Cavalo de Guerra

Título Original – War Horse
Título Nacional- Cavalo de Guerra
Diretor- Steven Spielberg
Roteiro- Lee Hall/Richard Curtis
Gênero- Drama/Guerra
Ano- 2011

– Contos de guerra…

O trailer de War Horse dá a impressão de que se trata de mais um filme que conta uma história de amor de um garoto por um cavalo especial e que este cavalo seria separado dele e daí muitas cenas forçadas de choro e emoções forçadas dariam o tom a mais nova obra de Spielberg (levada a sério) que chega aos cinemas nacionais. A verdade é que o longa procura expandir um pouco mais do que esta perspectiva demasiadamente simplista e, muito embora se torne maçante em certos momentos consegue trazer momentos de grande beleza técnica visual e sonora a fim de aliviar a crueza do tema de guerra no qual se fundamenta a produção.

Na história temos o jovem Albert Narracott (Jeremy Irvine) que vive na quietude do interior da Inglaterra com seus pais, Ted e Rose Narracott (respectivamente Peter Mullan e Emily Watson) e tentam se estabelecer como produtores rurais, agricultores mais especificamente. O terreno é de difícil manejo e eles precisavam de um cavalo para arar a terra, quando um leilão acontece para se arrebatarem cavalos o chefe da família entra numa disputa com o dono das terras e compra um cavalo inapropriado para o trabalho por um preço muito elevado, praticamente esgotando com as economias da família. O filho que já acompanhava o crescimento do animal noutras terras fica muito feliz e se apega ao animal, tratando de assumir a responsabilidade de fazê-lo ser útil ao sustento da família.

Após muito esforço Albert consegue treinar o cavalo Joey para arar a terra e surpreende todos. Era o começo da saga do pujante animal num período de incertezas e muitas disputas que levaram o mundo a duas Guerras Mundiais praticamente em sequencia. É por causa da guerra que o cavalo sai da posse da família. O pai de Albert é obrigado a vendê-lo, pois a família não conseguiria manter o lar já que havia perdido a cultura por causa de um enxurrada. Desolado o filho é obrigado a aceitar a condição e vê seu parceiro partir para a morte quase certa, mas não sem antes fazer uma promessa que o acharia e o traria de volta para casa.

A promessa parece muitas vezes esquecida durante o desenrolar do filme. O cavalo passa por inúmeros momentos difíceis e quase morre. É neste ínterim que se tem os pequenos contos da Guerra (Primeira Guerra). É mostrado o embate inicial do passado dos combates baseados em infantaria para a cruel e devastadora chegada das armas de fogo de grosso calibre e alto impacto. As famigeradas metralhadoras giratórias que arrasavam batalhões inteiros em segundos.

A sucessão de eventos passa de mão em mão até os canhões de artilharia que tinham que ser transportados pelos cavalos e impunha duros desafios aos mesmos. Eram tempos difíceis e que são retratados numa espécie de documentário, sem se ater a ideologismos ou se preocupar com protagonistas apenas, com intuito de mostrar uma Guerra que é bem menos explorada que a Segunda, mas que impunha nesta transação aspectos ainda mais cruéis e devastadores aos que participaram.

O filme conta com uma parte técnica muito apurada, com uma fotografia destacada em diversas cenas a exemplo da marcha inicial da cavalaria inglesa nos campos de trigo, como também no resgate do cavalo pelas trincheiras, passando pelo ataque de gás. Os efeitos sonoros estão bem vivos, com explosões impactantes quando os canhões disparam. As cenas em geral estão bem dirigidas e remontam a qualidade quase esquecida de Steven Spielberg quando faz um filme levando as coisas a sério.

No final, todos estes eventos terminam se delineando para um desfecho trivial, mas que não fica cafona por causa do excelente jogo de cena feita com o pôr do sol. São estes aspectos que destacam Cavalo de Guerra, muito mais que suas atuações sólidas, mas pouco entusiasmantes, um filme bonito e que merece sua atenção, porém não é espetacular.

Intensidade da força: 7,5

2 opiniões sobre “Cavalo de Guerra”

  1. Fala Márcio!

    Esta impressão postada por você é até mesmo mantida por alguns críticos e espectadores que viram o filme. Eu não achei que existe situações forçadas para choro ou que induzam a isso. Achei um drama de guerra bem composto no geral e que foca nas pessoas pequenas ao invés do circos pirotécnicos que normalmente são montados para tais produções.

    Não é um filme imperdível e, por isso, nem posso te dizer que estará perdendo muita coisa sem ir assisti-lo. Valeu pela participação mais uma vez.

  2. Eu vi o trailer e não me interessei nem um pouco, nem mesmo pelas premiações.

    Mesmo você dizendo que essa impressão do trailer é um pouco equivocada em relação ao que realmente apresenta o filme, ainda não estou afim de ver “Cavalo de Guerra”. Vou deixar passar

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