Não Tenha Medo do Escuro

Título Original- Don’t Be Afraid of the Dark
Título Nacional- Não Tenha Medo do Escuro
Diretor- Troy Nixey
Roteiro- Guillermo del Toro/Matthew Robbins
Gênero- Terror
Ano- 2011

– Escuridão nada amistosa…

A ideia apresentada no trailer de Não tenha medo do escuro até impressiona e instiga o espectador a dar uma chance a produção. Quem não tem um receiozinho do escuro? Quem não fica mais alerta e ouriçado, quando a visão começa a falhar por causa da falta de luz? Difícil é encontrar alguém que não apresente alguma mudança quando cercado pela ausência de luz. Dando a entender algo do tipo, o trailer levou o Power Cinema a conferir a mais nova obra de terror assinada pelo bom Guillermo del Toro (Labirinto do Fauno) que por si só foi mais um motivo para que déssemos uma chance ao longa.

Tudo começa com um pequeno preâmbulo de eventos, contando como tudo teria começado. Um velho senhor aterrorizado mata sua empregada e leva seus dentes até uma espécie de forno e os deixa lá. Assustadíssimo e falando com alguém que não é visto, mas se ouve, ele é de repente arrastado para o forno e daí já estamos nos tempos atuais. O começo traz uma impressão boa, porém não retrata com veracidade como será conduzida a obra dali por diante.

O jovem casal Alex (Guy Pearce) e Kim (Katie Holmes) são arquitetos de interiores (decoradores) e estão concluindo seu mais novo trabalho, uma espécie de restauração de um casarão antigo (justo aquele do começo). Muito felizes e esperançosos com relação ao seu trabalho eles aguardam a receptividade dos críticos do ramo para poderem ter o projeto apresentado numa revista especializada.

As coisas iam bem até a chegada da pequena Sally (Bailee Madison), uma garota introvertida, solitária e um tanto revoltada com a separação dos pais (Alex e a mãe). Ela está indo para a casa do pai passar uma temporada (assim pensava). Muito arredia e pouco confortável com a situação, ela não se entende com a nova companheira do pai (Kim) e se isola mais ainda.

Em busca de companhia ela sai vasculhando a enorme casa e encontra o porão onde o forno ficava. É uma área fora dos limites da casa e que parecia ter sido deixada escondida propositalmente. Nada disso importava para Sally, ela queria algo para esquecer e poder se isolar ainda mais. Vozes vinham do forno e incrivelmente ela não se assusta nem um pouco, mas sim fica excitada com a descoberta e termina libertando os seres malignos que ali habitavam. O terror iria começar!

A questão base é que ele nunca começa efetivamente! A impressão deixada no prólogo não é atendida no restante do filme e você fica esperando que decole, mas nunca acontece. A opção de conduzi-lo para uma espécie de drama pessoal/familiar focado na criança falha miseravelmente, primeiramente pela falta de componentes que justifiquem isso (nada é explicado mais a fundo para que o espectador compreenda melhor os fatos), tampouco as atitudes da jovenzinha se explicam por alguma lógica.

Os seres saídos do porão não são nem de longe assustadores como aparentariam ser e a jogada com a escuridão é muito pouco aproveitada, tendo relevância cosmética na produção. O que fica parecendo é que Del Toro quis usar elementos perdidos em O Labirinto do Fauno com fragmentos da mitologia de Hellboy e simplesmente não conseguiu uma maneira eficaz de juntar tudo, daí simplesmente aglomerou as propostas e lançou-as de qualquer jeito para ver no que dava. O resultado, obviamente, não ficou muito satisfatório.

A expectativa de que algo realmente importante e assustador ocorra nunca se concretiza e, mesmo com o final interessante, a impressão não muda. O filme dificilmente terá uma continuação e certas sugestões feitas durante o discorrer da película ficarão eternamente perdidas por conta disso. Ainda assim não é completamente descartável. Ficou na linha de outros longas recentes do gênero, como Premonição 5. A expectativa era muito maior, visto que vindo de Guillermo del Toro o normal é que seja um bom filme e não algo fraco.

Intensidade da força: 5,0

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