O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Título Original– The Hobbit: An Unexpected Journey
Título Nacional– O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
Diretor– Peter Jackson
Roteiro– Fran Walsh/Philippa Boyens
Gênero– Aventura/Fantasia
Ano– 2012

– Uma jornada desapontante…

Como todo grande filme que gerou grande expectativa a chegada do mesmo sempre causa muitos embates de opiniões sobre o que achar a respeito do resultado e até que extensão os desejos foram atendidos. É com uma pressão gigantesca que O Hobbit chegou, finalmente, para o grande público. Antes disso, algumas críticas pipocaram pela internet sobre como ficou o resultado da obra que sucede, mas precede (?) os eventos da maior saga baseada em livros já concebida para o cinema, Senhor dos Anéis (SDA). Daí já se tem a dimensão da responsabilidade carregada pelo “pequeno” O Hobbit.

Uma saga de alguns anos de lutas judiciais por direitos cinematográficos entre a MGM e New Line Cinema sobre a obra que marcou o início do universo maravilhoso criado por Tolkien para o grande público, teria sido o primeiro grande entrave de conhecimento geral para o nascimento desta produção, depois veio a resistência de Peter Jackson que gostaria de maior participação nos lucros e tudo isso foi sempre se interpondo para o nascimento do filme. Mais um tempo passou, mais pressão de fãs, imprensa especializada e finalmente todos os lados envolvidos chegaram a um acordo e o martelo foi batido para que fosse rodado. Daí então outro sem número de complicações se sucederam até tudo estivesse realmente decidido para como seria conduzida a película.

Todo este preâmbulo se faz necessário para que se possa compreender a extensão do peso envolvido e o motivo pelos quais certas decisões foram tomadas quanto aos rumos da obra. Há muito em jogo, muito mais que dinheiro, há prestígio, há a vontade de se manter um padrão elevado digno da trilogia anterior e também há o desejo de ainda se explorar mais deste mundo tão rico, tão fascinante e quase infinito criado pela mente genial de Tolkien. Acontece que em situações de tamanha exigência as pessoas costumam se perder e, infelizmente, isso acontece em “O Hobbit” e, para piorar, mais do que o perdoável.

Para quem nunca leu o livro talvez se tenha um filme excepcional e realmente ele o é, mas para quem leu talvez já se perca um pouco da empolgação a começar pela primeira cena e com a continuação isso pode se agravar ou piorar. A coisa fica ainda mais grave se a pessoa que assiste tiver um conhecimento mais amplo do universo, um domínio dos fatos mais extenso, aí sim, as referências serão interessantes, bem sacadas em certos momentos, mas outras serão alvo de questionamentos e ponderações se foram a melhor escolha ou não.

É nesse ponto que o Power Cinema tenta afirmar sua posição de ser livre de amarras e sempre ver o cinema como uma fonte de sonho, de diversão. Aquele momento que representa mais do que se sentar numa cadeira e passar alguns minutos ou horas focado numa tela, mas sim o instante em que você pode mergulhar num universo que te permite transcender a realidade circundante e te traz satisfação. Isso, no final, é o que importa. É isso que muitos perdem de vista quando criticam e é a isso que o Power Cinema tenta ser fiel. Se for divertido para você, então é o que importa e vamos deixar de ser chatos!

Como nem todos leram o livro vale fazer uma rápida contextualização de eventos e localizá-los dentro da realidade de Senhor dos Anéis que é o mais plausível de ser do conhecimento geral de quem se dispôs a assistir.

Bom, temos Bilbo Bolseiro (Martin Freeman/Ian Holm) o primo de Frodo (Elijah Wood) que o adota depois de algum tempo e é como seu pai. A história aqui contada se trata de Bilbo e num contexto maior sobre o próprio Anel, ainda que, na realidade, Sauron seja o alvo principal.

O sempre vigilante Gandalf (Ian McKellen) está unindo um grupo para uma empreitada perigosa e espera com isso resolver alguns problemas de uma só vez. Por um fim no dragão Smaug e, com isso também resolver o problema dos anões, liderados aqui por Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage). Segundo a experiência do mago, os eternos dramas da Terra Média seriam resolvidos pelas pessoas que ali viviam e é nelas em quem Gandalf crê e, não pelo poder, visão compartilhada por seu rival Saruman (Christopher Lee). Sob esta perspectiva ele tenta construir um grupo que partirá numa jornada de improvável sucesso, mas que justamente por causa do desfavor poderá ser bem sucedida, aproveitando-se das ironias do destino.

O povo Hobbit não é conhecido pelo seu espírito aventureiro, pelo contrário, são tranquilos, enraizados e pouco se preocupam com o que acontece fora dos limites do Condado, mas é lá que Gandalf sempre crê que poderá estar a solução definitiva para tudo, pois este desinteresse e ingenuidade pode ser o inesperado na eterna luta contra o mal que já se mostrara extremamente bem sucedido quando os embates se fundavam apenas no poder em eras passadas.

Depois de uma reunião não convocada, o grupo será formado e terá inicialmente 15 integrantes e todos partirão nesta aventura, mesmo que o pequeno Bilbo se mostre confuso, cético e pouco confiante em si e na crença do mago, mesma opinião compartilhada por Thorin.

As terras fora do Condado sempre são cheias de surpresas e armadilhas, ainda mais naqueles tempos em que coisas estranhas aconteciam e um estranho poder se alastrava por toda Terra Média, trazendo suspeita e medo mais uma vez naquele mundo. É dentro deste cenário que esta equipe despreparada e desajeitada terá que se virar e superar os desafios (e estes serão inúmeros) até que tudo tenha um fim. Claro que no filme este final não será no longa atual, pois O Hobbit será concebido em 3 filmes, outra decisão muito questionada e que foi um dos motivos que refletiu nas notas duras recebidas no meio crítico inicial.

Acontece que o longa não carece da falta de ação ou de ritmo tão enfatizado em tais opiniões, pelo contrário. É uma típica aventura com muitos momentos inusitados e sucessivas situações perigosas para o time. O tal excesso de tempo, não reflete o real problema do filme e acho que foi nisso que as pessoas se perderam. Entraram para ver na película, algo como As Duas Torres ou O Retorno do Rei, esquecendo-se que não se trata de uma obra semelhante em quase nenhum sentido, pois fica difícil crer numa justificativa diferente para os problemas ressaltados em boa parte das opiniões contrárias iniciais.

Nos últimos dias surgiram outras tantas críticas positivas e encorajadoras sobra a obra e mesmo que o Power Cinema sempre se considere alheio às influências externas foi bom saber que muitos estavam gostando do filme, pois o que importa é o sucesso do cinema como fonte de conhecimento, diversão e sonho para as pessoas e são produções como esta que alavancam tais sentimentos.

Ao terminar a sessão, contudo, foi inevitável perceber como há um erro de percepção bastante evidente em ambos os lados dessas posições mencionadas. O problema de O Hobbit não reside em sua duração, seu ritmo ou seus méritos não estão na inclusão de um vilão inexistente naquele momento de que se trata o livro ou que foi boa a decisão de mudar algumas coisas, pois não foram. No que a obra falha miseravelmente são nas escolhas, em sua grande maioria desnecessárias, de gosto duvidoso e que só serviram, ao final, para descaracterizar e afastar-se de sua base principal retirando a identidade fantasiosa e encantadora do original.

O problema do ritmo não está em seu tempo alongado, mas nestas decisões questionáveis, pois ao adotá-las o desenvolvimento dos personagens se perdeu (Bilbo) e outros conheceram um destaque que não condiz com sua real participação nos eventos narrados originalmente. A mudança de Bilbo é abrupta demais, clichê e destoou totalmente da forma como é conduzida no livro. Se ficou melhor para o cinema, provavelmente Peter Jackson assim pensou, mas não é assim que dá a entender. As mudanças introduzidas não o levaram para melhor, mas enfraqueceram sua característica básica e ao tentar aproximar-se de algo mais épico como em SDA o caminho ficou pelo meio, pois nunca O Hobbit conseguirá ser um SDA e ainda bem que é assim, pois seu mérito é justamente ser o que é.

A sucessão de eventos perde seu charme, não há fatos inusitados, salvo poucos momentos (justamente aqueles que se apresentam mais fiéis ao livro), como no encontro com os Trolls e em certos momentos pontuais na perseguição final. A liberdade criativa do diretor encontra seu ápice na parte final (omissa no livro) em que tudo ficou muito próximo à perfeição, mostrando que o problema não está na improvisação ou alteração, mas sim em como isso foi feito e infelizmente a balança pende mais para os erros do que para os acertos.

Nem por isso é errado quem diz que o filme é excelente, pois sob certa perspectiva ele é. Tem uma boa direção, edição, boas atuações no geral (Ian McKellen é fantástico) e cativa à sua maneira, mas longe de ser como no livro. Então o sumário é simples. Temos aqui uma obra muito boa no que se propõe, mas uma adaptação com muitos mais erros do que acertos e é por isso que é tão difícil dar um balanço final a este filme, mas é preciso. Espero que, ao final, importe mais o texto do que a nota, pois, como tudo na vida, nem sempre os números exprimem a realidade, muito embora possa se dizer muito através deles.

Intensidade da força: 7,5

12 opiniões sobre “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada”

  1. Achei o filme excelente, inclusive as mudanças foram bem também. E fico com vc sem entender como reclamaram de lentidão no filme.

    1. Só vou adicionar uma coisa quanto a resenha, que é a primeira sua que estou lendo. Achei que você devia argumentar mais na exposição da sua opinião, como a questão da mudança do Bilbo, etc e menos sobre os pontos que as outras criticas apontaram e você discorda. Sei que deve ter feito isso por ter visto mtas criticas q discordava, eu tb penso assim, mas eu acho q o texto ficaria melhor.

      1. Bem-vindo! É sempre bom novos visitantes!

        Obrigado pelas dicas. Em alguns reviews (daquelas obras mais badaladas) eu costumo destacar um pouco a opinião de outros e tentar mostrar um outro ponto de vista a respeito, dando novas perspectivas ao leitor. É uma tentativa de se afastar do café com leite de sempre.

        Eu evito me aprofundar muito sobre razões, pois posso me deixar levar e soltar algum “spoiler” indesejado sobre o filme. Se você retornar ou se detiver em outros textos poderá perceber que procuro sempre dar uma visão panorâmica da obra, servindo como norte para a pessoa que deseja assistir, mas não quer estar tão preso aos conceitos batidos noutras análises, mas obrigado pela dica. Vou tê-la em mente noutras oportunidades.

        Abraços e bom fim de ano!

  2. Não encontrei tantos erros assim como você mencionou em seu texto, dizendo que a balança pende mais para este lado.

    Achei o filme apenas longo demais, poderia ser cortado um pouquinho (pelo menos nos cinemas).

    Assisti em 48 quadros e recomendo com força a quem ainda não o fez a fazê-lo porque o visual é impressionante.

    Não achei uma jornada desapontante, mas confesso que esperava por um épico e ele não é um, mesmo não deixando de ser um ótimo filme.

    1. Pois é Márcio, não é um épico e deixa o aspecto marcante da aventura original (diversão) muito de lado ao tentar se levar a sério demais.

      Muitos comentam sobre o 48 FPS positivamente, mas reclamam do mesmo ponto que mencionei. Por que não IMAX? Aqui no Brasil não existe só uma sala IMAX para transmitir, mas só estão transmitindo em uma, ou seja, o filme não está com seu potencial totalmente explorado.

      Sim, existe diferença visual em assistir os 48 FPS no Imax e no cinema normal. Diferença de resolução na imagem.

      1. Salvador não tem IMAX então pra que se pegar neste ponto? No máximo temos a Macro XE.

        Velho, assista em 48 frames, estou lhe pedindo hahahah. A diferença e´absurda man. é algo que nunca vi antes nos cinemas. Se no IMAX é ainda melhor porra, tenha medo.

        1. Esta onda toda para assistir no 48 FPS está me convencendo. Se acontecer de pegar uma semana cretina de lançamentos no meio do caminho ou estiver de bobeira algum dia mais barato no cine eu irei então

          Abraços!

  3. Pena!!! Eu realmente não entendo como deixaram fazer 3 filmes de “O Hobbit” quando não tem história para isso (tá, eu sei, foi por dinheiro). Aí ficam inventando. Bom, então vou com outros olhos, apenas na aventura e me divertir, nem vou comparar com o livro de forma fanática. ehehheeh

    Valeu pela resenha, mais tarde falo o que eu achei hehehe

    1. Não comparei de forma fanática! É uma forma adequada, creio eu, bem, já sei que você assistiu e te agradou. Eu gosto muito que estejam se divertindo com a produção, pois isso só renova minhas esperanças que continuem fazendo mais filmes sobre o universo (Silmarillion? Por que não?).

      Só vi sua msg agora, negócio aqui não me avisou.

      Abraços.

      1. huahuahu Não disse que vc fez de forma fanática, disse que não iria comparar com o livro de forma fanática. heheeh Mas enfim, então, assisti o filme nessa semana.

        Eu gostei bastante, tudo que eu me lembrava estava no filme e não vi muita coisa fora do normal. Não senti falta dos lobos falantes, achei bem colocado o vilão Azog, já que tinha realmente os orcs. E achei os efeitos muito bons. Sinceramente, acho que vc exagerou na nota Bill, 8,5 tava bom para o filme 😀

        O 3D foi muito legal, as águias saltavam da tela, a borboleta, nossa, muito bom mesmo. Mas achei uma coisa até boa dividir o filme (ainda assim acho que 2 estava de bom tamanho), pois puderam explorar mais as cenas do livro. A cena do Troll foi muito boa, a festa na casa de Bilbo também. Acho que se fosse um livro só, não teríamos isso, tão bem detalhado.

        Enfim, ótima crítica, me fez querer ir logo ver o filme, ahuhuauhauha, E espero o Silmarilion também, assim me poupa o trabalho de ler esse livro horrível ¬¬ (não joguem pedras, fã de Tolkien, kkkkkkkk)

        1. Não se peguem na nota eu mesmo disse! EHEH. Por isso que não achei o filme longo já que pode retratar vários trechos de maneira muito detalhada e fiel, sim, a parte dos Trolls é ótima, curioso para como será na floresta.

          Você não sabe o que perde ao não ler Silma! 😛

          1. Já tentei ler algumas vezes. Mas eu ainda acho muito chato. E olhe que já cheguei até os homens aparecerem heheheeh. Um dia eu termino. 😛

            A parte da floresta vai ser sinista!! 😀

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