Ted

Título Original- Ted
Título Nacional- Ted
Diretor– Seth MacFarlane
Roteiro– Seth MacFarlane
Gênero– Comédia/Fantasia
Ano- 2012

– Que fofo…Mas, não tanto…

À primeira vista o espectador desavisado pode se iludir achando que Ted é uma comédia infantil. Todavia, alguns aspectos podem chamar a atenção, a começar pela censura elevada (16 anos), denotando que não se trata de algo tão inocente assim. É claro que o próprio ser “ursinho de pelúcia” dá a impressão de que se trata de algo leve, mas com o passar de alguns minutos já se tem a noção mais exata de como a obra é tratada.

Dessa vez Seth MacFarlane, criador de desenhos relativamente populares como American Dad e Família da Pesada, além de outras contribuições interessantíssimas em Laboratório de Dexter e Johnny Bravo, vem mostrar seu talento numa obra de maior amplitude e com atores reais. Ressaltando sua enorme criatividade, ele acerta em cheio mais uma vez apresentando algo bem interessante e original.

A história do excluído John Bennett (Mark Wahlberg) não podia fazer mais sentido nos dias atuais. Ele deseja ter um amigo no dia de natal e o seu pedido é voltado para o novo brinquedo que ganhara dos pais, o encantador ursinho de pelúcia o qual ele chama de Ted (diminutivo de Teddy Bear e vivido por Seth). Aqui já vem o primeiro acerto. O acontecimento não é ocultado, mas trazido à tona e assim vem ao conhecimento público tamanho milagre.

O pequeno Ted vai a shows, fica conhecido e o que poderia parecer estranho e desconexo passa a fazer total sentido quando o narrador faz a analogia às coisas estranhas que ganham cartaz hoje em dia, mas que logo, logo desaparecem. Uma crítica aberta à cultura do exibicionismo e da superficialidade que predomina na sociedade atual.

Os anos se passam e tanto John como Ted crescem (outro acerto), a voz do simpático brinquedo engrossa, assim como sua personalidade se desenvolve e ganha contornos de um adulto e é deveras interessante essa mudança também. Em sua fase adulta os amigos tem uma vida irresponsável e pouco ambiciosa, mas o jovem John não é mais tão sozinho como quando criança, agora ele tem uma namorada, Lori Collins (Mila Kunis). No começo ela tenta conviver com a dupla de amigos, mas o comportamento imaturo de ambos termina levando ao desgaste do relacionamento e a uma série de problemas com o casal (a parte menos interessante do longa).

As piadas no filme são adultas, muitas delas um tanto apelativas e até desnecessárias, mas tão bem trabalhadas que não comprometem muito. O que faz de Ted uma obra acima da média é sua capacidade crítica que pode muito bem passar batida pelo olhar desatento, mas que traz inúmeras críticas à sociedade americana e, até mesmo, num plano mais global. A dificuldade da juventude atual em crescer e lidar com as responsabilidades, as mulheres e seu eterno problema em aceitar o parceiro como ele é. Em outro panorama, também traz a importância de se manter seu lado criança, o exercício da tolerância e quando saber ceder para que um casal prospere. Enfim, é uma obra muito mais ampla do que aparenta.

Tem-se aqui uma produção altamente recomendável, seja pelas risadas, seja pelo trabalho excepcional com o tratamento do ursinho Ted em si, ou mesmo pela falsa impressão de superficialidade que às vezes pode enganar o espectador.

Não importa o motivo pelo qual se vá assistir Ted, o que importa é tudo aquilo que poderá representar para cada um; pura diversão descompromissada, humor ácido, crítico, negro, tudo isso num único pacote. Já dá para perceber o porquê de tamanha ovação por certos críticos, ainda que tenha seus deméritos aqui e acolá, dificilmente haverá algum filme melhor que este em seu gênero este ano.

Intensidade da força: 8,5

 

2 opiniões sobre “Ted”

    1. Num ano fraco para o cinema como um todo e o gênero até então. Ted vem como um alívio bem satisfatório.

      Abraços!

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