A Rede Social

Título Original– The Social Network
Título Nacional- A Rede Social
Diretor- David Fincher
Roteiro- Aaron Sorkin/Ben Mezrich
Gênero- Biografia/Drama
Ano- 2010

– A versão hollywoodiana para o Facebook…

O diretor David Fincher (Clube da Luta, Benjamin Button, entre outros) usou o livro de Ben Mezrich que conta a história da fundação do Facebook, rede social que virou febre e gerou o efeito cascata para o nascimento ou crescimento de tantas outras (Orkut, por exemplo). A visão, entretanto, é dada sob o ponto de vista de um de seus fundadores, o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield).

Uma espécie de lenda urbana dos tempos atuais, a história do nascimento do Facebook é cercada de mistérios, traições, fofocas, distorções, um verdadeiro conto do nosso mundo contemporâneo. Tanto é assim que ao assistir o longa me perguntava se o nome dos presentes tinha sido alterado para evitar possíveis processos, claro, preocupado com a visão do fundador Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), pois o longa ataca de forma frontal e despudorada o principal idealizador da rede social.

O diretor se utiliza de diversas “licenças poéticas” com intuito de justificar a criação de uma história mais apelativa e que trouxesse, dessa maneira, mais público para assistir a produção. A idéia deu certo e o filme vem fazendo ótimos números mundo a fora, principalmente se levarmos em consideração de que não se trata de um blockbuster cheio de efeitos especiais e cenas de ação, comprovando mais uma vez que é sim possível se fazer boas produções sem que apenas se possa extrair lucros das mesmas se utilizarem recursos pirotécnicos que desviem a atenção do espectador do filme em si.

Com o decorrer do tempo desde o lançamento foram saindo diversas reportagens na mídia escrita e falada, buscando esclarecer um pouco mais dos eventos e iluminar a mente daqueles que podiam acreditar que a visão apresentada ali seria a verdade absoluta dos fatos. Confesso que a grande maioria das revelações trazidas por tais meios já era de meu conhecimento, ou, ao menos já passavam por minha cabeça, mas a principal era a de que os nomes realmente foram mantidos e que, obviamente, Mark Zuckenberg (original) não quis processar o time responsável pelo filme. Talvez por medo, talvez por achar desnecessário criar mais repercussão em cima, sejam quais foram suas razões a decisão foi sábia. Uma lide judicial só traria ainda mais visibilidade para a produção, dando mais dinheiro para quem o realizou e mais publicidade negativa para o Facebook.

A história em si gira em torno de Mark e Eduardo, algo que não condiz muito com a realidade dos fatos, mas que faz sentido, haja vista que o maior prejudicado, de fato foi Eduardo em toda a série de confusões, desencontros e espertezas que sempre permearam a vida dos fundadores do empreendimento. Estudantes de Harvard, o estranho no ninho era justamente Eduardo, que cursava economia, enquanto os demais eram de áreas ligadas à computação ou das ciências exatas. Então ele ficaria responsável pelas finanças da empreitada dos jovens e assim foi.

As coisas caminharam, mas o site não dava retorno e a luta de Eduardo sempre foi essa, pois além de sua função no time, era o seu instinto buscar algum auspício com a criação da idéia, porém sempre encontrava uma certa morosidade por parte de Mark que parecia ter uma visão mais utópica das coisas. Engano! A visão de empreendedor sempre foi a de Mark e de certo modo, num olhar frio, Eduardo terminaria sendo um contratempo para o deslanche financeiro da rede social que criaram.

Todavia, não só aí se limitaram os problemas enfrentados pelos idealizadores do Facebook, outro importante foi a acusação de roubo de propriedade intelectual pela qual foram acusados (graças a Mark, claro!) pelos irmãos Winklevoss (Armie Hammer) que sempre afirmaram terem sido deles o esboço inicial do que se tornara o Facebook, ainda nos tempos de Harvard. É nesse constante embate de idéias e posições que o filme se desenrola, mas o grande problema é que a visão trazida é que sempre tudo fora feito às escondidas uns dos outros e que Mark sempre foi o cabeça por trás de tudo e Eduardo o mocinho passado para trás.

Verdade ou não é que realmente o futuro presidente da rede social mais famosa do mundo sempre foi uma figura enigmática e que não expressava totalmente o que pensava, típico comportamento de gênios e isso não dá para fugir, agora como o filme compra a idéia de um dos lados, fica difícil saber até onde vai a verdade e quando começa o “choro” do prejudicado.

Alguns pontos, no entanto, parecem claros. Mark não é uma pessoa fácil de lidar e com certeza alguns artifícios foram utilizados por ele para que passassem algumas pessoas para trás entre elas Eduardo; a entrada de Sean Parker (Justin Timberlake) fundador do Napster acelerou o processo de exclusão de Eduardo; o brasileiro realmente foi um dos mais prejudicados (apesar de ter ganho sua ação de indenização, embora sem valores divulgados), mas fica evidente que sua visão conservadora e atrasada de negócios na internet sempre seria um empecilho ao crescimento do Facebook.

A história é muito envolvente e o ponto para tudo isso vai ficar com David Fincher. As interpretações são bem ajustadas com algum destaque para Jesse Eisenberg e poderemos ver esta produção concorrendo a algumas estatuetas na cerimônia do Oscar. A trilha sonora é bem ajustada, a direção está muito boa (como sempre), edição e continuidade também e o casting foi bem escolhido. O filme já arrecadou muito mais do que custou somente com a bilheteria americana e vai indo bem em outras praças.

Certos meios críticos vem tentando dar uma dimensão exagerada ao longa afirmando que é o melhor do ano  e tudo mais, mas longe disso. É um ótimo filme sim, mas muito abaixo de “A Origem” em todos os sentidos e alguns índices de certos sites com certeza superdimensionaram o valor da obra. Porém é imperdível para quem gosta de cinema, ou de histórias intrigantes, ou é ligado em assuntos do mundo da informática. Se ainda não foram ver, vocês estão totalmente desplugados da rede social dos bons filmes do ano!

Intensidade da força: 8,5

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