Os Miseráveis

Título Original– Les Misérables
Título Nacional– Os Miseráveis
Diretor- Tom Hooper
Roteiro– William Nicholson/Alain Boublil
Gênero– Musical/Drama
Ano– 2012

– Miseráveis encantadores…

Mesmo sujos e maltrapilhos não há como deixar de se encantar com Os Miseráveis. A produção que desembarcou no Brasil embalada pelo Oscar 2013 e deu o que falar pelo estilo “radical” empregado (totalmente cantado) é mais uma daquelas que ficarão marcadas seja pelas interpretações soberbas ou pelo toque sensível e intenso dado por Tom Hopper na execução de sua obra.

A história de sofrimento e redenção de Jean Valjean (Hugh Jackman) é apenas mais uma dentre tantas outras que marcavam a França do século XIX, algum tempo após a Revolução Francesa. É curioso notar como este país ainda era tão degradado há tão pouco tempo atrás. É difícil não traçar um paralelo com o Brasil e perceber que até regredimos durante este mesmo período.

O protagonista é apenas mais um dos açoitados naquela sociedade que esmagava os mais pobres e os fazia sofrer incansáveis e intermináveis agruras. O seu algoz, Javert (Russell Crowe) é o retrato de um Estado frio e opressor que pouco se importava com justiça, contanto que a plebe continuasse segura que não poderia deixar de ser plebe.

Só que o mesmo homem capaz de fazer tanto mal ao outro é também um ser imbuído de sentimentos altruísticos que desafiam a própria razão, talvez por isso o mundo ainda gire. Desiludido e entregue ao desespero e rancor, Jean é tocado pela bondade gratuita de uma pessoa estranha e isso o faz repensar todo o círculo de desventuras de sua vida até então o suficiente para que uma nova esperança brotasse em seu coração. Assim ele se soergue e reconstrói sua vida.

Muitos anos depois ele é o prefeito de um vilarejo e sob disfarce ele tocava sua vida até que a sombra do passado volta a atormentá-lo, Javert! Atordoado ele não consegue ajudar a pobre Fantine (Anne Hathaway), funcionária de sua fábrica, mas que convivia com o assédio das colegas (inveja) e do fiscal (desejo). Expulsa de lá, começa uma saga de decadência e desgraça na sua já miserável vida até que, por um acaso ela se encontra com Jean mais uma vez e ele estende seu braço para ajudá-la, assim como no passado haviam feito com ele.

É a história das pessoas e suas lutas para sobreviver que dão o foco a Os Miseráveis, tudo isso se mistura ao drama do próprio país à medida que a trama se desenvolve. As músicas têm momentos épicos de altíssima intensidade e encanto que rendem a Hugh Jackman e Anne a indicação ao Oscar e se não fosse por Daniel Day-Lewis não haveria dúvidas quanto à vitória de Jackman este ano. Já para Anne esta estatueta é garantida.

Um filme extremamente emocionante, tocante e vibrante te aguarda. Não se intimide pela duração e estilo, pois a recompensa ao final será imensa e provavelmente te fará pensar um pouco sobre a vida.

Não é uma obra perfeita. A duração cobra seu preço, aliado à forma escolhida para contar a história (só por músicas), às vezes as coisas se tornam cansativas. Em alguns momentos o pequeno romance entre Cosette (Amanda Seyfried) e Marius (Eddie Redmayne) cansa e soa bobo, mas tudo isso tem um propósito maior na trama e a forma como isso se encaixa mostra o quão amarrada e bem construída foi a obra. Alguns cortes de cena, embora intencionais, para reforçar o jeitão de encenação teatral no cinema ficaram mal compostos, porém nada grave. São pequenos deslizes aqui e acolá, mas que não tiram um brilho do melhor musical que já vi e um dos melhores filmes que já tive o prazer de apreciar.

Intensidade da força: 10,0

2 opiniões sobre “Os Miseráveis”

  1. O filme é sensível Márcio. Isso às vezes afasta um pouco, ainda por cima a escolha da narrativa, realmente é outro ponto que complica a situação de certa maneira.

    Uma pena que você não conseguiu superar a barreira de se tratar de um musical, pois é um filme realmente muito bem executado tecnicamente e com interpretações muito boas, não é só uma coisa de crítico querendo valorizar uma obra por se adequar a padrões que eles prezam.

    Também aconselho a você seguir sua boa razão e esquecer sobre a obra e caso te perguntem você desconversa. AHAHAH!

  2. Cara, já tentei assistir esse filme em casa pelo menos 5 ou 6 vezes e não consegui passar dos 40 minutos.

    Acho melhor eu desistir para não ter que classificá-lo como ruim no blog, afinal, para quem gosta de musicais parece ter sido realmente um excelente filme.

    Só que não consigo deixar de ser imparcial com produções do gênero, odeio musicais hehehee.

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