Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio

Título Original- Fast Five
Título Nacional- Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio
Diretor- Justin Lin
Roteiro- Chris Morgan/Gary Scott Thompson
Gênero- Ação/Policial
Ano- 2011

– O caminho foi encontrado…

A cinesérie de Velozes e Furiosos tem uma trajetória curiosa. Começou com boa recepção na sua primeira aparição, para depois cair em desgraça com o péssimo volume 2, voltando a evoluir no 3, manteve o ritmo no 4 com pitadas de ação mais constantes, para então, finalmente, encontrar o balanço perfeito na mais recente continuação que aporta nos cinemas brasileiros.

Aqui, o filme causa ainda mais frisson por ser teoricamente focado em nosso país, apesar de não ter sido filmado aqui por imbecilidades típicas de nosso país. A questão é que o longa ficou muito acima do que se podia esperar num primeiro momento e vem derrubando barreiras nunca antes imaginadas tanto de bilheteria como aceitação no meio crítico, e não é à toa.

É curioso notar a certa disparidade que se nota nos comentários pela internet nacional a respeito dessa primeira semana do filme. As pessoas aparentemente não vêm gostando, pelos motivos mais esdrúxulos possíveis, mas todos, no íntimo remetem a mesma causa. Dizem eles que o Rio está mal retratado. Agora, caro leitor, analise a realidade dos fatos; o filme foi filmado em Porto Rico, país que tem uma semelhança curiosa com a cidade do Rio no tocante às favelas, cenário básico no qual a trama se desenvolve. Por isso foi utilizado e o trabalho, ao contrário do que digam por aí, ficou excelente. Uma comparação? Rio (a animação do diretor brasileiro Carlos Saldanha) é muito mais restrita, estereotipada e superficial do que a de um filme todo realizado por estrangeiros, sem falar que se trata de uma produção real e não uma animação que conta com uma liberdade criativa muito maior por não necessitar de trabalho de locação.

Então, a história começa exatamente do ponto que parou no 4°. Com os amigos de Dominc Toretto (Vin Diesel) armando para libertá-lo do ônibus que o levava para a prisão. Neste momento, eles se separam e Brian O’Conner (Paul Walker) e Mia Toretto (Jordana Brewster) vem para o Brasil. Aqui se encontram com um sumido Vince (Matt Schulze), rival de Brian no primeiro Velozes. Quando surge uma oportunidade de dinheiro “fácil” o casal resolve aceitar o “trabalho” e eles partem para a missão. Lá se reencontram com Dom e já percebem que terminam de cair numa armadilha e que o trabalho não era lá o “mamão com açúcar” que esperavam.

Começa então a série de acontecimentos que desencadeará uma guerra contra o senhor do tráfico local, Reis (Joaquim de Almeida) e também resultará na reunião de velhos conhecidos de outros filmes da série. Uma opção para lá de acertada que mostra um encadeamento que desde o volume 4 se busca manter com os demais.

As coisas ainda se tornam mais complicadas quando o agente federal Luke Hobbs (Dwayne Johnson/The Rock) aparece para cumprir com a perseguição do foragido Toretto. Ele é conhecido por ser implacável e usar métodos nada convencionais quando aceita uma “caçada”, mesmo assim não faz o tipo inescrupuloso ou amoral, apenas implacável. Esta mistura de ingrediente forçará o pequeno time de Dominic a reunir de volta velhos companheiros vistos em outros filmes da série: Roman Pearce (Tyrese Gibson) do segundo, Tej Parker (rapper Ludacris, pela primeira vez aceitável num papel) também do n°2, Han Lue (Sung Kang) do 3° e 4°, Gisele Harabo (Gal Gadot) também do n°4 e, finalizando os irmãos Tego Leo(Tego Calderon) e Rico Santos (Don Omar). Cada um com seu papel, fazendo uma clara referência a outra série: Onze Homens e um Segredo.

O longa dessa vez ainda está menos focado nos pegas de ruas, na verdade só há um pega o filme inteiro, mas a essência continua lá. Os super carros esportivos, que dessa vez foram maciçamente patrocinados pela Chrysler e seus Dodges Charge e Challengers (estão chegando ao mercado brasileiro agora) e fazem as perseguições de carros muito mais emocionantes e únicas.

O balanço buscado nesta 5ª edição da produção foi muito bem executado, as idéias clássicas de filmes de grupos de ladrões que roubam dinheiro sem o uso intenso da força estão presentes, mas com o toque sempre presente da velocidade. As cenas de ação ficaram excelentes e Justin Lin mostra estar mais que apto a assumir a batuta do Exterminador do Futuro pela impressão causada com esta obra.

O filme está tão bem cotado que vem batendo vários recordes de bilheteria e se tornou a surpresa do ano pela qualidade superior que apresentou. É um dos melhores filmes de ação recentes, desbancado o ótimo Esquadrão Classe A e se colocando numa posição de referência no gênero que está muito carente nos últimos anos. As questões polêmicas envolvendo a retratação do Brasil são um assunto a parte, mas as críticas são totalmente infundadas, pois a produção não foca na miséria (apesar de se passar na favela), tampouco nos mostra como um país de vagabundos ou que só tem gente sambando na rua.

A mostra do Rio é bem neutra, especialmente se considerar que se trata de uma obra totalmente feita por “gringos”, o cuidado com a retração das cores corretas da polícia do Estado, dos uniformes, as tomadas aéreas da cidade, até a cerveja que os caras tomam é nacional, tudo isso deve ser levado em conta. A tão famosa cena do trem no deserto poderia sim ser feita de outra forma, mas não é suficiente para depor contra uma obra quase toda excelente. Os delizes, neste caso, não sobrepujam de maneira alguma os acertos. O resto é pura birra. Então, não percam a oportunidade e assistam aquele que deverá ser o melhor filme de ação do ano.

Intensidade da força: 9,0

4 opiniões sobre “Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio”

  1. como assim dar 9 para um filmeco desses? os “brasileiros” do filme são latinos dublados. nenhum traficante fala: peguem este canalha! eu aceito qualquer mentira, qualquer mesmo.. mas o vin diesel não pode – simplesmente não pode – destruir correntes com o poder do pensamento.

    1. Eu admito que a dublagem nas cenas em que os estrangeiros falavam português ficou fuim, mas isso foi uma decisão de quem publicou o filme aqui e não de quem fez o filme, então não podemos culpar diretamente isso. Depõe contra o filme, mas não é tão importante a ponto de perder ponto.

      Quanto ao lance do Vin Diesel e da corrente é aquele lance de querer levar a sério demais certas coisas. Nós sabemos que são situações comuns neste tipo de produção e se o filme fosse abarrotado delas de uma forma tosca poderia ser algo que diminuísse os méritos, mas frente aos acertos o balanço termina sendo mais favorável.

      Tal situação também pode ocorrer ao inverso. É natural. Assim como certos problemas podem aborrecer mais alguns que outros vai do nível de tolerância de quem assiste a cena. No seu caso estas coias te chatearam muito, mas o nível geral do filme foi elevado, por isso a nota.

      Agradeço a crítica participe sempre que quiser descer o pau ou não. AHAH!

  2. meio surpreendente isso aí.

    Quero dizer, é uma típica franquia caça níquel, já chegando no quinto filme, e conseguem fazer alto decente.

    1. Pois é Ero, mas eu creio que apesar de ser caça níquel se fosse realmente algo sem interesse de ser bem feito o Vin Diesel não teria retornado, pois ele tinha saído no 2, entre outros motivos, por que não cria na franquia e só retornou no quatro, quando viu que as coisas tinham um rumo mais bem preparado.

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