J. Edgar

Título Original- J. Edgar
Título Nacional- J. Edgar
Diretor- Clint Eastwood
Roteiro- Dustin Lance Black
Gênero– Drama/Biografia/Policial
Ano– 2011

– História bem contada…

Mais um filme de Clint Eastwood e dessa vez a personagem é um nome importante na história dos Estados Unidos, J. Edgar Hoover (Leonardo DiCaprio) o homem responsável pela solidificação do FBI como é conhecido hoje e por ter transformado um departamento bagunçado e ineficiente numa das referências mundiais em investigação. Esta personagem tem uma vida um tanto enevoada justamente pelo cargo que ocupou e o longa opta por tratá-lo da forma mais humana e crível possível e, talvez por isso, tenha se aproximado bastante do que realmente foi este homem de grande importância para este país.

Ainda jovem Edgar já mostrava uma disposição acima da média para os problemas que afligiam a nação nos idos da década de 20. Eram tempos difíceis, o comunismo se espalhava pelo mundo e tudo ainda girava em torno da tensão pós Primeira Guerra. Os EUA nasciam como superpotência e isso despertava a inveja e rivalidade de outros governos.

Os socialistas, ainda denominados de bolcheviques naquele tempo, eram os maiores interessados em desestabilizar este gigante emergente. Neste paradigma os EUA viviam sob constante ameaça e se fazia necessário uma evolução na forma de se pensar as investigações. É neste momento que as ideias de Edgar são ouvidas e ele consegue a atenção que precisava para tentar implementá-las.

A partir do instante que seus métodos começam a funcionar ele vai galgando mais e mais destaque no departamento de justiça e a subdivisão de investigações começa a se tornar sua área principal de atuação. Dali para diretor foi rápido, sempre escolhendo as palavras certas na hora de garantir que seus interesses fossem satisfeitos, dessa maneira ele garantiu os primeiros passos do recém fundado FBI, ainda em sua forma embrionária.

Como todo indivíduo extremamente dedicado ele é uma pessoa sozinha e um tanto perturbada, vindo de uma família amável, mas com alguns problemas e bastante rígida. Ele tem dificuldade em se relacionar, especialmente com as mulheres e isto será responsável por um traço importante em seu comportamento durante sua vida e que será tratado de maneira muito fina e delicada nas hábeis mãos de Clint Eastwood.

O mérito maior desta obra esta na forma humana de trabalhar os envolvidos, sem se deixar levar por exageros megalomaníacos. A figura de J. Edgar é moldada com o tempo, de acordo com suas ações, ao invés de discursos epópeicos ou eufóricos que poderiam marcar uma figura com seus traços de personalidade. Ele era individualista, monopolizador, manipulador e egocêntrico como Diretor do FBI, mas sob a batuta de Clint sua personagem consegue um balanço difícil, mas convincente que não o deixa desprezível, pelo contrário, se vê mais a figura imperfeita e sensível por tais falhas e não somente um autoritário e arbitrário homem que detinha imenso poder.

A produção é imperdível. Conta com uma maquiagem excelente e atuações destacadas por parte de Leonardo di Caprio (ei Academia! Até quando vai continuar este descaso com os trabalhos do ator?) e o surpreendente Clyde Tolson (Armie Hammer) seu inseparável companheiro o que gerou a suspeita de que tivessem um caso, já que J. Edgar nunca foi visto em relacionamentos com mulheres. Entretanto a sensibilidade ao tratar do tema é magistral e cativa.

O final é tocante e não vulgariza as personagens, dando a obra a elegância justa para o tipo de tema que se trata. É mais um filme esquecido pela academia neste ano, outra birrinha com os filmes de Clint Eastwood que está na hora de passar, pois estão deixando de dar as devidas menções a ótimas obras por puro orgulho e até prepotência entre seus pares. Você espectador não deve deixar de conferir este ótimo filme.

Intensidade da força: 9,0

Deixe seu comentário