O Vencedor

Título Original– The Fighter
Título Nacional– O Vencedor
Diretor- David O. Russell
Roteiro- Scott Silver/Paul Tamasy
Gênero- Biografia/Drama
Ano- 2010

– Vitórias…

O longa em questão não trata somente da história de Micky Ward (“The Irish”) lutador de boxe de meados/final dos anos 90 que protagonizou combates antológicos que ficaram para a história do boxe. Aqui se tem algumas histórias paralelas que servem de referência ao ponto chave. Os protagonistas Mark Wahlberg (Micky Ward) e Christian Bale (Dicky Eklund) também usam do longa como demonstração de que podem mais do que vinham apresentando recentemente.

Bale está sempre sendo questionado sobre suas atuações desde que resolveu usar o manto do morcego com a cinesérie de Batman de Christopher Nolan, enquanto Wahlberg sofre do eterno estigma de ator de segundo escalão, não por não ter fama, mas por representar em um nível abaixo de outros colegas.

Numa história belíssima de perseverança em que o lutador de boxe Micky Ward tenta encontrar seu caminho até as lutas mais relevantes é que se pode ver a extensão da interpretação de certos atores. Para Wahlberg o filme valeu para mostrar que ele tem algum talento sim, nada demais é verdade, mas também não se compara com o lixo visto em Fim dos Tempos.  Para Bale a situação foi ainda mais marcante,pois sempre foi considerado uma pessoa de temperamento difícil nos sets a situação se agravou nos últimos anos com sua maior exposição na mídia. Os escândalos que envolveram até espancamento de familiares sempre vinham aparecendo mais que o talento do ator, muito em consequência de sempre apontarem que ele vinha repetindo suas atuações de Batman nos demais filmes que realizava, em parte verdade, em outras apenas perseguição.

Fato é que Christian conseguiu neste longa restaurar seus bons momentos e fez lembrar papéis antológicos como de Psicopata Americano e O Sobrevivente, tanto é que o papel já lhe rendeu a indicação e vitória no Globo de Ouro e que provavelmente irá se repetir no Oscar 2011.

A história principal em si é cativante pela forma como é contada e pelas pessoas envolvidas. É algo próximo de nós, com a qual é possível se identificar e não houve muitas interferências na tentativa de padronizar os fatos. Micky Ward vive à sombra do irmão Eklund que conseguiu seu momento de glória na luta contra Sugar Ray Leonard e o vê como parâmetro no boxe. Eklund, entretanto sofre com problemas de drogas (crack) e este é outro ponto importante do longa. A omissão da família, em especial da mãe dos irmãos, Alice Ward (Melissa Leo), muito responsável pela derrocada cada vez maior de Dicky. Ela era a aquela pessoa controladora, mas que apenas queria explorar o talento dos filhos sem se importar com a alma de seus rebentos. É neste ambiente conturbado que Micky tentava crescer como lutador.

A situação era grave. Ward não conseguia lutas melhores, pois sua família interferia, ele não conseguia treinar por causa dos problemas químicos do irmão e da constante interferência da mãe e irmãs desocupadas que viviam ancoradas no talento deles e assim a vida prosseguia. As coisas começam a mudar quando Micky conhece Charlene Fleming (Amy Adams) ela passa a apoiá-lo e abrir seus olhos para a realidade; sua família não o deixaria crescer. É a partir de então que as coisas começam a andar finalmente. É claro que nada será fácil e muitos testes serão postos no caminho de todos e neste cotidiano dramático que tudo se desenrola. O filme é muito real e nisso está sua maior qualidade. As interpretações estão excelentes tanto que as duas atrizes principais estão indicadas ao Oscar, bem como Christian Bale.

O Vencedor é um filme marcante e que nos faz pensar em diversos valores, sentimentos e atitudes dentro do seio familiar e até onde a ingerência dos parentes pode ser prejudicial à vida das pessoas que compõem aquele núcleo. É uma história de vida, uma história de vitória e que merece ser vista por todo aquele que admira o sucesso de outros seres humanos em ambientes tão adversos. É tudo muito bem afiado e definido, as falhas são mínimas e é isso que o fez concorrer a tantos prêmios como vem acontecendo, não basta uma boa história (existem milhares delas) o principal é saber o que fazer com ela e nisso The Figher é um guerreiro admirável.

Intensidade da força: 9,5

Deixe seu comentário