Indomável Sonhadora

Título Original- Beasts of the Southern Wild
Título Nacional- Indomável Sonhadora
Diretor- Benh Zeitlin
Roteiro– Lucy Alibar/Benh Zeitlin
Gênero– Drama/Aventura
Ano- 2012

– Indomável percepção…

Este deve ser o espírito do espectador que for assistir a este título. A obra que rendeu a indicação a melhor atriz para a pessoa mais jovem da história, Quvenzhané Wallis (Hushpuppy), garotinha de nome complicado, mas com bom potencial foi, talvez, a maior sensação dos filmes independentes do ano. Olha que falar de independência em Indomável Sonhadora é tratar a palavra em sua maior representação dentro do cinema. Feito pelo jovem diretor Benh Zeitlin, também indicado ao Oscar, a produção causou frisson pela forma que tratou um drama bastante difícil de uma pequena comunidade americana.

A Banheira, assim é chamada uma região ao Sul dos Estados Unidos, mais precisamente no Estado da Louisiana. O local recebeu este nome provavelmente por lembrar o próprio objeto. Trata-se de uma espécie de pântano, mas que teve sua situação muito agravada após a construção de uma barreira que impede que a água avance demais dentro do território do Estado. O problema é que este ato separou aquela faixa de terra em que algumas pessoas ainda viviam e as isolou. Aparentemente todo o processo deve ter sido feito sem muita consulta e isso causou uma espécie de revolta nos habitantes locais.

Hushpuppy vive com seu pai Wink (Dwight Henry) nesta região e tentam sobreviver da melhor maneira possível. Eles se vangloriam de seu estilo de vida livre, tendo criado uma espécie de sociedade paralela ali, isolando-se quase por completo do restante da sociedade. A obra se foca basicamente na luta deste povoado, em especial da pequena família, suas desventuras, esperanças e força para manterem-se íntegros para com sua opção de vida.

É o típico filme de festivais de cinema, no caso o de Sundance, onde conquistou a repercussão que permitiu seu forte avanço para públicos mais amplos. É uma obra que representa a essência de como se fazer cinema, tudo remonta às técnicas básicas, cada perspectiva, cada tomada de cena tem uma função, fala alguma coisa para quem assiste. Só que sofre do mal típico das películas produzidas neste formato. É muito alegórico, muitas vezes cansa ficar sempre tentando compreender cada simbolismo apresentado, cada metáfora, cada pequeno detalhe.

A Academia resolveu dar a amplitude ao longa para mostrar que é aberta a este tipo de trabalho, quase totalmente desvinculado do mundo Hollywoodiano, uma espécie de exemplo de que eles estão preparados e abertos a certas concessões se o produto for realmente bom e isso Indomável Sonhadora é. Tirando todas estas nuances que precisam ser ditas para que o contexto seja formado não, se trata de uma obra excepcional, às vezes se deixa levar por simplismos banais e clichês, sem falar que muitos simbolismos e temas levantados são um tanto exaustivos até pela própria linguagem proposta. Como dito é exagero básico dos cineastas independentes. Eles, às vezes na busca incessante de dar uma profundidade a seus trabalhos, se deixam levar demais e perdem a medida.

Portanto, é uma pedida arriscada para quem for apenas assistir pela onda de propaganda causada pela recente premiação. Não é um filme fácil e esta é sua proposta, porém a execução é muito melhor desenhada do que em O Mestre, por exemplo, mesmo com toda sua pompa de grande elenco e diretor badalado.

Intensidade da força: 7,5

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