Jogos Vorazes

Título Original- The Hunger Games
Título Nacional- Jogos Vorazes
Diretor- Gary Ross
Roteiro- Gary Ross/Suzanne Collins
Gênero– Ação/Ficção
Ano– 2012

– Fome por franquias…

Com o sucesso estrondoso de Harry Potter, Senhor dos Anéis e mais recentemente de Crepúsculo, o cinema entra em mais uma nova onda. A de franquear histórias de livros “best sellers“, especialmente aqueles que cativam o público jovem (teen) por serem mais volúveis, pouco críticos, facilitando a missão dos estúdios de conseguirem emplacar novos “hits” de bilheteria. A bola da vez que chega aos cinemas é o filme baseado no romance homônimo, Jogos Vorazes, da escritora Suzanne Collins. Com um universo um pouco mais interessante esta estória chega às telonas nacionais com grande destaque.

Num futuro fictício, mas que guarda semelhanças com o nosso mundo, um torneio que reúne jovens de distritos subordinados a uma capital se enfrentam numa arena mortal com o pretexto de fazer lembrar à população os horrores de uma guerra. Uma espécie de doutrina que alia arrependimento com diversão. Uma mistura sinistra, mas que parece entreter a complicada psique humana.

Num dos Distritos está a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) que se vira na medida do possível juntamente com sua família, composta pela irmã Primrose Everdeen (Willow Shields) e sua mãe (Paula Malcomson). O período da “colheita” se aproxima e a tensão circunda o pequeno núcleo, pois o medo de sua pequena irmã ser escolhida é iminente.

Como esperado, a irmã mais nova é escolhida, mas Katniss intervém e se escala no lugar da caçula. Do outro lado, o jovem Peeta Mellark (Josh Hutcherson) é o integrante do sexo masculino a compor os enviados para o torneio. As regras são simples, entram 24 (dos 12 Distritos envolvidos) e apenas 1 (um) sobrevive, entretanto tudo é manipulado de acordo com os interesses do Presidente (Donald Sutherland) a fim de facilitar a submissão do povo ao regime explorador imposto aos Distritos em benefício da Capital.

O que faz de Jogos Vorazes algo infinitamente melhor que Crepúsculo é tudo. A comparação é válida, pois as tramas guardam semelhanças, ambas são voltadas para o mesmo público, contam com protagonistas femininas um tanto introvertidas e envolvem amores impossíveis ou pouco prováveis de darem certo, ao menos num primeiro momento. A diferença aqui é que Jogos Vorazes traz inúmeras mensagens interessantes, muito embora rasas, ao menos ele tenta agregar mais corpo ao que apresenta não se resumindo a simples melancolias e dramas infantilóides.

A crítica ao modelo consumista e de aparências dos círculos ricos está lá, bem como, a cultura à violência e ao exibicionismo por meio dos programas de “reality show” que inunda as televisões estrangeiras, isso para ficar apenas nos aspectos de maior destaque.

O filme conta com um elenco muito mais competente do que a maioria das outras investidas no gênero. O par composto por Jennifer e Josh é bem composto e a atuação dos dois não compromete além disso, conta com nomes de peso como Donald Sutherland e Stanley Tucci. A parte técnica é melhor articulada e tratada com mais seriedade, os “takes” do diretor Gary Ross remontam aos filmes de ação mais sóbrios como a Trilogia Bourne e até os longas do diretor Michael Mann.

Em suma, se trata de uma obra que vale a pena ver. Todavia, nem tudo são flores em Jogos Vorazes. O interlúdio inicial é cansativo e não convence como apresentação das personagens, a protagonista precisa de quase todo o filme para conseguir um pouquinho de empatia, isso por causa da metodologia de desenvolvimento dada a ela pela própria estória.

Por fim, o que resta dizer é que a adaptação ficou bem feita e que pouco daria para melhorar dentro de um contexto já limitado por aspectos intrínsecos a trama. Vale a pena conferir, mas sem grande entusiasmo.

Intensidade da força: 7,0

4 opiniões sobre “Jogos Vorazes”

  1. É o mesmo dilema que ela vive. Ela até tentou me animar a ler antes do filme, mas eu não consegui ir com a cara a ponto de tomar a coragem de encarar. Vendo o filme acho que não perdi muita coisa. Eu achei interessante, mas não chega ao ponto de chamar a atenção tanto a ponto de ler.

    Abraços.

  2. Não cheguei a ler os livros para saber se a adaptação foi bem realizada, mas, pelo filme, achei a história bem interessante e rola umas críticas no meio da “diversão” que dá um ‘plus’ a franquia.

    Por mais que seja claramente um produto mais interessado em ganhar um din din do que em fazer “arte”, fiquei curioso para saber até onde tudo vai terminar e achei tudo muito interessante.

    Vamos pra frente.

    1. Fala Márcio!

      É bom por aí a minha expectativa também. Acho que o primeiro passo foi bem dado e agora fica mais fácil de manter uma linha mestra condizente.

      Minha noiva já leu toda a história e gostou da adaptação ainda que saliente algumas imperfeições aqui e acolá, mas nada tão grave que estrague tudo como acontece na maioria dos casos.

      1. Entendo, nada fora do “comum” e “aceitável” no quesito adaptação de livro para o cinema, interessante.

        Eu até fiquei curioso em ler os livros, mas tenho tantos na fila, tantos, e não estou dando conta que vou deixar pra lá por enquanto. Ficarei só com os filmes.

        []´s

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