Django Livre

Título Original- Django Unchained
Título Nacional- Django Livre
Diretor- Quentin Tarantino
Roteiro-Quentin Tarantino
Gênero- Faroeste
Ano- 2012

– Sem amarras…

São assim as obras de Quentin Tarantino. Um diretor notabilizado por não se limitar por convenções ou pressões da maioria. Ele sempre busca passar sua ideia, deixando sua marca sempre. Isso provoca uma relação de amor e ódio, mas é inegável que se trata de uma pessoa diferenciada que está no meio cinematográfico. Agora, com sua nova produção, não seria diferente, depois do ótimo Bastardos Inglórios, que já possui temática histórica, ele volta ao mesmo escopo, porém no período e local diferente para contar a história de um negro liberto que busca também livrar sua amada. Sim, dessa vez Quentin apelou para um pano de fundo comum, mas as aparências podem enganar.

Django (Jamie Foxx, o “D” é mudo) é um escravo nos idos de 1850 nos Estados Unidos. Quando estava a ser conduzido para uma nova fazenda, a caravana é interceptada pelo Dr. King Schultz (Christoph Waltz) que procurava alguém que soubesse o paradeiro dos irmãos Brittle e este “alguém” é o nosso protagonista. Após um ótimo interlúdio inicial os dois seguem caminho pelas terras desertas do Texas. Após cumprir alguns trabalhos os dois formam um elo e Dr. King se interessa pela história de Django. Após ficar sabendo de como fora sua vida ele resolve ajudá-lo a reencontrar sua amada.

Embora tenha como motivação a perseguição a um amor. A real história do longa é tratar da escravidão e retratar de forma mais crua o tratamento que era dispensado aos escravos pelos Srs. daquele tempo. As motivações que levavam as pessoas a maltratarem um semelhante são a tônica dos fatos, com um enfoque no índice de maldade que um ser humano pode alcançar. Neste ponto, ressalva seja feita a abordagem sóbria e imparcial realizada por Tarantino (que também assina a produção e já levou Globo de Ouro por roteiro original) quando apresenta a personagem interpretada insuportavelmente bem por Samuel L. Jackson (Stephen), relembrando um pouco sua boa capacidade para atuar esquecida com a avalanche de filmes que participou desde sua arrancada com Pulp Fiction do o mesmo diretor.

Com a direção típica e tratamentos pessoais na forma de dirigir seus longas, nota-se claramente mais um filme com a identidade de Quentin Tarantino (os closes rápidos, as entradas musicais nos ápices, a paleta de cores), tudo que faz dele um diretor especial frente aos seus pares. Aqui ele abre mão um pouco da ação pura e simples que permeiam alguns de seus longas e ditam o ritmo do desenrolar, tratando mais das interações entre as personagens, criando um pano de fundo chocante, vibrante e pensante para quem assiste. Nunca deixando de lado a ação, sua marca registrada.

Com esta obra se vê o definitivo amadurecimento do diretor. Depois de um excepcional Bastados Inglórios, ele repete a dose em Django Livre. Uma obra marcante, como costuma ser, mas com mais profundidade e a maestria de uma condução irreverente sem perder o foco da importância daquilo tudo que aconteceu. Consegue extrair atuações ótimas de Leonardo Di caprio (Calvin Candie) e Jamie, mas é Christoph Waltz que rouba a cena mais uma vez e arranca para seu segundo Oscar este ano, sem dúvida alguma. Num papel antagônico ao odioso Coronel do filme anterior, ele apresenta uma personagem carismática, cativante que consegue expressar todos os seus sentimentos em algumas expressões e poucas palavras. A torcida agora é para ver quando conseguirá arrancar um prêmio de ator principal.

Mesmo com todos os méritos, Django não é perfeito. Ainda que a trama de “busca ao amor” seja muito bem envolta pela cortina histórica, algumas coisinhas batidas estão lá. O eterno uso dos estereótipos, mesmo que justificado também tira mais algum ponto aqui e acolá, tanto que, em determinado momento, há uma certa sensação de cansaço, na última parte do longa, bem próximo do final, já que os eventos podiam ter sido um pouco mais resumidos. Mesmo com estas pequenas reservas, não dá para tirar o caráter excepcional de mais uma obra diferenciada dessa figura icônica da cinematografia.

Intensidade da força: 9,5

2 opiniões sobre “Django Livre”

    1. Falaaa SUMIDO!!!!

      Que grande prazer ter você dando uma visitada no bloguinho e que bom que gostou desse filme também.

      Grande abraço e sempre que puder e lembrar apareça!

      Feliz 2013 para você e Flávia e que tudo de bom possa vir em porções ainda mais generosas neste novo ano, amigo.

Deixe seu comentário