O discurso do Rei

Título Original- King’s Speech
Título Nacional– O Discurso do Rei
Diretor- Tom Hooper
Roteiro- David Seidler
Gênero– Drama/Histórico
Ano- 2010

– O gago mais famoso de todos os tempos…

Se houve outro gago mais famoso ainda que o Rei George VI me perdoem os leitores, mas duvido que tenha havido um tão humano e carismático quanto a personagem vivida excelentemente por Colin Firth que finalmente abandona a porcas comédias românicas inglesas pastelão que tem o mau hábito de fazer e demonstra seu real talento num filme tocante e emocionante da história de uma figura da realeza britânica que muitas vezes se pensa que vivem num mundo completamente diferente dos demais mortais. Ledo engano.

O jovem Abert (Bertie) é o segundo na linhagem para o trono inglês nos idos da década de 20-30, enquanto seu irmão era o imediato sucessor. Este não era o maior problema do jovem príncipe e Duke de York, mas sim sua dificuldade com a fala, uma gagueira que teve origem quando ainda era jovem e se acentuou com o passar dos anos, muito em virtude dos rigores da vida real e traumas vividos na infância que terminaram marcando negativamente e interferindo no desenvolvimento do protagonista.

A falta de perseverança não era um defeito e, portanto, Bertie persistiu procurando uma forma de atenuar seu problema, com a ajuda de sua esposa Elizabeth (Helena Bonham Carter), infelizmente sem sucesso. É neste tom de desesperança que o longa se inicia e com o agravante de que o pai de Bertie já estava nas últimas e iria passar o trono adiante, mesmo que seu irmão fosse o sucessor direto, as responsabilidades de Albert iriam aumentar com o falecimento de seu pai. Como última tentativa a esposa vai ao encontro de um Sr. conhecido pelas técnicas pouco ortodoxas que usava para tratar seus pacientes com transtornos de fala, Lionel Logue (Geoffrey Rush). Resistente a princípio, o futuro Rei da Inglaterra se recusa a ser amistoso com o plebeu Lionel, mas um curioso laço se forma entre os dois, em virtude do temperamento excêntrico de Lionel e da tenacidade de Bertie.

É uma história cativante por causa dos componentes envolvidos. Um príncipe com problemas de gagueira que recorre a um mero cidadão para se tratar e entre eles são compartilhados segredos, traumas, inseguranças, mostrando um lado que pouco se vê (até por que não se deve) em pessoas de alta importância numa sociedade, ainda mais conservadora como a britânica. É esta humanidade apresentada em O Discurso do Rei também compartilhada em O vencedor seu principal fator de especialidade e o que faz ser o favorito a ganhar o Oscar de melhor filme. É claro que se deve considerar que por se tratar de uma história de realeza, um filme de “época”, isto também ajuda bastante, mas o longa é realmente muito bom em todos os sentidos técnicos e com mais este ponto a seu favor desbancá-lo não vai se tarefa fácil.

O filme tem um ritmo de tirar o chapéu. Tinha tudo para ser enfadonho, mas as atuações brilhantes, com diálogos marcantes e inteligentes dão o toque típico daquelas produções com o “algo mais” que as tornam únicas. Pessoalmente, tanto O Vencedor como Bravura Indômita são produções que aprazem mais o meu gosto, no entanto não é possível negar os méritos de O Discurso do Rei e se o Oscar for dado a ele será justo também. A disputa de melhor ator, entretanto, está mais aberta e não consigo apontar Colin Firth como disparadamente um vencedor. Ele tem suas vantagens (a personagem, seria seu primeiro Oscar), mas Jeff Bridges está mais completo em sua representação. Vejamos o que a Academia acha. A verdade é que já deve estar tudo decidido e iremos saber no último fim de semana de fevereiro. Quem vencer estará bem representado.

Intensidade da força: 8,5

3 opiniões sobre “O discurso do Rei”

    1. O filme é bacana, um pouco exaltado demais pela Academia, mas dentro do esperado pela tradição deles.

      Você deve ter gostado dos prêmios que ganhou no Oscar 2011.

      Obrigado por participar!

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