Tudo Pelo Poder

Título Original – The Ides of March
Título Nacional- Tudo Pelo Poder
Diretor- George Clooney
Roteiro- George Clooney/ Grant Heslov
Gênero- Drama
Ano– 2011

– O poder da política…

O poder a que se refere o título estranhamente traduzido de “Ides of March” para “Tudo pelo poder” se refere à política e tudo aquilo que é necessário sacrificar para se alcançar o topo num jogo que força seus participantes a irem se deteriorando cada vez mais e à medida que precisam subir, mais necessitam abrir mão de sua ética e honestidade, numa espécie de caminho sem volta, de armadilha inevitável a todos que queiram se aventurar por desafios tão difíceis.

Aqui, Ryan Cosglin (Stephen Meyers) faz o papel de agente da campanha (assessor de imprensa) de Mike Morris, (George Clooney) governador que está concorrendo ainda às prévias do seu partido (Democratas dos EUA) nas quais é decidido quem será o representante da legenda para as eleições presidenciais norte americanas. Como assessor, Steven tem que abafar rumores, blindar seu candidato de todas as maneiras e ainda tê-lo sempre em evidência, sempre de uma maneira positiva.

Só de descrever não parece uma tarefa fácil. A situação para Steve nesta campanha não é a mesma de outras ocasiões, ele admira seu empregador e fará de tudo para que ele alcance o poder. O que ao final se torna até uma espécie de tormento para o Mike já que seu agente não quer somente se manter no emprego, mas levá-lo à vitória a todo custo.

No começo tudo é muito belo, todos cumprem seu papel com muita atenção e empenho e o comitê de campanha de Mike Morris é visto como bastante preparado e difícil de ser derrotado. Eles estão conseguindo segurar o ímpeto do governador que possui ideias ousadas e opiniões polêmicas, trazendo tudo isso em benefício para a campanha.

As coisas viram completamente no instante que Steven aceita um convite para se encontrar com o chefe da campanha do rival, Tom Dufy (Paul Giamatti). Os elogios e bons fluidos irão se virar completamente, numa maré de desacertos e desencontros nos quais a política começará a mostrar toda a sua sujeira e forçará a cada envolvido a sair de sua zona de conforto, resultando em consequências drásticas.

O filme retrata muito bem os bastidores de uma campanha eleitoral, a troca de favores, o “toma lá dá cá”, clareando a mente de quem porventura ainda achasse que os políticos de lá são melhores que os daqui. O jogo de conceitos e a estupidez hipócrita de um povo que é capaz de crucificar um homem por ter relações extraconjugais, mas é complacente com a corrupção ou má gestão. É impressionante a frieza e coragem de Clooney ao trazer a tona tudo isso, com atuações destacadas para ele e Cosglin. Phillip Seymour Hoffman (Paul Zara) também participa como o chefe de Steve e Marisa Tomei (Ida Horowicz) faz o papel da imprensa, tão suja e manipuladora quanto os políticos.

Ides of March é um filme real que fala de um tema conturbado de maneira simples e contundente, o seu mérito está em não ser ameno em nada do que se propõe a tratar e o encerramento, embora surpreendente deixa aquele gostinho de quero mais no espectador. Uma grande pedida, que chegou super atrasada, mas que vale a pena cada segundo de exibição.

Intensidade da força: 9,0

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