Os descendentes

Título Original– The Descendants
Título Nacional- Os descendentes
Diretor– Alexander Payne
Roteiro- Alexander Payne/Nat Faxon
Gênero– Drama/Comédia
Ano– 2011

– Reencontrando os laços…

Recomeço. Essa é a palavra perfeita para o surpreendente e excelente Os Descendentes, filme que estreou no último fim de semana de janeiro e acompanha a onda de títulos indicados ao Oscar que irá abarrotar os cinemas nas próximas semanas, como já é de praxe entre nossas “espertas” distribuidoras. É nesta maré que chega o mais novo longa “sério” (mas não tanto) na carreira de George Clooney.

Muito elogiado no papel e indicado em todos as principais premiações do ano, realmente ele finalmente convence e mostra que tem algum talento para interpretação. Claro que Clooney não é nenhum Keanu Reeves em termos de ruindade, mas nunca se pode afirmar que ele tinha algo muito além do charme e engajamento político-social para ser elogiado em sua carreira de “famoso”. Agora ele mostra que também pode entregar algum convencimento em sua atuação nesta ótima participação.

Tudo começa com o acidente de Elizabeth King (Patricia Hastie), matriarca da família que depois do infortúnio vai parar no hospital em estado grave e com poucas chances de recuperação. A partir deste instante Matt King (George Clooney) entra em cena e terá que tomar a frente da família e assumir suas obrigações reais de pai, até então esquivadas.

Ele terá primeiramente que se confrontar com a pequena, mas esperta, Scottie (Amara Miller), porém o problema maior será com a mais velha e um tanto rebelde, Alexandra King (Shailene Woodley). Muito desajeitado e sem prática em lidar com as filhas ele terá que encontrar uma forma de conduzir a liderança de sua família e ainda terá que lidar com o drama de saber que vinha sendo traído pela esposa.

Após esta revelação, feita pela filha mais velha, é que Matt ficará ainda mais confuso, entretanto é deste momento em diante que sua família também será seu maior suporte, especialmente Alexandra. Eles irão se conhecer mais, se aproximar mais e irão enfrentar todos estes problemas juntos, numa espécie de reencontro às avessas, mas brilhantemente conduzido por Alexander Payne. O mérito maior de “Os Descendentes” está em não ser apelativo, não há exageros dramáticos, pelo contrário, há sim a pureza dos sentimentos, sem meias palavras. As pessoas como elas costumam ser, mesmo num momento difícil como o da morte de um dos pilares de uma família. Todos irão ter que reaprender a se relacionar neste novo contexto e é nesta simplicidade e realidade que se encontra a maestria e o toque no coração que a obra te traz.

Com certeza o longa merece a onda de elogios que vem recebendo e é curioso como obras simples e verdadeiras como estas não tenham um apelo grande de público, talvez justamente por serem honestas e assustarem certas pessoas que prefiram o cinismo do mundo de hoje, porém se você gosta deste tipo de temática este filme é imperdível.

O tom de humor permeia a condução o que não torna os atos enfadonhos ou cansativos, contudo, não se deixa levar pela displicência onde perderia a chance de passar sua mensagem. Realmente a atuação de Clooney está muito boa e até merece a indicação (ganhar já é outra história), mas é a jovem e até desconhecida Shailene Woodley que rouba a cena sendo uma típica adolescente rebelde e frustrada, mas que ama sua família, apresentando esta dualidade de maneira impressionante. É por estes méritos que você não pode deixar de conferir este grande filme.

Intensidade da força: 9,5

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