Lincoln

Título Original– Lincoln
Título Nacional- Lincoln
Diretor– Steven Spielberg
Roteiro– Tony Kushner/Doris Kearns Goodwin
Gênero- Biografia/Histórico/Drama
Ano– 2012

– Aula de história no cinema…

Só vá assistir Lincoln se gosta de história. Sim, antes de gostar de cinema tem que apreciar história, e muito. O novo filme de Steven Spielberg que traz Daniel Day-Lewis como um dos maiores ícones da história americana requer que o espectador tenha este tipo de interesse de forma bastante acentuada, caso contrário poderá ficar desagradado com o ritmo da história. Além disso, gostar de política também é um bom extra para complementar o pacote.

O longa busca retratar o período do segundo mandato do Presidente americano que talvez tenha promovido a maior mudança político-social da história daquele país. Uma daquelas coisas que explica o porquê do sucesso daquela sociedade e como eles alcançaram o patamar de desenvolvimento do sistema democrático que ostentam hoje. É muito curioso ver as nuances que o destino pode apresentar e verificar como a vida pode ser fantástica e inexplicável.

Lincoln queria acabar com a escravidão nos EUA na segunda metade do século XIX. Isso conduz a nação a uma guerra (Secessão) entre os Estados do Sul (escravocratas) e os do Norte (abolicionistas). Diferentemente daqui, o ranço separatista era muito mais profundo (ainda é) tanto que chegava a se fundar em absurdos como falar que os negros eram menos capazes por um desígnio divino. O próprio fato de ter acontecido a guerra já demonstra como o problema tinha um cunho muito mais forte e prejudicial do que o verificado por aqui.

A diferença é que este tipo de postura causava muita indignação numa parcela da sociedade e, para o azar dos escravocratas, Lincoln era uma dessas pessoas. Imbuído deste desejo ele abdica de si próprio a fim de conseguir aprovar a famosa 13ª Emenda que traria a tão sonhada liberdade para o povo negro. É esta luta, este drama que é trazido para a tela do cinema em mais uma interpretação espetacular de, talvez, o maior ator que já existiu (opinião). Conseguindo retratar a tão famosa faceta firme e serena que conferiu a alcunha de Abe “O Honesto”. Aliado a isso está um Steven mais sóbrio, sem magnanismos ou devaneios, nem querendo aparecer mais do que a história que deseja mostrar, resultando numa obra sólida, intensa, marcante e filosófica se vista para isso.

A filosofia é um ponto fundamental em Lincoln e talvez isso tenha aborrecido tanto os espectadores, acostumados com filmes automáticos que não necessitam de nenhuma espécie de raciocínio para ser entendido. Se este for o caminho escolhido por quem assiste, a rota inevitável é a frustração e sensação de cansaço, caso contrário te renderá minutos muito satisfatórios no cinema.

É o grande filme do ano, não por se tratar apenas da história de uma lenda, mas por ser uma produção bem feita em todos os fundamentos; desenvolvimento, atuações (Tommy Lee Jones relembra sua capacidade de atuar neste longa), continuidade, maquiagem (Daniel é a imagem que todos veem nas fotos). Em suma, um filme completo que alcança seu auge com mais uma interpretação única e apresentação até poética de um momento tão difícil da história americana e por que não, mundial.

Intensidade da força: 9,5

2 opiniões sobre “Lincoln”

  1. Até gosto de história e achei Lincoln um bom filme, mas tantos conchavos políticos e “causos” e metárforas e historinhas me deixaram com muito sono. Muito.

    Acho um filme chato, daqueles que jamais assistirei novamente hehehe.

    1. Então você deve ter saído da sala que nem o carinha no telégrafo quando o Lincoln vai contar mais uma de suas histórias referenciais! AHAH

      Achei um filme excelente, mas compreendo alguma resistência por parte do espectador, pois não é muito palatável não.

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