Senna

Título Original– Senna
Título Nacional– Senna
Diretor– Asif Kapadia
Roteiro- Manish Pandey
Gênero– Biografia/Documentário/Drama
Ano- 2010

– Um gênio tem um filme à sua altura…

Que Antônio Banderas? Que vender os direitos de produção de um filme sobre a vida de Senna (maior piloto da F1 de todos os tempos. Eleito tanto pela imprensa, como pelos pilotos)? Nada mais justo e sensato do que fazer uma produção sobre o gênio das pistas em que ele mesmo fosse o protagonista. Esta foi a opção escolhida pela família de Ayrton, sempre muito reservada e preocupada com a condução de suas vidas particulares.

Aqui nós temos o acervo de mais de 5000 horas de vídeos e imagens do piloto condensadas em cerca de 1:40 de película, resultando num ótimo filme. Sem exageros, sem idolatrias desmedidas, ou seja, sem motivos para que os fãs de automobilismo (sejam fãs de Senna ou não) deixem de assistir, pois apesar de focado na vida do corredor, mostra também os bastidores da F1, o jogo, a política, coisas que muitas vezes as pessoas não querem ver ou simplesmente ignoram. Muito bom saber para poder se informar melhor.

É redundante afirmar que o longa se concentra em mostrar o começo da vida de Senna na F1 com a sua corrida na Toleman, alguns momentos de Lotus e a maior parte do tempo centrada nos momentos de McLaren, onde o piloto alcançou a glória definitiva e travou embates épicos com Alain Prost (além de Mansell, mas não mostrado), e encerra com sua efêmera e trágica passagem pela Williams-Renault com apenas 3 corridas, 3 poles, 3 acidentes o último sendo fatal e encerrando a vida de um mago dos monopostos, um esportista capaz de conduzir carros inferiores a resultados inesperados. Feitos poucas vezes conseguidos por qualquer outro piloto.

O pecado da produção é focar demais nos embates com Alain, esquecendo-se demais dos momentos brilhantes da Lotus e também das ferozes disputas com Mansell e Piquet. Uma possível causa talvez tenha sido porque estes dois são fogo e poderiam causar problemas à família de Senna com processos judiciais, se olharmos por este prisma a decisão se justifica perfeitamente. Um alerta. O filme é sobre automobilismo. É a vida de Ayrton piloto e existem brevíssimas pausas nisso tudo mesmo durante toda a exibição dedicada a Xuxa e a apresentação dele num dos programas exibidos por ela. Uma ou duas imagens de Adriane Galisteu e mais nada. Então nada de futricas, nada de privacidades da pessoa Ayrton Senna, apenas o piloto e este é um dos méritos da obra.

O longa traz imagens de momentos marcantes dos bastidores com cenas do acervo da FIA, como as reuniões dos pilotos antes das corridas. A prepotência de Jean-Marie Ballestre.O melhor momento cômico do filme é protagonizado por Piquet, inclusive, quando ele intervem numa discussão de Senna com Ballestre a respeito da área de escape da pista do México na qual ele sofreu um acidente num treino. A fama de Nelson se mostra presente com seu sarcasmo, ironia e descaso marcantes ao se dirigir ao chefe da F1 da época.

Um outro aspecto curioso é a rotina de pessoas alopradas no comando da F1, tudo bem que hoje é Jean Todd e não há o que se falar muito dos destemperos dele, mas de Jean-Marie Ballestre, passando por Max Mosleys da vida pode-se perceber que o cargo normalmente foi ocupado por pessoas sem o menor preparo para a envergadura exigida pela ocupação. Vejamos se Todd fugirá a esta escrita. No mais é se emocionar com o show de imagens, os depoimentos acalorados entre Senna e Prost, as cenas das lutas, as disputas de títulos.

É lindo e tocante demais e para quem viveu aquilo tudo com a intensidade que eu vivi é um presente e tanto poder rever tudo aquilo com tão boa organização, seleção, composição com a qual a obra foi constituída. Um excelente trabalho realizado pela Workin Title e toda a equipe envolvida. Um vazio enorme que jamais parece que será preenchido e que foi deixado por esta figura mística, etérea até, que foi Ayrton Senna da Silva.

Intensidadade da Força: 9,0

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