A Invenção de Hugo Cabret

Título Original- Hugo
Título Nacional– A Invenção de Hugo Cabret
Diretor– Martin Scorsese
Roteiro– John Logan/Brian Selznick
Gênero- Aventura/Drama
Ano- 2011

– A invenção dos sonhos…

Esta é a mensagem principal de Hugo (Invenção de Hugo Cabret para nós). A obra conta o começo do cinema com a invenção dos irmãos Lumière e se passa no contexto do período, muito bem ambientado neste que era o maior concorrente a prêmios do Oscar 2012. Dessa vez, Martin Scorsese mudou sua linha de filmes policiais ou desnorteados e um tanto violentos, para uma proposta completamente diferente e provou quão hábil cineasta ele é de fato. Conseguiu contar uma história por um prisma infantil, sem que, com isso, perdesse a seriedade ou a intenção principal de homenagear a criação maior.

O jovem Hugo (Asa Butterfield) é uma criança introvertida e solitária que vive na estação de trem de Paris e assumiu o comando do cuidado dos relógios, aproveitando os ensinamentos de seu falecido pai e do tio que havia levado-o até lá, mas tinha ido embora e ele nunca mais ouvira falar desde então. Com medo de ser recolhido a um orfanato ele aprende a se virar e não vê alternativa se não cometer pequenos furtos para poder sobreviver. Ele tinha que ser muito discreto, pois o inspetor da estação (Sacha Baron Cohen) era implacável caçando os pequenos órfãos que ousavam vaguear pelo movimentado pátio da estação.

Além da necessidade de sobreviver outra coisa que motiva Hugo é uma espécie de robô (autômato) deixado pelo pai pouco antes de morrer e no qual trabalhavam juntos restaurando. Agora, Hugo quer de toda forma restaurar este objeto na esperança de reavivar o único laço que ainda existia de sua família. Para conseguir os objetos restantes e completar o boneco havia necessidade de certos componentes e o único ao seu alcance que tinha tais peças era o dono da loja de brinquedos, Sr. George (Ben Kingsley). Sempre aproveitando descuidos deste senhor, Hugo ia furtando os artigos até que um dia é pego pelo dono do estabelecimento. Furioso, ele toma todos os objetos da criança e o impede de prosseguir com sua montagem.

É durante este momento de perdição que ele irá se aproximar da neta do Sr. George, Isabelle (Chloë Grace Moretz) que irá ajudá-lo a manter as esperanças em conseguir reaver seus pertences. É a partir de então que o filme irá se desenrolar e seguirá um rumo até ali improvável que se revelará numa bela viagem de reminiscências do começo da sétima arte. A verdade é que, tirando a homenagem e a qualidade técnica impecável que já é marca de Scorsese, a trama não é lá estas coisas. Apesar de tentar prender os eventos de uma forma interessante tratando o garoto como o elo que pode trazer esperança à vida das pessoas e usando o cinema como pano de fundo, a verdade é que o ritmo cansa muitas vezes, o início demora a empolgar e muito disso se deve a fraca participação do pequeno ator protagonista.

A justificativa para Hugo não ter concorrido a nenhum Oscar de atuação talvez seja esta, de fato o merecimento está na obra em si, não tanto em quem a apresenta. Os grandes momentos se apresentam quando George relembra sua luta na crença do poder inspirador do cinema e nas agruras que a guerra traz ao coração das pessoas, matando seus sonhos.

Ainda que o garoto seja muito fraco, isso não significa que o filme é desprovido de boas atuações. Chloe Grace se firma em mais uma participação firme e Sacha Baron consegue satisfazer num papel muito mais interessante do que uma simples olhada superficial. É fato que tanto esta produção como O Artista monopolizaram as atenções do Oscar 2012 por tratarem de uma mesma temática sobre óticas diferentes, entretanto, em Hugo se tem muito mais um grande filme por méritos técnicos (o 3D é lindo!) do que uma obra completa em todos os sentidos.

Intensidade da força: 8,0

 

Deixe seu comentário