Rio

Título Original- Rio
Título Nacional– Rio
Diretor- Carlos Saldanha
Roteiro- Carlos Saldanha/Don Rhymer
Gênero- Animação/Comédia
Ano- 2011

– Esse Brasil brasileiro…

A essência que nos faz mais famosos no exterior e que nos aborrece ao mesmo tempo por parecer que só temos isso a oferecer é o mote principal de Rio, nova comédia dos estúdios Blue Sky (série Era do Gelo) que tem Carlos Saldanha na direção, finalmente se aventurando de forma mais consistente noutra aventura.

Ele também dirige Robôs, mas o filme é bem fraquinho e conta muito pouco como algo de expressão na carreira do jovem e bem sucedido diretor brasileiro que pode estar num momento definitivo na vida, pois é evidente que com Rio ele alcançará ainda mais projeção já que é um filme focado em nosso país e que tem um brasileiro na frente. É bem possível que lá fora muitos desconheçam que é o Carlos Saldanha quem dirigiu os longa de Era do Gelo, mas com Rio ficará mais difícil, além disso tem tudo para ter uma bilheteria sólida ao redor do mundo.

A história começa com a ararinha azul, Blu, que é dublado por Jesse Einsenberg. O mesmo é capturado ainda filhote por contrabandistas e levado para fora do país, terminando sua saga numa longínqua e fria Minessota. É adotado por Linda, ainda criança, e chega a fase adulta como um pássaro totalmente domesticado que, inclusive, não sabe voar. Neste momento aparece Túlio (Rodrigo Santoro que aqui fala mais que talvez todos os filmes já realizados por ele em Hollywood até então), um estudioso buscando uma alternativa de como salvar a espécie, pois a única fêmea conhecida não teria um macho para procriar. Daí então os dois amigos (Linda e Blu) resolvem vir para o Brasil onde viverão inúmeras aventuras e confusões no bom estilo já conhecido destas produções.

A relação com a fêmea arara Jewel (Anne Hathaway) não começa muito bem, mas eles irão viver muitos desafios e, obviamente, as dificuldades iniciais serão superadas com o tempo. É bem óbvio tudo isso, pois o trailer já deixava subentendido e o filme não traz novidades neste ponto. O que importa é como o Rio de Janeiro e, por consequência, o Brasil é apresentado.

Ao mesmo tempo em que é curioso e bem vindo um brasileiro apresentar nosso país lá fora, também é um pouco frustrante saber que ele procurou não fugir em absolutamente nada ao estereótipo que impregna as mentes das outras culturas sobre a imagem da nossa nação. O Brasil é mostrado como terra de samba, com a desculpa que a época era de carnaval, a nossa pobreza é também destacada com o jovem pobre usando a camisa da seleção brasileira durante 90% do longa. O que salva é que, ao menos, dessa vez, a imagem é fidedigna, ainda que limitada.

Era possível ter ousado mais e se preferiu o caminho da segurança e tratar o de sempre sobre o nosso país, uma pena. Seria mais interessante se o Rio não estivesse em Carnaval e não fosse apresentado o povo brasileiro como uma gente que só vive sambando nas ruas, brincando e levando uma vida boêmia. Seria muito mais interessante um retrato mais sóbrio nesse sentido, menos trivial e repetido.

O filme é bom como animação, tem o mesmo nível de Era do Gelo 3 o que não faz feio, porém já deixa a desejar um pouco. As piadas não são muito inspiradas e as personagens são um pouco batidas também de filmes de comédia romântica. A verdade é que Rio é uma comédia romântica típica no formato animado o que traz consigo muito mais malefícios que o contrário.

O que salva o balanço é a boa retratação da cidade base, como a orla de Copacabana e Ipanema sem muitas falhas, bem como outros pontos. Os defeitos são pontuais e já foram tratados em muitas reportagens que saíram recentemente nas publicações que circulam pelo país . O que depõe contra já foi batido, fica então a boa dublagem de Anne e até mesmo de Jesse em alguns momentos, sem falar de Will I Am e Jamie Foxx.

É um bom filme, bem produzido, mas sem nenhuma inovação, nada feito com maestria ficando apenas na linha média. Aquela sensação de “podia mais” fica no ar e estraga um pouco, mas nada que arrase com a experiência. O 3D não vale a pena, mas a dublagem original ficou muito boa e merece sua atenção se estiver disponível.

Intensidade da força: 6,5

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