Dredd

Título Original- Dredd
Título Nacional- Dredd 3D
Diretor– Pete Travis
Roteiro- Carlos Ezquerra/Alex Garland
Gênero- Ação/Ficção
Ano– 2012

– Lei implacável…

A volta de Dredd aos cinemas foi sem muito alarde, mas com muita qualidade. O longa consegue passar com muito mais fidelidade o clima dos quadrinhos em que se inspira. Dessa vez sai a megalomania da produção estrelada por Silvester Stallone em 1995 e entra a sobriedade de Karl Urban (Dredd), que pode não ter a fama de Sly, mas encarna muito melhor a personagem que representa. O que entristece é a baixa receptividade do filme nos EUA e, aparentemente, por aqui também. Mesmo com orçamento baixo será difícil conseguir emplacar números que convençam o estúdio a realizar uma continuação que sempre foi a ideia principal do time envolvido.

Num futuro não muito diferente do nosso a Terra foi reduzida a pequenos redutos em que as pessoas se aglomeram, as chamadas Mega Citie. Na Mega City 1 atua o Juiz Dredd, muito conhecido por ser implacável no cumprimento do dever. Neste futuro algumas pessoas ficam com o poder de atuar como policiais (reprimindo os crimes) e também julgadores, uma combinação que poderia ser muito efetiva em países como o Brasil, por exemplo. À parte do aspecto ficcional, o futuro trazido por Juiz Dredd em termos de deterioração da sociedade é algo muito plausível tendo em vista os caminhos seguidos por muitas sociedades.

Em Mega City 1 existe uma criminosa, Ma-Ma (Lena Headey) que assumiu o controle total de um mega edifício e faz deste local seu quartel general assim como base de produção de uma droga que vem causando um estrago enorme naquele meio.Sem atrair a atenção do Estado ela vivia tranquila até que, por acaso, Dredd resolve atender o chamado de um triplo homicídio no local. Juntamente com a novata Anderson (Olivia Thirlby), eles irão se deparar com uma situação bastante complicada no complexo.

Ma-Ma resolve trancá-los no lugar para evitar que fujam com um dos componentes da gangue que poderia entregar segredos importantes de onde era fabricada a droga e isso não era do interesse da chefona. É aí então que o Juiz irá entrar em ação e mostrará o porquê de sua fama. Ainda que seja focado num único cenário que conta com pouco detalhamento, o filme consegue manter um alto nível, não exagera na dose da ação. Dredd faz o típico destruidor invencível, mas que não deixa de ser humano e passar por apertos que põem em cheque o sucesso de sua missão, uma construção bem arranjada que apresenta resultados muito satisfatórios.

A novata que o acompanha é um ótimo alívio para toda a seriedade do protagonista e confere o balanço necessário com um pouco mais de sensatez em cima da implacabilidade de Dredd. As cenas em câmera lenta devem ter ficado muito boas em 3D, pois é visível o tratamento especial dado a elas quando visto no formato tradicional. A produção mostra que é possível fazer um filme de ação acima da média sem perder a medida dos elementos clássicos (muitas mortes, um pouco de exageros e uma missão de improvável sucesso). A trilha sonora ficou bem ajustada ao clima decadente apresentado e as entradas são bem ritmadas.

Ainda que peque em alguns pontos (os exageros muitas vezes são difíceis de engolir) como algumas incongruências da dupla durante a tentativa de sobreviver, sem falar das falhas de cenário bem como no visual, é visível que neste caso se trata mais de uma restrição orçamentária do que erros dignos de culpa. Uma pena que mesmo com orçamento curto (45 milhões) dificilmente o filme conseguirá o suficiente para ter uma sequência, um desperdício, pois a primeira impressão é de que o gênero está perdendo muito se Dredd não conseguir retornar às telonas no formato que foi apresentado.

Intensidade da força: 8,5

2 opiniões sobre “Dredd”

  1. Não vi como falha a parte do cenário, achei uma saída muito genial perante ao orçamento do filme e que deu um ar “produção dos anos 80” sensacional.

    Fui agradavelmente surpreendido e, para mim, este está entre os melhores filmes do ano (não sei se entraria num top 10, mas deve ficar próximo)

    1. Acho que você confundiu nessa Marcio. O cenário não foi o problema, mas tem momentos que dá para ver que ficou mal arranjado, com partes de material frágil se despedaçando, claramente uma solução que podia ter sido mais caprichada ou disfarçada.

      Se ele vai ficar no top 10 até o fim do ano é outra história. Até aqui com certeza está no meu.

      Abraços.

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