As sessões

Título Original- The Sessions
Título Nacional– As Sessões
Diretor- Ben Lewin
Roteiro- Ben Lewin/Mark O’Brien
Gênero- Comédia/Romance/Drama
Ano- 2012

– Sessões inspiradoras…

Ser alguém com uma deficiência sempre é algo difícil. No reino animal, por exemplo, aqueles menos capacitados muitas vezes nem sobrevivem. No reino “humano” isso também acontece, mas existem casos como o de Mark O’Brien (John Hawkes) que quebra paradigmas, rompe fronteiras e eleva o sentido da palavra viver a uma categoria que poucos conseguem compreender. Uma história real de esperança, perseverança, amor e vontade de viver regada com muito bom humor, toques de romantismo, mas sem perder a seriedade do tema que trabalha.

Quando teve poliomielite ainda criança o mundo de Mark O’Brien se transformou e sua trajetória passou a ter muita luta e sofrimento para estar entre nós. Superando os prognósticos negativos para alguém que tem a doença, além de sobreviver por muito tempo ele faz mais. Gradua-se em letras e vira escritor. Nunca se deixando abater por sua condição desfavorecida, ele avança e isso cativa todos ao seu redor. Uma coisa, porém, o perturbava. Ele jamais tinha tido ou vislumbrava ter relações sexuais apesar de seu órgão apropriado funcionar perfeitamente.

Isso começa a muda quando ele conhece Amanda (Annika Marks), inicialmente contratada para ajudá-lo a escrever. Ela começa a ser uma faz tudo e a relação entre os dois aproxima-se ao ponto de Mark se apaixonar pela moça. Assustada com a situação ela se afasta, partindo o coração dele. Em sua vasta sabedoria o Padre Brendan (William H. Macy) tece um comentário objetivo e real sobre tal situação. Ele era seu melhor amigo e também confessor e depois de algum tempo passa a não mais preocupar-se com o que a religião prega, mas com o bem estar de seu amigo. Uma bela e bem feita lição sobre o que é a religião.

Após Amanda entra Cheryl (Helen Hunt), especialista em situações de dificuldade com o sexo que aceita o desafio de ajudar Mark. Com muita paciência e insistência os dois irão forjar uma relação de cumplicidade que romperá o lado profissional deixando Cheryl numa delicada situação. O longa foca nas pessoas, nos relacionamentos e como nem mesmo uma deficiência do nível que o protagonista possui é impeditivo para se viver completa e intensamente seu período neste mundo. Às vezes o espectador pode perder esta dimensão em meio às piadas, mas quase nada é lançado ali sem propósito.

A atuação impressionante de John Hawkes é o ponto alto. Sua entrega ao papel é vista claramente em cada gesto de sua personagem. Helen Hunt também está muito bem e volta às premiações depois de muito tempo ausente. Outro destaque vai para William H. Macy conseguindo adequar muito bem sua conhecida veia cômica numa personagem que vive entre a cruz e a espada (ajudar o amigo ou manter-se fiel às crenças religiosas). As Sessões é um ótimo filme, sem dúvidas, talvez não tenha tido o cartaz merecido devido a sua abordagem descontraída que pode ser confundida com leviandade, mas é nisso que está sua maestria e carisma.

Intensidade da força: 9,0

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