O Vingador do Futuro

Título Original- Total Recall
Título Nacional– O Vingador do Futuro
Diretor– Len Wiseman
Roteiro-Kurt Wimmer/Mark Bomback
Gênero– Ação/Ficção
Ano– 2012

– Remake genérico…

O que de dizer de pegarem um filme bem acabado e fazerem um remake do mesmo e retirarem quase tudo de interessante que havia no original substituindo por conceitos superficiais e banais de filmes de ação dos anos 90? O mais interessante do Vingador do Futuro original era seu aspecto um tanto diferenciado para época. Naquele tempo estouravam filmes de ação bonachões a lá Tango e Cash e Especialista. Era a época de ouro dos heróis bombadões como Stallone e Schwarzenegger.

Então surge naquele cenário uma proposta um pouco mais fora do trivial que envolvia um tanto de ficção, viagens em memórias, um futuro que ainda parecia distante e assim era concebida uma obra interessante e divertida. Mesmo que não fosse um marco, a lembrança do filme é sempre agradável quando acessada na memória de quem viu naquele tempo.

O atual tenta dar uma roupagem mais sofisticada e conta com um ou outro aspecto mais interessante que o original, mas falha quando escolhe mudar alguns pontos do primeiro, deixando o mesmo com mais cara de filme dos anos 90 do que seu inspirador

Douglas Quaid (Colin Farrell) é apenas um peão de uma linha de produção de robôs policiais que está entediado com aquela rotina de vida e começa a questionar seu papel naquele contexto. Aliado a alguns sonhos estranhos, ele não entende o que sente, mas desconfia que algo está faltando em sua vida. Numa tentativa de aliviar tal sensação ele recorre a uma empresa chamada Rekall que faz implante de memórias nos seus clientes, permitindo que eles curtam a fantasia que bem entendam durante as sessões. Só que algo dá errado (ou certo?) quando Douglas está prestes a embarcar em sua viagem e toda aquela vida que ele desconfiava passa a ruir e da maneira mais impossível imaginada.

A começar por sua mulher Lori (Kate Beckinsale) que o ataca repentinamente com um desejo incontrolável de realmente matá-lo. Logo ele perceberá que não é quem ele realmente pensava e terá que buscar as respostas para as suas dúvidas e ao mesmo tempo proteger sua vida a todo custo.

Até aí o espectador que viu o original encontrará alguma semelhança com a obra do passado, mas e se for dito que não há mais viagem a Marte? Asfixia com olhos esbugalhados e seres curiosos do planeta vermelho? É verdade que a retirada de tal aspecto diminui muito o carisma e inovação que se via no antecessor, mas o problema basicamente não reside só nisso.

A trama perde aquele aspecto de espionagem e apenas se perde numa sucessão de eventos e coincidências um tanto forçadas. Nada é muito desenvolvido, tanto é assim que o próprio protagonista não se descobre em nenhum momento da trama, substituindo isso por mensagens clichês como: “Quem faz você são suas ações presentes e não o que você foi” e por aí segue.

É uma pena este rumo tomado pela equipe responsável, pois a execução ficou bem construída. Colin Farrell é menos tosco que Arnoldão, muito embora não tenha o carisma do Exterminador. Neste filme o papel não requer tanta testosterona como outros típicos do gênero e aí o ator com um pouco mais de talento pode se valer disso, e Farrell não desaponta. Aliás, um dos aspectos que salva bem a produção é o elenco envolvido, tirando os chefes das organizações que criam a tensão que envolve as personagens, os que estão ligados diretamente nos eventos estão muito bem, até mesmo Melina (Jessica Biel), conseguindo balancear o aspecto feminino com a ação requerida coisa que ela já teve muita dificuldade noutros papéis.

Porém, é Kate Beckinsale que rouba a cena completamente. O filme é dela praticamente, durando muito mais que a esposa do longa original. Ela mostra toda a sua desenvoltura adquirida com a franquia “Underworld” e dá um show a parte, além disso, põe a bem mais badalada Jessia Biel no chinelo no quesito beleza. É até angustiante, pois ela está sempre perfeita na tela, dando uma sensação de surrealismo.

A parte técnica também está boa, com efeitos especiais bem compostos que raramente demonstram falhas evidentes, algumas cenas forçadas como a da “Queda” (próximo do final) e de certas lutas ficaram um tanto comprometidas, especialmente o embate entre Lori e Melina. Isso, contudo, não é suficiente para estragar demais a obra que, como dito, poderia ter feito muito melhor se não tivesse optado pelas mudanças frente o original. Muito da baixa aceitação que vem recebendo se deve a este aspecto, pois no geral ficou um filme de ação na média.

Intensidade da força: 6,5

3 opiniões sobre “O Vingador do Futuro”

  1. Sua análise é realmente interessante, tiraram tudo o que fez o antigo memorável e colocaram efeitos especiais e correrias no lugar.

    A única coisa que vai ficar comigo deste remake é o lance absurdo lá da “queda” que atravessa o planeta em 17 minutos (achei massa) e Kate Beckinsale surtada (e com pouca roupa hehehe).

    Mas acho que o filme tem VÁRIOS problemas e a intensidade da força, para mim, estarei um pouco abaixo.

    []´s

    1. Pois é Márcio. Eu curti alguns aspectos um pouco mais que você, convenhamos que em termos de atuações o filme entrega bem mais que o primeiro e foi nisso que me prendi para valorizar um pouco mais a nota.

      O lance da queda é super legal sim. Eu ficava comentando: “Coisa absurda, mas super maneira!”AHAHA

      1. O mais absurdo mesmo é ter uma bomba que vai explodir em 15 minutos dentro da parada que demora 17 minutos pra fazer a travessia, e ainda explode depois que chega.

        Rapaz, Tio Arnold no seu jeito espalhafotoso era bem mais divertido que esse chato do Colin heheheh

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