidade.

Engraçado notar que no momento da crítica ninguém levanta os acertos (foram muitos), mas somente as falhas, dando a sensação de que se trata de menos do que é. O fato de Zod aprender a lidar com o novo ambiente de forma quase imediata é muito acertada não só como decisão criativa, mas para o desenvolvimento da trama. Nesta batalha encontra-se o momento que está causando tanto rebuliço e ondas de ódio frente a este novo filme, pois o Homem de Aço tomará uma medida extrema que rompe de uma vez por todas com a imagem da antiga personagem interpretada pelo carismático Christopher Reeve, adequada para aquele tempo, mas que não tinha mais espaço no atual momento da sociedade.

Por falar nisso, este novo título levanta mais uma vez, só que de forma ainda mais intensa, o debate entre antigo e novo que também se abateu sobre o novo Star Trek. Vale ressaltar, mais uma vez, que o filme antigo do Super-Homem, ainda que interessante e relevante em suas próprias bases já carecia de muitas coisas, mesmo naquele tempo, ou seja, assim como seu colega ficcional científico, não era uma obra de qualidade superior para que se causasse tanto furor como se anda destacando no meio crítico em geral. Então, por favor, assumam que o que incomoda é justamente o “diferente”, a “mudança”, o “novo” e assim como a personagem título, o resultado do seu trabalho também sofre da mesma resistência.

O balanço final, enfim, de O Homem de Aço é muito positivo. Embora apresente algumas inconsistências no roteiro e certas decisões que não foram para melhor, a nova proposta e apresentação dadas ao herói foram mais que bem-vindas e bem escolhidas e deram, sem nenhuma dúvida, o frescor tão necessário ao protagonista e pode colocar finalmente o Super no caminho das telonas de maneira definitiva, como já acontece com seu parceiro Batman. A ótima bilheteria comprova que o público vem aceitando bem as mudanças e, se tudo continuar assim, é muito provável que os próximos sejam ainda melhores e os erros cometidos aqui não se repitam. Henry Cavill conseguiu segurar com muita autoridade seu novo posto e deverá consolidar-se como o novo rosto do Superman de agora em diante. E que uma nova era se inicie para o herói mais poderoso do universo!

Intesidade da força: 9,0

4 opiniões sobre “O Homem de Aço”

  1. Achei bom o filme, mas as lembranças me cansavam um pouco.

    As batalhas foram muito boas (não achei tão dragão ball z :P) o final não havia opção e concordei com a decisão do super.

    Não gostei tanto do Shannon como Zod, achei fraco mesmo, mas em compensação, Russell Crowe foi muito bem, como sempre 😛 (apesar de parecer Gladiador com aquela armadura.)

    Boa resenha como sempre, ansioso pelo segundo filme \o/

    1. Também achei o Zod muito exagerado e até artificial em alguns momentos. Quanto as lembranças te cansarem, aff, tão poucas lembranças. Você queria mais porradaria então? AHAHA!

  2. Não gostei tanto assim o filme, gostei bastante do início (principalmente a parte em que mostra Krypton) e só achei cansativo o seu filme, longuíssimo.

    Amy Adams também, que lástima.

    De qualquer forma achei o saldo final positivo.

    1. Uma pena Márcio não ter te agradado. Ainda não li sua resenha sobre o filme, mas pelo pouco que você colocou aqui talvez tenha ido com uma expectativa diferente para a obra.

      De qualquer maneira o que importa é que agradou, mesmo que não tanto assim.

      Abraços!

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